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Pouco se sabia, antes da noite/madrugada de sábado, sobre quem era Holly Holm, e no decorrer do evento, entre cards preliminares e principais, fomos apresentados a ela diversas vezes, ficando cientes de que aquela mulher não era qualquer uma, de que não era uma propaganda, e que se havia recebido uma chance era por um motivo bem óbvio: ela poderia acabar com o reinado intocável de Ronda Rousey, e o show, que precisa continuar, pedia por isso.

Até o momento em que a vida esportiva de Holm foi explicitada na tela, eu não tinha dúvidas de que a única pessoa capaz de derrotar a estrela do UFC seria a brasileira que está uma categoria acima, Cris Cyborg. Cyborg inúmeras vezes disse que aposentaria Ronda e que sabia exatamente o que fazer para acabar com ela: lutar de pé. Tanto em Cyborg, quanto em Holm, temos exemplos claros de boas strikers, e não que Rousey não o seja, mas o forte dela é o chão, e a temida finalização por arm lock. Já como striker, ela é dotada da explosão de Tyson tinha, que muitas vezes, como um caminhão desgovernado, acabava com o adversário em 30 segundos. Se o adversário caísse no chão, pior ainda. Nunca deixe Rousey tocar o seu braço, esse é o recado mais comum.

Holm não só deixou a campeã tocar o braço dela (mais de uma vez), como, numa das oportunidades, ao levantar de uma queda aplicada por Rousey, tirou seu braço da tentativa desesperada de finalização da menina sacudindo-o, como quem queria livrar-se de um carrapato ou uma pulga que a estivesse incomodando. Holm deu show, usou tudo que sabe de boxe, e ela sabe muito. A lutadora tem 16 defesas de título em 3 categorias diferentes, é considerada uma das melhores lutadoras de boxe de todos os tempos, sendo que em 2013 entrou pro hall da fama de um dos esportes mais antigos praticados no mundo.

Claro que não conhecíamos Holm, pois há muito o boxe deixou de ser praticado em qualquer esquina, deixou de ser popular, deixou de habitar a TV aberta, e passou a ser consumido por senhores bonachões dentro de cassinos, com apostas cada vez mais surreais e pagamentos por luta mais surreais ainda. Em maio desse ano, por exemplo, na suposta “luta do século”, entre Mayweather e Pacquiao, o somatório do pagamento efetuado aos dois lutadores beirava 1 bilhão de reais (isso mesmo). É logico que não conhecíamos Holm.

Mas Holm conhecia o boxe que eu vi acontecer na TV na década de 90. Dotada de uma velocidade invejável, com uma esquiva que a fazia basicamente inatingível, Holm me lembrou das noites de sábado que atravessei esperando por aqueles 30 segundos de alegria e show que Tyson proporcionava. Ele era intocável, assim como Holm foi no sábado. Mas ela não poderia cair no jogo de Tyson que do outro lado Rousey sempre fez: querer ser um caminhão desgovernado não era uma opção, outras tentaram e amargaram a derrota, algumas mais de uma vez, e é aí que entra Ali. Holm dançou como o lendário lutador, basta observar suas pernas, ela cansou Rousey a ponto de vermos uma ofegante e desesperada lutadora, tentando buscar de alguma forma o clinch, o braço, o chão, girando e girando sem conseguir ser efetiva, correndo atrás de Holm num pique pega que tinha como objetivo cansá-la, e cansou.

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A desafiante não desferiu quase nenhum chute contundente até o final do primeiro assalto, muito embora os chutes baixos nas coxas de Rousey tenham facilitado cenas como a de cima, onde a lutadora, já vertendo sangue pelo nariz e pela boca, claramente guerreava com seu corpo para manter-se de pé. O somatório de técnicas de Holm, também invicta no MMA, bateram de frente com aquilo que todos diziam poder derrotar Rousey, e todos estavam certos. Todavia, de forma nenhuma, isso tira o brilho e absurdo talento dela em derrubar uma unanimidade no mundo da luta, aquela que, pra mim e pra muitos, é uma das melhores esportistas de todos os tempos (contando mulheres e homens). E talvez, mas só talvez, Rousey também tenha caído pela boca e soberba, erro que ela não havia cometido antes, mas sim suas adversárias. Falou mais do que deveria, se irritou mais do que deveria, faltou humildade, não tocou luvas, faltou o respeito que ela sempre quis ter de suas adversárias. Vai ter revanche o quanto antes, como já foi dito pelo presidente do UFC, Dana White, e é bom que Rousey, além de ser um pouco mais humilde, assista muitas lutas de Ali, Tyson e, especialmente, da lenda Holly Holm.

Ronda Rousey vs Holly Holm - Full Fight HD!The most sensational upset in UFC history!<UndisputedSarcasm> Posted by PG Kills WWE on Domingo, 15 de novembro de 2015

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