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Star Wars sempre teve personagens negros marcantes, partindo de Lando Calrissian, que tomou de surpresa uma atenção que era direcionada somente aos brancos Luke Skywalker e Han Solo, passando por Mace Windu, com o sempre marcante Samuel L. Jackson, e chegando agora, na terceira trilogia, em John Boyega e seu Finn, um ator que, além de ótimo, é um fã declarado e contagiante da série. Todavia, para “infelicidade” de Boyega, o negro em questão não é coadjuvante, nem coadjuvante do coadjuvante, nem ladrão, nem faxineiro, nem telefonista… Finn será o ator protagonista da série, um Jedi com toda pompa que um Jedi precisa ter.

E mesmo com toda brancura do elenco de Star Wars VII, onde podemos listar: Luke, Han, Leia, Rey, Kylo, Phasma, Poe, Hux, Snoke, etc, e onde você vai encontrar somente mais duas pessoas negras, sendo que uma, a excelente e premiada atriz Lupita Nyong’o, terá interferência de CGI, e a outra, Maisie Richardson-Sellers, será coadjuvante da coadjuvante, as pessoas se viram no direito de criar um boicote, iniciado nos Estados Unidos, como não poderia deixar de ser, mas com respaldo de outros países, através da hashtag:  #BoycottStarWarsVII. E isso não envolve apenas Boyega, mas também o fato da protagonista vivida por Daisy Ridley ter amplo destaque. Entre as bobagens proferidas pelos criadores da hashtag temos coisas como o filme sendo uma promoção do “marxismo cultural” e uma “propaganda anti-branco”. 

Um breve intervalo para rir e o texto continua depois:

Não é apenas a primeira vez em que vejo um negro protagonista na série, mas é a primeira vez que eu vejo um negro protagonista em um blockbuster desse tamanho. Não é apenas a primeira vez que eu vejo uma atriz protagonista na série tendo lugar de destaque no pôster; sem estar alheia a ação na maior parte do tempo; sem ser apenas um fan-service para punheteiros; sem estar em posição passiva dentro dos filmes na maior parte dos quadros projetados; sem ser apenas a mulher que vai parir alguém; é a primeira vez que eu vejo uma mulher protagonista num blockbuster desse tamanho. Não é apenas a primeira vez que eu vejo uma mulher embaixo de uma armadura Stormtrooper, opa, não, é a primeira vez sim, e ela vem cromada que é pra ficar ainda mais foda.

No todo, como listei, a representatividade e o empoderamento são pequenos, mas tão significantes e incomodativos (para os racistas e machistas) que, sabendo disso, vários movimentos ligados a cultura afro já começaram a organizar os seus bondes, sendo que o primeiro surgiu em São Paulo através da militante feminista/negra Andreza Delgado, se estendendo para o Rio de Janeiro e Brasilia (até o momento). E acredito que, juntamente com o bonde negro iniciado por ela, seja importante que toda e qualquer mulher que for fã da série marque presença na data. A comunidade nerd, que há muito tempo deixou de ser oprimida e passou a ser “cool”, precisa descer do seu tão sonhado lugarzinho de opressores, agora atingido, e reconhecer que, assim como eles, ninguém é obrigado a viver oprimido.

Se você é de São Paulo e quer se juntar ao bonde clique AQUI, se você é do Rio de Janeiro e também vai colar clique AQUI, se você é de Brasília e fechou clique AQUI, e se você não é de um lugar e nem outro, crie o evento da sua cidade e mande que a gente lista. Se souberem de grupos feministas que estão se organizando mandem pra cá também. Que a Força esteja com vocês, não importa quem vocês sejam.

A arte é do cartunista Matheus Ribs.

A arte é do cartunista Matheus Ribs.

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