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Sou palmeirense, e se você já leu minha “bio” aqui no site sabe disso. Pois bem, hoje meu time completa 100 anos de história, uma história marcada por muitas glórias, tantas que é considerado o “Campeão do Século”, do século passado, no caso, haja vista que nesse século estamos distantes das glórias que antes eram mato. O Palmeiras é um reflexo, em um dos melhores espelhos, do que é o futebol brasileiro.

Não vou me atentar muito ao passado, pois definitivamente não sou o “torcedor historiador”, conheço pouco das acadêmias do passado, embora saiba um pouco de muito que aconteceu por lá, quais são alguns dos nossos ídolos, enfim, o básico para ser um bom palmeirense. Já me considerei um fanático, hoje sou apenas um apaixonado pelo time que já vi encantar o mundo, e as semelhanças com a seleção, que representa o que é o futebol brasileiro, já começam por aqui.

As décadas de ouro do futebol brasileiro:

O passado de glórias das primeiras “acadêmias”, como são denominados os times brilhantes do Palmeiras, se funde com o passado de glórias do Brasil no futebol. O nosso ídolo maior, Ademir da Guia, é considerado por muitos, muitos mesmo, um jogador melhor e mais completo que Pelé, e é bom que eu não me estenda muito falando de Pelé, já que eu considero ele um Robinho dos tempos em que zagueiro não fazia falta. Ele era um firuleiro que fazia gols como consequência de um futebol mais “light”. Já Ademir tinha classe, tinha passe, tinha visão de jogo, Ademir era inteligente, era o coração do time.

E por falar em seleção, o Palmeiras foi a seleção brasileira na primeira partida canarinha do Mineirão, segunda partida do estádio depois de sua inauguração. A partida aconteceu no dia 7 de setembro de 1965 e contou com todo o time verde e branco, inclusa comissão técnica e reservas; a seleção alviverde venceu o Uruguai por 3 a 0, e foi um dos poucos times que vestiram a camisa da seleção por completo (além de ser o primeiro). O time era indiscutivelmente, alternando com o Santos desse mesmo Pelé, o melhor do país.

A Segunda Guerra e a origem italiana:

O Palmeiras guarda em sua história, também, um pouco da história mundial, já que em decorrência da 2ª Guerra Mundial, em 1942, teve que mudar seu nome de Palestra Itália para Sociedade Esportiva Palmeiras. A mudança se deve ao fato de a Itália ter feito parte dos grupo de Países do “Eixo” e o Brasil fazer parte dos grupo de países “Aliados”, e como o time, bem como seu nome, tem origem italiana, a mudança foi necessária e política, evitando perseguições e até mesmo o fim do que hoje é um dos maiores times do país. Faz parte dessa mudança, também, a retirada da terceira cor do uniforme, o vermelho, que voltou a ser empregado recentemente em homenagem a colônia italiana/Itália, às origens do clube.

O final da década de ouro:

Depois de um período brilhante, coincidindo com a aposentadoria de Ademir da Guia (após 901 jogos, 153 gols e dezenas de títulos), o Palmeiras passou por seu mais longo período sem títulos (1976-1993), esse período bate de frente com o longo jejum da seleção brasileira sem ganhar copas, que depois de 70 só ganhou uma nova copa em 1994. E foi em 1994 que eu comecei a torcer pelo Palmeiras.

A era Parmalat:

Na década de 90, após o já mencionado jejum de títulos, o Palmeiras fechou uma parceria sem precedentes no futebol brasileiro, um método de gestão mais profissional/empresarial em parceria com a multinacional Parmalat, antes de todo escândalo que envolveu a empresa no início dos anos 2000. O Palmeiras era, de novo, o time a ser batido, e junto com poucos times como Grêmio, São Paulo e Vasco, dominava os campeonatos do país. As rivalidades eram impressionantes, mas nenhum time tinha jogadores tão capazes quanto qualquer um dos Palmeiras de 90. Aqueles times poderiam, mais uma vez, ter sido levados como seleção para disputa de uma Copa, ou amistoso, ou torneio, e muitos de seus jogadores foram convocados.

Em 1993, com atletas como César Sampaio, Edílson, Edmundo, Evair, Mazinho, Roberto Carlos e Zinho, escalados por Vanderlei Luxemburgo, o Palmeiras conquistou o Campeonato Paulista, goleando o rival Corinthians por 4 a 0 na final, o torneio Rio-São Paulo e o Campeonato Brasileiro. E em 1994, com Rivaldo no grupamento, o time conquistou novamente o Paulistão e também o campeonato brasileiro (e foi quando eu descobri o Palmeiras).

