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Recentemente falei aqui sobre Anamanaguchi, uma banda indie que usa um NES e um GameBoy como aparelhagem principal para realização de suas músicas, pois é, conheci a banda por indicação do Spotify graças a similaridades com The Protomen, banda que também usa recursos de chiptune no seu absurdamente excelente álbum homônimo. Esse álbum, que usa efeitos sonoros de 8 bits e 16 bits, conta uma história, e essa história é baseada no universo de Mega Man e envolve Protoman, Mega Man e Dr. Thomas Light, e é um dos álbuns mais fodas que já ouvi em toda minha vida de consumidor de música (e, especialmente se você é gamer, o álbum é quase que obrigatório).

Mas não é sobre esse álbum que quero falar, até porque The Protomen tem outros álbuns excelentes e levaria tempo para discorrer sobre. Foque-mo-nos no novo álbum da banda, The Cover Up, onde mais uma vez a banda investe em covers, dessa vez de várias bandas. Ele foi lançado no dia 23 de janeiro no MAGfest, festival gamer que conta com tudo sobre jogos e traz a presença de bandas que, como Anamanaguchi e Protomen, homenageiam essa outra industria em suas músicas. É um tanto engraçado que o lançamento do álbum tenha caído nesse festival, já que ele não contém elementos chiptune. Apesar disso, qualquer saudosista de games retrô deve ter ouvido cada uma das músicas clássicas de The Cover Up, ou pelo menos a maioria delas, que vieram dos anos 70-80 e atravessaram gerações.

Os covers do álbum são excelentes e respeitam quase que por inteiro a memória musical das músicas entoadas, e, mesmo assim, The Protomen consegue dar um pouco de sua identidade a cada uma delas, fazendo com que elas soem tão únicas como quando foram lançadas. Listo abaixo cada uma das faixas, colocando original e cover:

Pick Up:

Um telefone atendido e ninguém responde do outro lado, é a chamada para o que está por vir.

Because The Night:

A música escrita por Bruce Springsteen e que ficou marcada na voz de Patti Smith vem num dueto e com um ritmo um tanto mais acelerado, que combinou bastante com a letra da música. As vozes do grupo cantam de forma mais visceral e muitas vezes teatral, como é de praxe nos trabalhos do grupo, e muitas vezes recebem apoio, ainda, de backing vocals. Em consequência a instrumentação também é acelerada, e o solo de guitarra clássico está lá, mas é mais agudo e recebe apoio de uma segunda guitarra mais virtuosa.

Princess of The Universe:

Freddie Mercury ficaria orgulhoso dessa cover. Fãs incondicionais de Queen, já tendo feito um álbum tributo aos caras, The Protomen não poderia deixar faltar Queen em sua lista de covers. O tema de Highlander é escrito e escarrado Queen, também com alguma identidade da banda, mas uma homenagem tão perfeita que possivelmente é o melhor tributo que a banda já recebeu. E arrisco dizer que se existe um cara que deveria sair em turnê com os remanescentes de Queen, esse cara e o vocal de The Protomen.

Mr. Roboto:

Aqui, pra mim, temos um tributo que supera o original. A clássica música da famosa banda de hard rock Styx recebe mais contorno, mais preenchimento, mas, assim como as outras, respeitas as marcantes características da música original. Até mesmo os quase impossíveis agudos do vocalista Dennis DeYoung são reproduzidos com fidelidade aqui.

No Easy Way Out:

Uma das grandes qualidades da banda The Protomen é a quantidade de excelentes vocalistas, podendo encaixar cada um deles a um estilo a ser seguido, sendo que o vocalista principal, Raul Panther, é um mutante que tem mil vozes. A música tema de Rocky IV, dentre todas, é possivelmente a que mais leva a cara do grupo, tendo o maior número de alterações na música original de Robert Tepper, tornando ela um pouco mais intimista e menos rocker. E isso é ruim? Nesse caso definitivamente não, pois a música ficou tão boa e única quanto.

