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A maior preocupação que eu tinha no decorrer de The Walking Dead pós-Governador era que a cagada que foi feita com aquele personagem fosse repetida com o próximo grande vilão da história, Negan. A preocupação não vinha do nada, já que, além do ator escolhido não ter nenhum perfil para ser o personagem, e aqui eu não falo de aparência, mas sim de atuação mesmo, a AMC ficou muito presa aos censores estadunidenses e a faixa do horário nobre que, supostamente, tem maior audiência.

Bom, tem maior audiência porque todas as grandes séries e produtos televisivos estão nela/disputam ela, mas isso não quer dizer que uma série recordista de telespectadores, como é o caso dessa, vá perder público se for apresentada mais tarde que o normal. Ademais, classificação indicativa existe pra isso, ou deveria existir pra isso. Aqui no Brasil, a série já está sendo televisionada após a meia noite, então estamos bem, mas é claro que nós dependemos dos gringos nessa questão, e eles são sensíveis. Não são sensíveis as inúmeras mortes que causam em guerras, mas sim a palavrões.

Mas onde entra o Negan nessa história? O vilão usa palavrões como se fossem pontuação, e não é qualquer palavrão, é tudo que você consiga imaginar de mais ofensivo que alguém possa falar. Sério. Quem leu a história em quadrinhos, e já o conheceu, sabe muito bem do que eu estou falando. Nada do que Negan fala é conteúdo para a tal faixa nobre. Nada mesmo. E não é um detalhe dispensável, assim como tantos não eram a pessoa do Governador, os palavrões fazem parte do que é o vilão que Morgan interpretará, estão marcados nele, fazem parte do raciocínio dele, de toda construção do misto de nojo, terror e fascínio que ele carrega. Então, ou a AMC abre mão do horário, ou contrata os melhores advogados que o dinheiro pode pagar, ou teremos mais um vilão desperdiçado na história, e dessa vez junto com um ótimo ator, que é, com certeza, a melhor escolha que poderiam ter feito para o papel.

Morgan, em várias ocasiões, na chuva de entrevistas que começou a dar sobre o papel, se mostrou fascinado por quadrinhos, pela série, pela história de Kirkman, e, em especial, por Negan. Contou orgulhoso que foi oferecido um papel de vilão na série sem ser explicitado qual era e ele aceitou na hora por imaginar que seria Negan, já que amigos diversas vezes disseram que ele seria ideal pro papel, o que levou ele a ler a história. Em todas essas oportunidades, o linguajar usado pelo ator foi, no mínimo, parecido com o do vilão. Ele já está imerso porque, como disse, também tem um linguajar pesado.

Look, it’s a speed bump. I’m not going to say it’s an issue because they’re working on it. We’re going to push AMC — the plan is to push them as far as they can because it’s who Negan is. He uses some colorful language. And I use some colorful language. And reading the comic, it’s important. So we’ll see where that lands. It’s our intention that this character is going to leap off the pages of the comic book. It’s very important that that’s who it is. Some of the characters there’s much more leeway, but Negan is a guy that you want to keep as true as possible, and that would be how I want to play him as well.

Nessa entrevista para EW, em específico, Morgan disse que eles já estão vivendo a luta contra as restrições do que pode ser passado/dito na TV estadunidense, e que estão levando a situação para AMC de forma a força-los a ir além do que foram até agora. É crucial para a história. É essencial para o personagem e para quem interage com ele (especialmente Rick). E pode, certamente, gerar premiações para a série e para o ator. Infelizmente, teremos que esperar algum tempo para ver o resultado dessa batalha, e eu espero que ela tenha um final fodaçaralho.

Confira também o vídeo em que ele fala sobre o papel num dos inúmeros eventos que comparece:

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