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    Estamos em 1º de janeiro, data em que muitas pessoas acreditam e, por isto, celebram como o início de um novo ciclo. Porém, para as pessoas transexuais e travestis, não há muito o quê comemorar. Durante o último ano, fiz um comparativo com 2016 usando como fonte a seção de monitoramento de “Homicídios e Óbitos” da Rede Trans Brasil. E os números são estratosfericamente assustadores!

    Dados apontam que houve 39 assassinatos e suicídios de pessoas trans a mais do que em 2016. No momento, não considero os dados consolidados porque ainda pode haver alguma inclusão de última hora. Assim, levará ainda mais alguns dias para que se tenham os números definitivos.

    De toda forma, é preciso salientar que, por mais que haja o esforço de levantamento das informações por parte dos pesquisadores da Rede Trans Brasil, estes números não podem ser considerados oficiais, pois são baseados em notícias publicadas em jornais. Infelizmente, o Brasil não dispõe de estatísticas oficiais sobre o número de assassinatos contra pessoas LGBTs, que dirá contra pessoas transexuais e travestis.

    Se em 2016 foram registrados 144 assassinatos, este número saltou para 183 no ano de 2017. E, de novo, são números extraoficiais. E, notem, aqui estou me referindo apenas às pessoas Ts! Os dados referentes à população LGBT como um todo sempre possui como fonte principal o Grupo Gay da Bahia (GGB). Mas, vamos em frente…

    Janeiro de 2017 foi um mês em que permitiu que houvesse um sopro de esperança de que o ano seria menos pior do que o anterior no que concerne ao número de assassinatos de pessoas Ts: foram “apenas” 9, contra 16 do mesmo mês no ano anterior.

    Em fevereiro e março, os números foram rigorosamente iguais: 12 assassinatos em cada mês de cada ano. Mas é a partir de abril que a situação começa a mudar de figura. Em 2017, foram 21 assassinatos (!) contra 5 no mesmo no ano anterior. Os números de 2017 para os meses de maio, junho e julho novamente superam os de 2016 para os respectivos meses: 16, 17 e 18 (reparem o crescente) contra 10, 15 e 15.

    Agosto repetiu fevereiro e março, mas com números menores: foram “só” 9 assassinatos em 2016 e 2017. Porém, os meses que tornam 2017 um ano muito mais sangrento para as pessoas Ts são setembro e outubro, cada qual com 22 registros de assassinatos! Nestes mesmos mesmos, em 2016, os números haviam sido, respectivamente, de 11 e 12.

    A situação só não piorou ainda mais porque novembro foi um mês atípico dentro de 2017: fechou com 8 assassinatos de pessoas trans (o menor número do ano) contra 14 no ano anterior. Por fim, em dezembro, o mês que não permite ainda que se tenha a consolidação dos dados, o número subiu de 13 para 17. É assim que chegamos ao trágico aumento de 144 para 183 assassinatos.

    Por isto tudo, esperamos que, em 2018, as pessoas Ts não apenas se cuidem mais, mas cuidem mais uma das outras. Somos todas manas! Além disto, não custa lembrar que o ano que hoje se inicia é um ano eleitoral. Que votemos conscientemente em candidaturas que nos apoiem! E, acima de tudo, que votemos em candidaturas de pessoas transexuais, que certamente colocarão suas caras nas urnas para dar um tapa de luva na cara desta sociedade transfóbica, hipócrita e conservadora.

    Fonte: Rede Trans Brasil

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