Last Stop:

Acredito que quem acompanhou até aqui já notou que o pessoal de The Protomen é bem nerd, e bem dedicado a essa cultura, e uma curiosidade de The Cover Up é que o álbum foi lançado como se fosse uma trilha sonora original de um filme lançado durante essas duas décadas em VHS. E como você pode perceber pelo dialogo dessa segunda introdução, possivelmente, esse é um filme de ação.

In The Air Tonight:

Um dos hinos de Phil Collins recebeu poucas modificações, quase nenhuma (a guitarra grita um tantinho mais), mas o principal de tudo nessa música é que a atmosfera reverberante foi mantida. E no final, um pouco mais de energia e drama. Sensacional!

I Drove All Night:

Cyndi Lauper, essa deusa musical, não poderia faltar na seleção do álbum, com certeza é obrigatoriedade quanto estamos falando desse período musical. A música em questão, que tem originalmente uma introdução um tanto country, ganha uma cover bastante puxada para o estilo (a própria Cyndi tem um pouco dele). Raul Panther distorce sua voz para a usual personificação do country, esse vocalista é excelente. Lauper está muito bem representada aqui, numa de minhas músicas favoritas da cantora.

Total Eclipse of The Heart:

Cyndi Lauper e Bonnie Tyler na sequência, é pra pirar o cabeção! Difícil mesmo é conseguir se equiparar ao vocal rouco e cheio de falsetes de Tyler, especialmente em uma das músicas mais tocadas e conhecidas do mundo, complicado, mas eles conseguem fazer um bom cover, bem ao seu estilo.

PS.: nesse caso não encontrei a versão de estúdio, só versões ao vivo. A imagem não está boa, mas a captação de áudio foi a menos lixo que encontrei.

Hunted:

Mais uma introdução, nosso personagem está sendo caçado.

The Trooper:

A caçada se embrenha num dos maiores clássicos do heavy metal, o símbolo da banda Iron Maiden. Num dos covers mais respeitáveis que a banda já ganhou, tanto no vocal, quanto na instrumentação. É pra não decepcionar nenhum fã da banda!

I Still Believe (Great Design):

Outra música com pouquíssimas interferências é o clássico da banda The Call.

Results: 

Mais uma introdução para chamar a “saideira”!

Danger Zone:

Uma das músicas mais fodas de todos os tempos é a penúltima do álbum, e se você viu Top Gun: Ases Indomáveis, deve se lembrar muito bem do fantástico som de Kenny Loggins, o rei de fazer músicas para filmes de ação desenfreada. O cover é tão bom/igual que chega ser inacreditável.

Silent Running:

Essa é a cover que eu achei que ficou melhor que a música original, que me perdoe Mike and The Mechanics.

E não deixe de conferir abaixo o show completo que rolou no MAGProm, dentro do MAGFest, além de conferir na íntegra o álbum dos caras no Spotify com qualidade garantida. É possível também, comprar através do site deles, o K7 do álbum (sim, o K7, eu não falei errado), o vinil duplo, além de combos com uma camiseta estampada com a arte da capa do álbum (todas as opções dão direito, também, ao download das músicas).

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The Protomen: "The Cover Up" nos transporta de volta aos anos 70-80
Quantos picolés vale esse álbum:
PRÓS:
  • Excelente instrumentação.
  • Ótimos vocais.
  • Seleção de músicas maravilhosa.
CONTRAS:
  • Nope.
10Nota
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  • Matheus Cardozo

    Tem alguns artistas no spotify que lembram muito anos 70/80 em função do uso de sintetizadores no mesmo estilo que eles usavam. Eu recomendo: Lost Years, Scattle, Miami Nights 1984 e LazerHawk.

    E no mesmo estilo de artistas que se baseriam em sintetizadores, mas com um tom bem mais futurista eu curto: Makeup and Vanity Set, Kavinsky e Perturbator.

    Vale muito a pena ouvir pra quem curte uma música de sintetizador ou curto o estilo música anos 80.