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O post abaixo CONTÉM SPOILERS sobre o episódio S07E01!

The Walking Dead retornou ontem e causou espanto nas pessoas que não estão acostumadas com aquilo que a história deveria ser desde seu início. Não, ninguém que lê os quadrinhos pede que a série seja exatamente igual, são produtos diferentes e a série sofre com problemas que um quadrinho jamais sofreria (pessoas que podem vir a se demitir, por exemplo), mas a verdade é que o roteiro vinha deixando e muito a desejar.

A culpa disso é, absolutamente, do canal AMC, detentor dos direitos de The Walking Dead na televisão mundial, visto que o mesmo, numa visão retrógrada, achava que o fato de haver violência exacerbada (como na história original), e, sendo assim, a necessidade de passar a série num horário mais tardio, afastaria as pessoas e diminuiria a audiência. Game of Thrones provou o contrário, angariou premiações e sobrepujou The Walking Dead em audiência, ativando, apenas a partir da terceira temporada, as sirenes do canal.

Da terceira? Sim, da terceira. Mas a terceira e a quarta também são meia boca? São. E é só na quinta que as melhoras circunstanciais começam a serem vistas. Todavia é na terceira temporada que Robert Kirkman, o escritor e dono de The Walking Dead assume uma das cadeiras de showrunner da série, mas não apenas isso, há o burburinho de que ele tem a chancela do canal de “toma que o filho é teu, nós estamos fazendo merda”. A partir dali Kirkman, claramente, começa a desmontar tudo que estava sendo feito, e seu primeiro ato consiste em matar o estrago que fizeram com uma das personagens mais importantes e queridas de sua história (interpretada por uma descontente e péssima atriz): a Andrea.

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Logo depois, ele encerra rapidamente o arco importantíssimo do Governador e da prisão. Vocês estão estasiados com a violência de Negan? Vocês definitivamente não sabem quem é o Governador e como ele é violento. Leiam os livros e os quadrinhos, pois o Governador é considerado por muitos especialistas um dos vilões mais importantes da literatura, um dos mais maldosos personagens da história dos quadrinhos (sim, dos quadrinhos como um todo). Ele não é aquele gentleman, e sua história envolve minimamente: estupro e desmembramentos diversos.

Kirkman, então, dá uma pincelada nos canibais e assassinos, se livra de mais umas peças, mostra os Lobos, e já começa a introduzir parte do que vivemos atualmente nos quadrinhos. Nessa passagem atual, com Alexandria, Hilltop, a chegada de Jesus (“breve voltará”) e até a entrada de Negan, ainda é necessário se livrar de muito peso morto (literalmente morto), e Kirkman faz isso com maestria, e de sacolada.

thewalkingdeadnegan00Em momento nenhum o seriado deixa de ser único e passa a ser um Ctrl+C e Ctrl+V dos quadrinhos, mas a qualidade do roteiro cresce absurdamente e agrada os fãs das revistinhas que esperavam ansiosamente para que o universo que tanto curtem fosse respeitado também nas telas. A melhora no roteiro fez com que outros setores do seriado trabalhassem consoantes: direção, fotografia, música, maquiagem, efeitos, atuações… Tudo melhorou de forma impressionante. E quero fazer uma menção especial a atuação de Jeffrey Dean Morgan como Negan, pois ele é tudo que se esperava que fosse feito a partir do personagem escrito por Kirkman, meus parabéns, eu bato palmas cada vez que o senhor abre a boca e eu tinha medo que isso não fosse ocorrer. Parabéns mesmo.

E no todo, o que se viu ontem no primeiro episódio da sétima temporada de The Walking Dead, é, como já falei, exatamente aquilo que se esperava há muito tempo de algo que é escrito pelo genial Robert Kirkman (e que vinha crescendo desde a quinta temporada). Quem leu os quadrinhos do cara ou os livros, sabe muito bem como ele é foda e como o seriado deixava a desejar em comparação com seus outros produtos. Se eu gosto do seriado desde o início e considero diversos fatores que dificultam a produção? Sim, mas a verdade, amigas e amigos, e agora se nota muito mais a discrepância, é que cagadas homéricas foram feitas na história (e ninguém está pedindo que seja exatamente igual, volto a repetir).

E muito apesar de não serem exatamente iguais, e definitivamente não foram, as últimas duas temporadas (ou até três) trouxeram cenas que agradaram bastante aos leitores que pediam algumas passagens marcantes da história; ontem tivemos uma das mais memoráveis delas e foi tão igual que eu vou colocar uma das páginas aqui:

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Eu posso imaginar o choque que vocês tiveram ao ver o que ocorreu , eu tive esse mesmo choque anos atrás ao acompanhar isso nas páginas de Kirkman com desenhos de Adlard (em cima de personagens inicialmente desenvolvidos por Tony Moore, antes que ele me processe por não cita-lo). A cena, guardadas diversas e irrelevantes diferenças, foi idêntica a dos quadrinhos como vocês podem notar, e é importante que o seriado traga alguns pontos como esse, que deem prazer e atraiam, também, os leitores (pra não perder audiência de um público mais fiel/não renovável, algo que a longo prazo é péssimo). Eu mesmo tive que convencer amigos a voltarem a assistir a série a partir da quinta temporada, porque eles desistiram ou na caçada da Sophia; ou na cagada com a Andrea; ou no Governador que não mete medo e não convence; ou no Tyreese, braço direito do Rick, que é suprimido na história… Enfim, muita merda foi feita.

