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Construção dos personagens:

É impressionante como em poucos minutos de filme Rogue One consegue de forma consistente chamar a atenção daquelas e daqueles que assistem ao filme para os personagens que são, aos poucos, e detalhadamente, construídos em nossa frente. Eles não vão sendo apresentados, mas sim introduzidos cuidadosamente na história de acordo com a evolução dela.

Os cortes de cena e transições entre planetas são essenciais para que possamos entender a aparição de cada uma das pontas que no meio se unem para correr atrás do plano de construção da famosa Estrela da Morte. O filme que saiu diretamente do letreiro do Episódio IV trás personagens tão consistentes e detalhados que poderíamos, facilmente, ter um spin-off pra cada um dos personagens do filme, pois eles são tão interessantes que despertam curiosidade do espectador e da espectadora de querer saber mais acerca de sua história.

Destaque para os inseparáveis Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Wen Jiang), que por mim ganhariam um filme solo fácil. E já tem site (Esquire, cof cof) caçando pelo em ovo sobre uma luta do monge cego com Troopers: “Como é que um cara derruba Stormtroopers usando um bastão?”, mano, presta atenção no filme, ou vê mais de uma vez porque tá explicadinho, e, porra, é o Donnie Yen, o cara só sabe as seguintes lutas: tai chi chuan, boxe, kickboxing, jeet kune do, hapkido, taekwondo, karate, muay thai, wrestling, jiu-jitsu brasileiro, judô, wing chun e wushu, além de praticar parkour ¯\_(ツ)_/¯; destaque também para o antipático e engraçado robô K-2SO dublado por Alan Tudyk; e, claro, para Felicity Jones vivendo a protagonista Jyn Erso, mais uma atriz impecável como personagem principal de um Star Wars.

Efeitos especiais:

Eu não posso falar muito aqui, pois minha proposta nesse post é uma abordagem sem spoilers, mas se preparem para ver algo embasbacante, de despencar o queixo. Se possível assistam em 3D, ou em xD, melhor ainda em IMAX, enfim: aproveitem o que de melhor vocês tiverem na cidade de vocês. Todavia o que há de maior no filme não diz respeito a tecnologia de filmagem, ou aos usuais efeitos da saga: Rogue One é um marco na história dos efeitos especiais para o cinema como um todo e vocês saberão o porquê quando assistirem. Existe tecnologia de efeitos especiais antes e depois de Rogue One e isso é um fato (sério).

Apesar do desbunde dos efeitos (porque caiu meu cu), Gareth Edwards em nenhum instante abandonou os efeitos práticos que fizeram com que Rogue One ficasse muitíssimo próximo da trilogia original mesmo estando anos luz a frente tecnologicamente falando. Em diversos momentos podemos ver explosões, edificações, cenários, naves e criaturas criadas inteiramente sem necessidade de computadores e chroma key, algo que J. J. Abrams também entendeu como essencial para Star Wars VII.

Nostalgia:

A carga de nostalgia contida em Rogue One é tão alta quanto a existente em Star Wars VII; mesmo não tendo personagens centrais da saga original como o filme do ano passado, mesmo sem uma quantidade infindável de sabres de luz, o spin-off transborda tudo aquilo que o fã esperava ver no cinema: esquadrões Rogue de X-Wings; Walker AT-ACT (versão maior do AT-AT, sim, isso mesmo); AT-ST; aparece um wookie no meio do bolo; tem surpresas que não vou falar quais porque aí já spoileia a porra toda; tem destruição; tem guerra; tem política; tem estratégia de guerra; tem muita ação; tem drama; tem choro; tem aquelas cenas loucas de perseguição aérea; têm cenas engraçadas; têm cenas pra quem tem medo de altura; tem muita ação MESMO; tem planeta destruído (lógico); tem a Estrela da Morte; tem o Darth Vader dublado pelo James Earl Jones!

Fica gel aí, irmão!

Nota de rodapé: e eu já aproveitaria o ensejo para enfiar uma sacola de dinheiro na conta do Nolan (sim, desse cara em específico), e o chamaria pra fazer uma trilogia de filmes sobre a história obscura de Vader enquanto o dublador da voz marcante ainda vive (pois ele já tá velhinho).

Para fechar, Kathleen Kennedy:

Fala-se muito em Disney, que a empresa, agora dona da Lucasfilm, deu um jeito naquilo que seu criador vinha estragando, mas a verdade é que nós acabamos esquecendo que o braço de ferro de toda essa brincadeira, quem manda e organiza tudo na Lucasfilm, é Kennedy. E quando falamos de Star Wars, nas mulheres que remetem à franquia, dificilmente o nome dela surgirá numa roda de conversa lembrado ao lado de: Carrie Fisher, Natalie Portman e mais recentemente Gwendoline Christie, Lupita Nyong’oDaisy Ridley e Felicity Jones.

Ela que sempre esteve ao lado de George Lucas em diversos projetos, que esteve ao lado de Steven Spielberg em filmes como: A Lista de Schindler, ET, Cavalo de Guerra, Gremlins, Império do Sol, Indiana Jones, De Volta Para o Futuro, Hook: A Volta do Capitão Gancho, Jurassic Park, A.I.: Inteligência Artificial, As Aventuras de Tintim e Lincoln, para citar uns poucos filmes que vocês devem conhecer.

Kennedy, a quem sempre damos tão pouca atenção, é também uma das fundadoras da Amblin Entertainment (a fábrica de sonhos que é sempre ligada a Spielberg, mas que também conta com Frank Marshall numa das cadeiras), e é a gestora do Universo Star Wars desde que a Disney comprou o negócio. Sem ela nenhum dos muitos filmes que tanto curtimos existiria, sem ela Star Wars teria morrido naquela trilogia safada que George Lucas ousou fazer e lançar (sim, safada).

Ela já foi nomeada para oito Oscars de melhor filme junto com seus perseguidos amigos Spielberg e Marshall; a Academia não curte muito dar Oscar pros caras, ou talvez seja o fato de o nome dela estar envolvido, não? Spielberg já ganhou os seus quando ela não estava junto, Marshall nunca ganhou porque nunca fez filmes sem ela estar envolvida, e isso é algo para se pensar. Talvez, mas só talvez, a tal de Academia seja machista e não curta mulheres em posição de comando, ganhando salários equivalentes, daquele tipo que param séries porque seus co-protagonistas estão há anos recebendo mais (né?).

Isso que estamos vivendo hoje no cinema acontece graças a ela, queira você ou não, uma mulher que há décadas nos proporciona produtos cinematográficos da melhor qualidade, que tem uma carreira impecável e que vive na sombra de seus sócios homens, e que hoje amplia a diversidade, empoderamento e protagonismo nas telas como ninguém.

Kathleen Kennedy é uma das pessoas mais fortes e competentes da história da chamada sétima arte, no entanto é menos lembrada que o cara que cometeu atos de pedofilia com as duas filhas adotivas e casou com uma delas e que você acha GENIAL; ou que o cara que filmou um estupro, ou que o cara que estuprou a menina nessa filmagem; ou que o outro diretor pedófilo; ou aquele outro diretor que também é pedófilo; ou aqueles três lá que só contratam brancos pros seus filmes…

Portanto, quis encerrar esse post com ela que já nos deslumbrou com Star Wars VII e Rogue One em dois anos seguidos!

Você é foda, mulher!

 

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Rogue One: personagens cativantes, efeitos deslumbrantes, nostalgia e Kathleen Kennedy
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