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“Pica”, no Brasil, e acredito que só aqui, é um dos milhares de apelidos carinhosos designados ao órgão sexual masculino, também conhecido como pau, pinto, cacete, rola, jéba, caralho e por aí vai. Falar em “pica” é “normal”, é comum, especialmente se for para assediar a coleguinha, né? “Pega aqui na minha ‘pica'”, disse o machistinha. No colégio, onde situações como essa se proliferam, muito por causa da ingerência de algumas escolas em passar esse tipo de instrução, e também das famílias que vem de um ciclo vicioso, a “pica” é um personagem de um universo de escrotices. E desde que seja usada em “benefício” próprio, não tem mal algum.

Ela, que é tão importante, que é quase a vida de um homem, que precisa ser grande e grossa, pode não ser tão agradável em outras situações, por que ninguém quer ser o “viadinho”, não é? “Ah, mas você tem que ver que no Brasil isso, no Brasil aquilo”, calaboca homofóbico, não fala merda. Se o teu bullying é um problema, você já imaginou o que é sofrido pelos teus colegas homossexuais? Não, não imagina, pensa no teu próprio umbigo. E é bem possível que você mesmo cometa esse bullying, mesmo sabendo quão ruim é ser vítima de algo do tipo. Se importar pra que? Importante é o “pintocentrismo”, e apenas o que existe em volta daquele pedaço de carne.

Mas que “pica” é essa que eu tô falando? 

O braço brasileiro do site de camisetas “TeeNow” publicou mais uma vez a arte de David Kopet, um estadunidense de muito talento que já havia feito uma outra belíssima camiseta com o nome “Mega” estampado nela (e mais algumas que não passaram pelo site nacional); a arte consistia numa fusão entre o icônico “Megaman” e a vibe de “Tron”, fazendo da camiseta um objeto único de desejo dos nerds que conhecem o site (ainda com uma opção que brilha no escuro). Agora foi colocada uma segunda arte, a “Pika”. A camiseta retrata fusão parecida, mas no lugar do “Megaman” nós nos deparamos com ninguém menos que um dos símbolos maiores da “Nintendo”, o “Pikachu”.

Seguindo o padrão artístico, e considerando que nos Estados Unidos “pica” não é algo relacionado ao “cérebro” masculino, David Kopet construiu uma arte tão genial quanto a primeira, mas a “pica”, fora dos assédios, do machismo, do bullying, não funciona por estas plagas, adorar a “pica” numa camiseta é “viadagem”, e homem tem que ser “macho”, e foi então que quatro letras, numa coincidência, viraram motivo de guerra dentro dos comentários do site. Várias foram as “desculpas de colégio”, de criança, e por isso o supracitado.

A desconstrução de babaquices como essa depende de todos nós, desde o “pintocentrismo” exacerbado, passando pelo machismo dos discursos em que a “pica” é “útil”, até a “homofobia” que crucifica a vida alheia. “Eu não sou homofóbico, mas não usaria uma camiseta dessas”, melhor nem comentar isso por aqui, ou “Eu não sou homofóbico, tenho até amigos gays”. Larga mão de pensar pequeno, larga mão de pensar em pau, especialmente se você não gosta de sentar em um. Vá ser um pouco mais feliz, e deixe que as pessoas o sejam.

E mais: a TeeNow perde uma grande oportunidade de ganhar uma estrelinha com boa parte de seu público, incluindo eu, haja vista que poderia ter dado um belo exemplo defendendo tanto a arte de Kopet, quanto os homossexuais que certamente compram camisetas por lá. Quebrar esses preconceitos é sim função de uma empresa que quer ser diferente, que quer ter público de todos os tipos, mas, ao invés disso, eles re-adicionaram a arte “Mega” no pacote, tiraram a arte “Pika” da home do site, e deslocaram ela para uma “index 2” (inflando o coro dos ignorantes). Pelo menos, apoiando o comentário do Chef Marcelo (que consta na primeira imagem de comentários), eles deram um curtir (mas vai saber se vão continuar curtindo depois de ler esse recado).

Ser “viado” não é errado, gostar de “pica” também não, e aconselho tratamento psiquiátrico, como Dr. Dráuzio Varella brilhantemente aconselhou recentemente, aos que importam tanto com a natureza de outrem, e nesse caso, ainda mais grave, se ocupam com o banal significado alternativo de uma palavra. Sua “macheza” é tão frágil assim? Tá com medo de ser ofendido pelos “amiguinhos”? Talvez, nessa mesma consulta psiquiátrica, você descubra um mundo vasto de possibilidades e caminhos, ser homossexual é um deles, e não tem problema nenhum nisso.

Em tempo: perder tempo tentando ofender me chamando de “viado” e “gay” não vai surtir muito efeito, isso pra mim não é xingamento, ser homossexual não é ofensa. Achou que eu exagerei em linkar os assuntos? Exagero é pensar que vivemos no mundo da “Moranguinho” e sair dizendo que “essa coisa do politicamente correto enche o saco”; aham, até você ser a vítima. Sempre coloque-se no lugar da vítima.

Abaixo vocês podem conferir os comentários direcionados a arte, ou parte deles, além disso acrescentei a própria arte, que é fantástica (com o desenho E NOME juntos), e pra colaborar a palavra do já citado doutor:

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