Hoje só se fala em The Walking Dead, e os executivos da AMC devem estar caladinhos escutando as risadas do quase sócio do canal Robert Kirkman, por que quando foi que um episódio da série gerou tanto falatório? Talvez, se tivessem feito direito a relação “amistosa” Michonne vs Governador isso tivesse ocorrido bem antes. Essa série não é pra crianças, nunca foi, não retrata um mundo de gente boazinha (e nem nós vivemos em um). Ademais, classificações indicativas e horários de televisionamento servem para isso, e se seu filho assistiu ao episódio de ontem não podendo assistir: tá errado! Não vá na internet reclamar depois, faz esse favor e não passa essa vergonha. Fora isso, a série não é pra família tradicional ui ui ui (lamento).

O teor de The Walking Dead tem uma pegada política e social absurda, e a pluralidade que a história prega também é algo que ainda está deixando a desejar; eu espero, que com essa guinada no posicionamento do canal a gente passe a ver mais da população LGBTT, por exemplo, e relações livres, sexo e triângulos amorosos, porque, bem, tudo até agora foi bem moralista e irreal. Até agora. As pessoas se pegam, as pessoas transam, as pessoas não se cuidam tanto assim, e gays, lésbicas, trans/travestis não desapareceram na poeira apocalíptica!

Tem até quem se entregue ao prazer de ser morta por um zumbi amado com uma mordidinha no pescoço. Cada um com suas fantasias ¯\_(ツ)_/¯ .

Tem até quem se entregue ao prazer de ser morta por um zumbi amado com uma mordidinha no pescoço. Cada um com suas fantasias ¯\_(ツ)_/¯ .

O mais engraçado foi ler ao final que o episódio foi exagerado; pessoas, peguem um taco de basebol, envolvam em arame farpado, comprem uma melancia pequena e firme do tamanho de uma cabeça, e experimentem bater uma vez nela pegando impulso dando um salto do chão como ele fez. Só façam isso. Quanto a Negan: leiam o noticiário, ele está lá presente todos os dias, ele pode ser o presidente de algum país que luta contra o terror que ele acha que também não pratica ao invadir e destruir cidades inteiras em bombardeios; ele pode ser um ditador; ele pode ser um líder extremista; ele pode ser um psicopata brasileiro que mata a família na Colômbia; ele pode ser um linchador justiceiro que mata gente amarrada no poste sem provas; ele pode ser o filho de papai que bota fogo em índio… O Negan é baseado na infeliz realidade que vivemos, crianças.

Aceitem que nosso mundo é uma bosta, que nós construímos isso e não foge muito daquilo. Nós apenas somos privilegiados e não estamos morrendo dentro dos nossos apartamentos confortáveis, com acesso a internet, vendo a série que gostamos e que supostamente é surreal. A única surrealidade de The Walking Dead, talvez, sejam os zumbis, e mesmo assim podemos traçar um paralelo entre o que os zumbis representam e muitas situações do cotidiano. E isso é assustador, não é mesmo? Talvez, por ser tão real, não queiramos isso nas nossas TVs, pois nós não gostamos de enxergar que o mundo é escroto.

The Walking Dead avançou ontem, com The Day Will Come When You Won’t Be, umas 50 casas, e se vocês acharam o episódio pesado se preparem, pois o pior ainda está por vir, e continuará vindo, e vindo, e vindo, e vindo, a não ser que decidam em algum instante encerrar a série diferentemente dos quadrinhos, que continuam transbordando as novidades e criatividade apavorantes de Kirkman em sua impressionante abordagem política e social que tem como contorno o apocalipse zumbi.

Que venha o próximo!

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Fonte: Walking Dead Brasil

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Sobre o Atendente

Editor chefe, administrador, fotógrafo, criativo, mediador do #FFCBoteco, cozinheiro no #FFCNaCozinha e fundador
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Militância pé na porta! "Às vezes está louco na problematização". Cru. Somente a verdade, nada mais que a verdade. Já foi ignorante e às vezes pensa que é inteligente. Viciado em: consumir informação, alguns jogos, música e sexo. Se formou DJ e Produtor Musical pela AIMEC, não era o que a família queria. Preza por água de boa qualidade (não me venha com Crystal), bem como cerveja (não me venha com Skol). Cozinha muito bem e não come animais. Mora no Cubo Mágico, QG de operações localizado em Porto Alegre, mas é mineiro e come pão de queijo enquanto ainda tiver. Torce para o Palmeiras: "Ninguém é perfeito". Idealizador, fundador, pica das galáxias e rei do universo. Obrigado, de nada.

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  • Luiz Paulo

    Do caralho a matéria, estão de parabéns!

    • Paulo Carvalho

      Valeu, Luiz! Fico feliz que tenha curtido e que tenha deixado o elogio/comentário. <3