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Faz algum tempo que eu louvo o fato de o cinema ter saído daquela caixinha chamada Hollywood, e que isso tenha feito até essa caixinha acordar, mesmo que pouco, para uma maior qualidade demandada pelo seu público. E quando digo qualidade eu não me refiro a baboseiras como a proferida pelo suprassumo do cinema boring contemporâneo, Iñarritu, quando disse que filmes de herói são um “genocídio cultural”, pois quem é ele para decidir o que é cultura e o que não é?

O cinema é composto de muitas características, e outros mercados que não o estadunidense têm conseguido atingi-las com certa facilidade, diria maestria, mas, especialmente, pouco dinheiro. Enquanto países como o Japão conseguem produzir uma trilogia blockbuster fantástica inteira, como Samurai X, com menos de 70 milhões de dólares, os Estados Unidos e Reino Unido se desdobram para manter seus filmes de longo alcance dentro dos 200-250 milhões. E parece surreal, mas as produções desses “sub” cenários tem tanta qualidade quanto, ou até mais. O que impede a expansão? O que impede que vejamos esses filmes? Preconceito, mercado, preconceito, nós, preconceito…

Nós, aqui no Brasil, temos um dos mais latentes complexos de vira-latas do mundo, eu diria, e sabemos bem como ignorar até mesmo o nosso cenário, e eu me incluo. Exemplo recente é O Menino e o Mundo, que só apareceu de verdade  na grande mídia quando foi parar APENAS no Oscar. E você já assistiu nosso excelente blockbuster 2Coelhos? Não? Sim, nós temos um blockbuster de qualidade, e ele está na Netflix! Tudo isso pra dizer que os maiores mercados do mundo têm muito o que aprender com os menores, e eles já têm aprendido há tempos, quem acompanha sabe. Coreia do Sul, Japão, China, Argentina, Chile, Uruguai, Canadá, Alemanha, Tailândia, Índia, Irã, e mesmo o Brasil (apesar de um grande problema chamado Globo), se despontam com muita qualidade, especialmente nos gêneros mais carregados para o lado do drama e que geralmente vem acompanhados de um trabalho artístico e filosófico mais aprofundado. Você ouviu falar muito de A Bruxa, mas se ligou nesse filme alemão que está nos cinemas, em circuito restrito, chamado Boa noite, Mamãe? É apavorante, e só chegou aqui porque concorreu a um monte de premiações, vencendo, inclusive, o Fantaspoa de 2015.

E aí entra a importância dos serviços de streaming e da própria pirataria como ferramenta de fazer política, já que a expansão da informação é essencial para que todos e todas, especialmente se essa informação agrega cultura, protagonismo, empoderamento, e favorece o mercado daquele local aumentando demandas de diversos setores como, por exemplo, a do turismo. De que me adianta assistir a cinematografia do terrorismo identificado pelos Estados Unidos em Homeland e não absorver o que dizem do lado de lá da história? Você sabia que Homeland é adaptada de uma série que é propaganda israelense anti-Palestina?  Tanto os serviços de streaming, quanto a pirataria, têm feito chegar até nós uma quantidade muito maior de informação do que o cinema ou a TV já pensaram em um dia nos passar através de conteúdo produzido, seja ficcional ou não.

“Mas Paulo, a pirataria não vai gerar lucro pra produção”, ora, vejam só, se eu gostar darei um jeito de comprar nem que eu tenha que esperar aquele DVD depenado da Americanas chegar na prateleira como única opção de compra, e sem a pirataria eu nem saberia da existência desse e de outros filmes pra ir fazer escavações e encontrá-los por aí. Se Rendel, baseado num quadrinho finlandês de 17 anos atrás, virá para os cinemas brasileiros? É claro que não. Nem Samurai X com toda sua popularidade veio, nem Dragon Ball e seus longas tem vindo decentemente, e se eu não acho streaming, ou não tenho um cartão internacional pra comprar o filme em VOD, eu baixo. Baixo, também, porque é em parte uma visão de superioridade, colonialista, de alguns mercados a não aparição de seus produtos por aqui, mesmo no YouTube temos o sensacional “Esse vídeo não está disponível em seu país”. Pirateamos porque precisamos, já que desde que tive acesso a serviços como o Spotify, e sou privilegiado por ter, sei disso, essa pirataria diminuiu muito, já que o serviço me permite acessar todo conteúdo que eu não teria condição de comprar através dos meios físicos na quantidade que consumo (dentro desse setor). E isso vale pra tudo.

HUEBR é nois mesmo! E se não for assim não muda, se não meter o pé na porta, exigir qualidade, respeito e preço equivalente, vamos depender sempre daquela meia dúzia de veículos de informação que ainda acham que mandam no mundo porque, bom, porque nós ainda deixamos que isso ocorra. É comodo, conveniente e mantém privilégios. A Internet ainda nos fornece possibilidade quase que 100% livre de acesso a conteúdo, é ferramenta de subversão, de fazer política, e podemos usá-la, basta querer. Espertos, também, aqueles que, com sabedoria, a utilizam comercialmente e monetizam seus produtos ao mesmo tempo que atendem as expectativas dos clientes. O mundo está mudando, e quem não acompanha toma os mais diversos prejuízos.

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