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Sim, sente que, mais uma vez, lá vem textão. Infelizmente, não há como ser diferente, pois falar sobre transexualidade em um país tão intolerante como o Brasil é ter sempre repetir discursos e reforçar argumentos. As vezes, penso se não seria melhor desenhar ao invés de falar ou escrever… Mas, ok, vamos lá.

Uma amiga, a Mariana Rost, me chamou a atenção para a publicação de um relatório anual de um dos maiores sítios de pornografia do mundo, o PornHub. Neste relatório, que pode ser lido, em Inglês, aqui (https://www.pornhub.com/insights/2017-year-in-review), há alguns dados interessantes…

Ao todo, o sítio recebeu 28,5 bilhões de acessos em 2017 com uma média diária de 81 milhões de visitas. O Brasil figura em 10° lugar dentre os países visitantes, sendo o líder da América Latina, superando México (que fica logo atrás) e Argentina. Aliás, são os únicos três países da América Latina que aparecem no Top 20.

Sobre o Brasil em especial é pertinente destacar alguns dados. O relatório mostra que as mulheres brasileiras estão em segundo lugar, em proporção aos homens, entre as que mais acessam o sítio com 35%. A liderança é ocupada pelas Filipinas, onde as mulheres são responsáveis por 36% dos acessos.

Também é interessante destacar que a idade média dos brasileiros que acessam o sítio é de 34 anos, sendo mais alta apenas que a dos indianos com 30, entre o Top 10. O maior percentual dentre os brasileiros está justamente na faixa dos 25 a 34 anos com 34%; 30% estão entre os 18 e os 24 anos; 16% entre os 35 e os 44; 10% entre os 45 e os 54; e outros 10% a partir dos 55 anos.

No que concerne ao Top 5 de Pornstars, o Brasil segue o exemplo da Itália, que fica logo à nossa frente no ranking de acessos. Aqui, como lá, a liderança está com um homem! Hm… Mas se na Itália é o lendário Rocco Siffredi, quem poderia ser por aqui? Dou uma bengala para quem acertar…

Já sabem?

Pois então… a liderança aqui é do Kid Bengala.

(Desculpem, não resisti à brincadeira)

Mas voltando ao tema principal desta página… Houve ainda um aumento de 84% de acessos à categoria “Transgender” se comparado ao resto do mundo, tendo sido o suficiente para seu 4º lugar no Top 5 brasileiro de categorias…

E aqui, cabe salientar que, assim como aumentou exponencialmente o consumo de pornografia trans por parte dos brasileiros no PornHub, também houve um incremento no número de assassinatos de pessoas trans e travestis por aqui em 2017. No ano passado, de acordo com o monitoramento da Rede Trans Brasil, foram assassinados 183 trans e travestis contra 144 em 2016.

É por isto, é precisamente por isto, que este texto exigiu ser escrito. Infelizmente, é necessário lembrar o quanto temos de hipocrisia nisto. Porque, ao mesmo tempo em que o brasileiro consome pornografia com pessoas trans, não tem a decência de assumir que sente interesse em se relacionar sexualmente conosco. E pior: muitas vezes, movido pelo ódio, acabam assassinando pessoas trans com os mais diversos requintes de crueldade.

E, não, não estou me referindo apenas à questão sexual. Ocorre que, muitas vezes, ao se depararem conosco, e sermos expostas aos olhos destes elementos, geramos um sentimento de grande insegurança interna, pois ao despertarmos seu interesse, para ele, estamos colocando em xeque a sua suposta masculinidade. Escrevo “suposta masculinidade”, pois trata-se de uma demonstração de quanto esta masculinidade é frágil nestes homens.

Um exemplo disto é que, quando ficam conosco, geralmente, não possuem coragem, nem são capazes de nos assumirem para familiares, amigos e colegas de trabalho. Muito pelo contrário: diversas personalidades já vieram a público negar envolvimento com pessoas trans.

Portanto, sem dúvidas, há muito o quê se trabalhar para que o Brasil evolua no que concerne à tolerância e ao respeito das pessoas trans.

Mas assim como John Lennon eu sou uma sonhadora.

Assim, sigamos na luta!

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