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Então, o que eu vou dizer pra vocês? Savanna Game é divertido e traz um pouco de conteúdo histórico relevante para quem curte a cultura japonesa (pouco mesmo), no mais, é uma confusão tão grande que eu realmente não sei bem se poderia avaliar o todo baseado no primeiro número, haja vista que ele vai do nada a lugar nenhum. Embora seja possível reconhecer em Savanna as mais diversas referências de materiais que aprecio/conheço: Battle Royale, SAO (que também é fraco), Rurouni Kenshin, Attack on Titan, Kamisama no Iutoori, tokusatsus, RPGs, etc., o autor, Ransuke Kuroi, não consegue juntar tudo que quis abordar de forma coesa. Savanna Game é uma bagunça. Salvo as ilustrações de Eri Haruno.

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O conteúdo:

A transição do roteiro de Kuroi é muito fraca, é um mais do mesmo que não convence, pois tudo isso que ele nos apresenta já foi visto antes em algum lugar, seja de forma conjunta ou separada. O cara só colocou um monte de ingredientes numa panela e fez um mexidão. Mas um mexidão sem sal.

O mangá começa pelo início do fim do primeiro ato, e quando começa de fato fica tudo meio perdido. A introdução aos personagens é feita durante a apresentação do jogo, que, diferente de Battle Royale ou sua cópia Jogos Vorazes, não apresenta nenhum resquício de motivo para a necessidade de matança, e talvez, mas só talvez, essa explicação venha depois. Não que eu ache que deva haver uma necessidade clara para o “lulz”, Kamisama no Iutoori, por exemplo, não tem, mas a construção da história deve ter o mínimo de sentido possível, até mesmo no que diz respeito a não ter sentido (compreendeu?). Savanna Game não consegue isso. E tudo é muito corrido, uma correria desorganizada, cada um vai pra um lado e salve-se quem puder.

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Mas se falta uma história bem sedimentada, Kuroi acerta, como Kawahara acertou em Sword Art Online, ao criar um roteiro que prende o leitor, mesmo que seja algo intrigante do tipo “Agora preciso saber que porra vai acontecer”, e isso vende, querendo ou não. Eu compraria o próximo número só pra saber onde essa loucura toda vai parar, quem vai ganhar, se tem um porquê. É mais ou menos o que os autores da série Lost fizeram, saca? Compre! Compre! Compre! E se fruste no final, ou talvez não, vai saber. E é esse “vai saber” que vai te deixar louco.

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Merece comentários também o final do mangá que joga Mafumi, a personagem feminina principal, seminua na penúltima página, a página de agradecimentos pela compra. E eu não sabia se ria ou se chorava. Gente, sério que vocês precisam disso? Punhetismo pra vender conteúdo? Sejamos mais. Não é como se o mangá incentivasse a agência das mulheres em fazerem o que querem com seus corpos, é punheta gratuita mesmo. Depois as minas começam a fugir dos eventos cosplay e vocês não sabem o motivo, eu digo: vocês não têm respeito e não sabem controlar os pintos de vocês. Além disso, é claro que Mafumi teria uma função relegada as mulheres, já que, apesar de ter recebido uma desejada habilidade, ela é basicamente a enfermeira do grupo. E onde se encaixam as enfermeiras no imaginário masculino? Fora isso, ela é rapidamente alocada como “maid”, outra fantasia muito comum, especialmente na cultura japonesa, porque ela “gosta de cozinhar”, além de ser frágil e não ser nem forte nem inteligente como os machos do grupo. ZZZZZzzzZZzzzzZzzzz. Sei lá, sou mais a autonomia de uma Bayonetta da vida, se é pra ver gente sem roupa, ou de uma Mikasa, desculpa aí. Essa coisinha de “sexo frágil”, pra mim, não cola mais, e acho que muito menos pras meninas.

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A publicação:

O material tem bem menos qualidade se compararmos com o restante dos mangás que nos foram encaminhados na última leva, o motivo é o selo Ink Comics, que aparenta ser a casa de apostas da JBC. Não crucifico, é preciso ver a reação do mercado, no entanto acabei achando caro o valor cobrado pelo que é oferecido, especialmente se isso for somado com o fraco roteiro do mangá. Fora isso, ao manuseá-lo notei o descolamento das páginas iniciando, o que é um tanto grave, haja vista que se uma página descola as outras vêm no embalo (já passei por isso e não é legal).

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Mas nem tudo está perdido, a impressão tem alguma qualidade, mesmo no papel disponibilizado, e a capa  e contracapa se unem numa arte colorida igual a da edição japonesa. As capas internas também são coloridas, e bem bonitas, por sinal, bem mais que a capa, até.

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Considerações finais:

Savanna Game talvez seja um bom mangá pra quem está querendo começar a entrar nesse mundo, já que são apenas 6 volumes de uma história divertida e não tão complexa, mas é preciso ter carinho com as ressalvas que fiz nessa review, correndo atrás de valorizar, posteriormente, mangás que vão de encontro com elas, como vários outros que já passaram por aqui. Todavia, Savanna é, definitivamente, uma história que prende, querendo ou não.

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Savanna Game: mais um mangá sobre distopia
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O conteúdo:5.9
A publicação:6.2
PRÓS:
  • Capas internas coloridas;
  • Roteiro intrigante;
  • Ilustrações de Haruno.
CONTRAS:
  • Roteiro desorganizado;
  • Punhetismo gratuito;
  • Qualidade do material/preço.
6.1Nota
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