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Tô há um tempo com a Rinoceronte Negro atormentando minha cabeça. Pelo simples motivo de que eu precisava escrever algo sobre o som desses rapazes que me foi apedrejado no inbox do nosso Facebook (sim, foi uma pedrada). Já ouvi mil vezes, já decidi qual era minha música favorita no EP, e depois mudei, e mudei de novo, e mudei mais uma vez…

Eu tenho por mim, desde que me entendo como pessoa viciada em música (e isso faz muito tempo), que um álbum, seja qual for sua extensão, quantas faixas tiver, independente de gênero musical, deve contar uma história. Muitas vezes essa história é contada de forma que as músicas parecem se unir harmonicamente, se transformando em uma bolha musical singular.

É preciso saber como posicionar as faixas no álbum, é preciso saber construir faixas que se complementem, é preciso, muitas vezes, deixar faixas para trás durante esse processo, colocando elas em outro trabalho ou nem terminando. As faixas precisam se abraçar. Essa tarefa de construir uma saga através da música, de promover esse abraço, não é fácil. Há duas opções: ter seu trabalho louvado ou execrado pela critica, e muitas vezes por causa de uma música no meio de tantas outras o álbum pode ficar batido, chato, cansativo, preguiçoso…

Muitas foram as vezes que trombei com álbuns onde estava tudo lindo, tudo maravilhoso e de repente veio aquela música que cagou tudo. Sabe aquela, a desnecessária. Pois é. Aquela que você vai no Spotify e tira da playlist. Essa mesma. Poderia ser a entonação vocal da tal música, a instrumentação, a letra, a posição dela no álbum, qualquer porra que fizesse com que ela fosse uma intrusa. A partir daí o álbum estava morto pra mim, por mais que eu gostasse há muito tempo dos/das artistas, e só era ressuscitado muito tempo depois (não depois do terceiro dia) e sempre pulando a tal música.

Então, esse não é o caso de Rinoceronte Negro. Nem de longe, na verdade. Me apaixonei de pronto pelo vocal, pelo baixo, pela guitarra, pela bateria, pelo teclado, pelo trompete, pelo trombone, por tudo. Todavia, especialmente, me apaixonei pela produção do trabalho autoral desses caras. As músicas, definitivamente, se abraçam. É gostoso de ouvir do início ao fim e, ao tomar o soco de Precipito, ficar se questionando: “Por que acabou?” E colocar tudo pra tocar de novo, sem pular nenhuma faixa. Esse é, portanto, um álbum perfeito para você que é como eu: o louco dos álbuns. Alguém que acha heresia pular uma música se ela não chegar ao fim. Alguém que ouve álbuns na ordem que foram feitos pra serem ouvidos.

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Rinoceronte Negro é mais uma dessas bandas brasileiras que estão aí pra provar que a nossa música não está morta (como muitos dizem), nunca esteve, e tem tanta qualidade quanto já teve antes. A gente só não tem, na maioria dos casos, acesso a trabalhos como o deles (porque a indústria musical, como tantas outras, é e sempre foi criminosa, especialmente com os pequenos). Ou, noutras vezes, temos preguiça de procurar e ficamos apenas prostrados reclamando viralatamente da nossa qualidade em comparação com outros países que usualmente nos colonizam (não só musicalmente).

Eu espero que vocês gostem da dica, espero que vocês curtam a página da banda e sigam a carreira deles. Se ouvirem deixem uma nota no sistema de avaliação logo abaixo.

Contatos: YouTube, Facebook, Spotify e e-mail.

EP homônimo completo:

Componentes:

Victor Leonardo – voz e baixo;
Benan Borba – guitarra, violão e backing vocal;
Lucas Romero – teclas, trompete e piano vertical;
Ytor Flematti – bateria.

Produção:

Lucas Romero no homestudio Eras.

Participações:

Marcelo Carvalho – percussões;
Gabriel Guimarães – trombone.

Ao vivo:

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