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Eu poderia tecer uma tonelada de elogios para um filme de guerra que traz trocentas mulheres nos papeis principais, é falado na língua nativa de seus atores e produtores e não em inglês, e além de tudo é dirigido e roteirizado por uma mulher. Poderia, mas não vou. Porque eu questiono o fato de um filme em que mulheres estão no serviço militar ser uma comédia, ainda mais com tão poucos filmes sobre a participação feminina em combate, especialmente porque essa comédia é, aparentemente, pastelão e vai acabar em mais do mesmo: a menina vai se apaixonar pelo seu comandante e eles vão viver felizes para sempre, e assim ela terá um homem para fazê-la completa.

Fucking bullshit! O que só piora as coisas é o fato de o filme ser israelense, pois, pra quem não sabe, o exército feminino de Israel é um dos mais bem treinados do mundo, é uma referência. E não que eu apoie guerras, na realidade eu apenas acho interessante a estratégia e o equipamento (além de já ter servido), mas desconsiderar estes fatos, trazendo um conto de fadas e trapalhadas para dentro de um universo em que isso claramente não existe, é muita forçação de barra.

Fico muito feliz pelo protagonismo dado as mulheres em Zero Motivation, que vem sendo elogiado nos festivais em que passou, mas não posso deixar de problematizar seus erros claros (por que uma comédia?). Espero que eu ainda possa ver um filme sobre a representatividade das mulheres nas guerras, principalmente por causa das atrocidades pelas quais elas passam e que precisam ser trabalhadas com seriedade (o estupro advindo dos companheiros é um desses assuntos), pois fazer chacota de um grupo de mulheres militares, sinceramente, é lamentável, já que estas são colocadas em posição de inferioridade. Confira o trailer logo abaixo:

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