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Vou retomar um post que fiz a um certo tempo no meu Facebook e acredito que posso completá-lo agora que tenho um pouco mais de lucidez no assunto.

Na fila do caixa, enquanto a pessoa na minha frente contava mais moedas que o Mario conseguiria colecionar em toda sua carreira de encanador, eu me distraí com as clássicas revistas estrategicamente posicionadas na altura dos olhos. Enquanto olhava as mais relevantes notícias sobre o mundo, cultura e saúde, uma coisa me chamou a atenção. Dessas revistas, quatro delas eram voltadas para o público feminino, da adolescente até a mulher que “cuida da casa” (termo utilizado pela própria revista). Dessas quatro revistas, três usavam a frase “reconheça os seus defeitos” e a quarta ensinava como superar um término e se tornar uma pessoa melhor (quem mandou não reconhecer os seus defeitos antes). Enquanto isso as revistas voltadas para o público masculino falavam sobre sucesso, conquista e lazer.

Agora alguém me explica o motivo do público feminino ter tantos defeitos e precisar ser lembrado de reconhecê-los tantas vezes enquanto o masculino só precisa de entretenimento e reconhecimento?

Essa opressão velada de gêneros é a que, muitas vezes, acaba criando e perpetuando aqueles estereótipos de macho alfa e mulher de respeito. Mulheres não podem ter voz ativa, pensar em conquista e, ai dela, se não quiser engravidar e ser mãe. Os homens têm que ser agressivos, imponentes, fortes e não podem cuidar muito da saúde (se cuidar demais vira viado, e viado é uma ofensa mortal).

A mulher tem o direito de não querer cuidar da aparência, de ser imponente, de usar roupas curtas quando está quente e de “pegar” quem ela quiser sem ser julgada de fácil, ou a clássica, não ser uma mulher de respeito. A mulher não depende de uma figura masculina para abrir um pote de maionese. A mulher pode se cuidar e se encher de maquiagem e silicone e isso não faz dela menos mulher. A mulher tem a capacidade de não querer ser mãe, e estar feliz com isso.

O homem pode cuidar do corpo, cuidar da aparência e se preocupar com o que come. O homem pode ter amigas e não querer “pegar” e levar elas para a cama. O homem não é um pênis rijo, nem tem obrigação de ter uma carreira de sucesso. O homem pode cuidar do lar, cuidar dos filhos, cuidar da família. O homem pode amar outro homem e não ser homossexual, ele também pode amar outro homem e ser, nada disso torna ele inferior. O homem pode sentir, pode expressar e pode, SIM, se sentir fraco.

A mulher não “dá” e o homem não “come”, duas pessoas fazem sexo, juntas e ao mesmo tempo. Ninguém tem a obrigação de dominar ou ser dominado. Ninguém é melhor ou pior por fazer sexo mais vezes.

O homem e a mulher podem se sentir atraídos pelo mesmo sexo e não serem “mulherzinhas” ou “machorras”. Eles podem se sentir atraídos pelos dois sexos e isso não torna eles indecisos. Nenhum deles é mais ou menos por causa disso.

Isso tudo foi mais um desabafo pessoal do que realmente um estudo ou algum tipo de análise profunda da sociedade. Mas eu ando cansado de presenciar diariamente tanto preconceito e julgamentos pejorativos e não saber o que fazer.

Sou um homem, heterossexual, caucasiano de classe média. Eu praticamente não sofro preconceito e, mesmo assim, tudo isso me tira o sono. Isso mostra o quão errado nossa sociedade está. O que mais me irrita é que eu mesmo me pego, às vezes, perpetuando esses valores que abomino. Eles fazem tão parte do nosso cotidiano que a gente nem nota mais: Fresco, viado, filho da puta, mal comida, bitchy.

E ainda tem gente achando que feminismo é bobagem…

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