Já em 1997, Luiz Felipe Scolari assume o time, comprado de um ferrenho rival da época (Grêmio), e leva o time a mais títulos importantes e inéditos: Copa do Brasil e Mercosul, em 1998, e a Libertadores de 1999, que, junto com a Copa Rio de 1951, é o título mais relevante do clube. Além disso o time conquistou, em 1997, a Taça Maria Quitéria e o Troféu Naranja . O time contava com mais uma escalação excelente, além de ter o retorno de César Sampaio, Evair e Zinho, o time tinha: Velloso, Marcos, Arce, Alex, Paulo Nunes, Euller, Júnior, Oséas e Cléber.  Em 2000, ainda sob o comando de parte da comissão de Scolari, no caso Murtosa, o time foi campeão da Copa dos Campeões.

De 2000 pra frente:

A fusão Palmeiras/seleção/futebol brasileiro se torna ainda mais clara. Depois de dominar o período de 90 com times estrelados, pós 2001, o time é rebaixado em 2002 para a segunda divisão do campeonato brasileiro, ano da última copa vencida pelo Brasil (que contava com boa parte do elenco palmeirense vindo da década anterior, como: Marcos, Rivaldo, Roberto Carlos, Roque Junior, Luizão, Edílson e Cafú). Tanto Palmeiras, quanto seleção, oscilam drasticamente de lá até aqui, com títulos relevantes, mas nem tanto, especialmente o Palmeiras que ganhou apenas um Paulistão em 2008 e uma Copa do Brasil em 2012, quando também foi rebaixado. E em 2014 todos sabemos o que aconteceu com a seleção.

O Brasil, juntamente com o Palmeiras e outros times, viveu uma fase em que a safra de jogadores era fantástica, coisa que ocorreu também nas décadas de ouro, mas nunca houve investimento adequado em categorias de base, e embora crescente, esse investimento continua falho. O Brasil, e suas empresas que já não são mais times, só pensa em vender jogadores, e naquela década ainda se via aos montes as tais peneiras, hoje só se vê falar em olheiro, empresário e era isso. Os garotos são pinçados quase ao acaso, e são vendidos, despreparados, por milhões.

E agora quase todos os times, e o país, entraram na era das arenas, e, infelizmente, alguns times, como o Palmeiras, veem elas como a solução de todos os problemas, especialmente os financeiros. As arenas, excludentes, são o contrário do futebol que um dia habitou esse país. As arenas elitizam um esporte que, aqui, sempre foi propriedade do “povão”. As arenas, rentáveis, são tristes e inadequadas para o nosso país. Mas, forçadamente, vão virando nossa realidade. Agora pensamos em quantos shows nossos times vão agendar no estádio, talvez imaginando aquele jogador X que poderá ser comprado, mas o mais importante, a “torcida que canta e vibra”, o torcedor da geral, o tio do radinho, os pais que desceram da favela com os filhos de Havaianas, esses não serão mais relevantes. Nem entrarão no estádio que terá ingressos a preço de ouro (alguns já tem).

A ingerência do Palmeiras é a ingerência do futebol brasileiro, que capenga, que não tem calendário, que depende dos horários da novela, que vive de esmola, que tem salários inflados além de suas capacidades, que é alimento de um povo pobre que agora nem poderá acessar seus estádios e, cada vez mais, vê seus times favoritos sendo transportados para uma TV paga que ele não tem acesso, times que cultivam jogadores e vendem antes de passar eles pelo profissional. Ídolos inexistem. O futebol brasileiro atual e o Palmeiras atual, são sem graça, não tem brio, não tem “alma” de campeão, e vamos esperar que nesse novo século, com esse novo estádio, com o início de novas políticas e mudança de mentalidade, o Palmeiras possa se reerguer e ser, novamente, pelo menos um dos campeões do século. E que o futebol brasileiro, também, possa acompanhar o Palmeiras mais uma vez.

Abaixo alguns anexos de momentos importantes que eu me lembro como se tivessem acontecido hoje:

Um dos jogos mais emocionante da história, eu diria, os 4×2 no Flamengo na Copa do Brasil de 99 nos encaminhou para uma das 6 finais que disputamos naquele ano.

O fim do jejum com um 4×0 em cima do Corinthians.

Uma das 6 finais de 99 foi marcada por um dos momentos mais infelizes do futebol brasileiro. O ex-jogador palmeirense Edílson provoca uma ação violenta, que de forma alguma se justifica, dos jogadores palmeirenses. 

Uma das maiores rivalidades da década trouxe um dos momentos mais emblemáticos da Libertadores, Grêmio 5×0 e Palmeiras 5×1, pelo campeonato de 1995. 

Pênaltis de Palmeiras x Corinthians na Libertadores de 1999.

Falha de Marcos e derrota no mundial numa das 6 finais de 99.

Pênaltis de Palmeiras e Corinthians na Libertadores de 2000.

Pênaltis de Palmeiras e Deportivo Cali na Libertadores de 1999 e o campeonato.

 

A arte da imagem de destaque é de Kaique, aka Pânico747, do Deviant. 

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