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Hoje, 29 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Infelizmente, não são apenas as pessoas transexuais e travestis que possuem pouquíssima visibilidade social, mas o próprio Dia Nacional da Visibilidade Trans é pouco divulgado. Não há espaço nas mídias tradicionais (emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas) para difundir a importância desse dia. E quando pessoas trans são motivo de notícias, normalmente, é para registrar seu assassinato, onde, geralmente, ocorre o segundo ato de transfobia contra essa pessoa ao se divulgar seu nome de registro.

As pessoas trans também costumam ser vítimas de caracterizações estereotipadas de personagens nos folhetins televisivos, isso quando não há graves distorções e equívocos, propositais ou não. Para agravar, quando essas personagens aparecem, normalmente, são interpretadas com um gênero com o qual não se identificam: se são mulheres trans e travestis, são interpretadas como homens; quando são homens trans, são interpretados como mulheres.

Porém, nos últimos anos, especialmente por conta das redes sociais, mais pessoas trans e travestis estão pondo as caras ao sol. Daniela Andrade, Sofia Favero e Amanda Guimarães (Mandy Candy) são bons exemplos disso. Outras, como Maria Clara Araújo e Viviany Beleboni se destacaram de outras formas. A primeira por ser negra e pobre e passar no vestibular de Pedagogia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a segunda por encenar uma crucificação em um dos carros alegóricos durante a Parada LGBT de São Paulo em junho passado. Tem também a professora Luiza Coppieters, que além de trans, é lésbica e foi vítima de transfobia na rede de escolas em que trabalhava após assumir-se como mulher. Há também Lea T., Andreja Pejic, Amanda Palha, Caitlyn Jenner, Laverne Cox e João W. Nery.

Aliás, em vídeo postado no dia de hoje em seu canal no YouTube e intitulado “Estamos aqui, viu?”, Mandy Candy questiona: “Será que não está na hora de isso mudar? Será que não está na hora da população trans do Brasil ter os mesmos direitos que qualquer outra pessoa? Será que não está na hora de pararem de roubar nosso espaço e deixarem sermos protagonistas da nossa própria luta? Não que você precise ser trans pra lutar com a gente, mas por que colocar um homem cis para fazer o papel de uma mulher transexual?”

Somente a partir do momento em que houver uma maior visibilidade da comunidade trans é que o preconceito poderá ser de fato desconstruído. E quando falo em visibilidade é sua inclusão não apenas nos meios de comunicação de forma correta (como mulher trans representando mulher trans em filmes, séries e novelas), mas também na inserção social como um todo. Assim, é preciso que professores estejam preparados para lidar não apenas com a questão transexual na teoria, mas na prática também, pois somente com um bom acolhimento às crianças transexuais nas escolas é que evitaremos a evasão escolar que terá como consequência nefasta, juntamente com a falta de apoio familiar e sua expulsão de casa, o alarmante índice de que 90% de todas as transexuais e travestis do Brasil sejam obrigadas a se prostituir como forma de sobrevivência.

A desconstrução do preconceito contra transexuais e travestis também combateria a alta incidência de assassinatos perpetrados contra a comunidade T. Apenas nos primeiros 29 dias do ano, 60 transexuais e travestis já foram mortas no Brasil, país que é o campeão mundial de assassinatos contra a comunidade T e mata quatro vezes mais que o México, vice-campeão.

O Dia Nacional da Visibilidade Trans é isso, uma eterna luta para mostrarmos que existimos e que somos pessoas como todas as outras que habitam o planeta Terra. E, exatamente por isso, não deveríamos ser alvos de piadas e chacotas, mas sim de respeito, porque, afinal, você pode até não concordar com a nossa necessidade de adequarmos nossos corpos à nossas identidades de gênero, mas o respeito à individualidade é um dever básico.

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