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Os eventos que culminaram no roteiro dessa apresentação do Oscar para mim parecem muito claros, e giram em torno de um dos fatos mais importantes ocorridos nos últimos anos: ignoraram atores e diretora do filme Selma. A apresentação, na minha opinião, teria seguido um rumo diferente se a revolta com esses fatos não tivesse ocorrido. A comoção foi tanta que uma hashtag entrou facilmente em evidência por todas as comunidades sociais: #OscarsSoWhite, e o fator agravante é que a representante máxima da premiação é uma mulher e negra, que teve que abrir aspas para o assunto em seu discurso, já que todo o ocorrido vai de encontro com causas que afligem também a ela.

Juntamos a Selma: a premiada atuação marcante de Patricia Arquette em Boyhood, onde ela interpreta uma mulher que é violentada, junto com seus filhos, por um de seus maridos, e nos entrega um discurso curto e forte de empoderamento das mulheres; a negligenciação de O Jogo da Imitação, que merecia mais prêmios e trazia um personagem que, apesar de salvar milhares de pessoas, foi morto por ser gay, todavia valeu pelo absurdamente fantástico discurso Graham Moore ao levar a estatueta de roteiro adaptado (um dos melhores discursos da história do Oscar); a total indiferença a um dos filmes mais bem avaliados do ano, Pride, que trata de uma história real que uniu o movimento LGBT e mineiros que estavam em greve no Reino Unido; o documentário sobre o escândalo de invasão de privacidade denunciada por Edward Snowden, que por falar a verdade para o mundo acabou sendo considerado traidor pelos Estados Unidos. E deve ter tido mais coisa que eu não estou me recordando.

Essa soma causou uma mudança de postura, e a apresentação acabou sendo voltada, especialmente, para a comunidade negra, e também para a falta de representatividade de outras etnias, além das mulheres (que além de estar em menor número ganham menos que os homens). Uma forma de tentar reparar o gritante erro cometido. Só tentar, porque parece que negro só pode concorrer ou ser premiado quando está interpretando papéis ligados a servidão e não de liderança política (como ocorreu ano passado), e mulher só concorre em categorias designadas a elas. Percebia-se, por exemplo, a falta de mulheres na cerimônia pela transmissão da TNT para quem não acompanhou com o áudio original, pois a voz do tradutor, bem marcante, se fazia presente quase que o tempo todo, a da tradutora nem tanto. Das últimas premiações que acompanhei, boa parte delas bastante chata e entediante, essa foi a mais movimentada, todavia o detalhe principal foi a presença de gente muito politizada em seus discursos. Outro detalhe importante do evento foi a apresentação do excelente Neil Patrick Harris, que é gay, casado, e tem dois filhos adotivos nessa relação.

Mas qualé a do Sean Penn? Eu não sei se eu entendi bem a “piada” dele, mas talvez ele tenha quisto dizer que existe um preconceito contra imigrantes nos Estados Unidos, e que esse preconceito com gente que vai lá, atravessa a fronteira, e consegue um green card, é errado. O problema é que, ao fazer isso, Penn foi o machista de sempre e o chamou de “filho da puta”, xingamento comum a todas as línguas que conheço e que precisa ser problematizado, eu mesmo ainda me pego falando e na maioria delas eu paro de falar antes de começar quando vejo que vai sair. Pra iniciar a problematizar é fácil: basta você pensar que não existe xingamento equivalente direcionado ao “pai de família”. Tá, é difícil parar de falar algo que é tão comumente dito e que se falou por tantos anos na vida, mas vindo de Sean Penn é imperdoável, e não fosse isso a cerimônia teria sido basicamente perfeita (se bem que o Iñárritu emendou um belo discurso com o ensejo e acabou pondo panos quentes no assunto nos bastidores ao ser entrevistado).

Confira abaixo a lista dos vencedores e os vídeos dos discursos mais relevantes da noite (peço desculpas pela qualidade deles, ou se algum for removido, mas a academia tira tudo da internet e não deixa nada de qualidade ser propagado por inteiro fora dos Estados Unidos):

Melhor filme:

  • Sniper Americano
  • Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Boyhood – Da Infância à Juventude
  • O Grande Hotel Budapeste
  • O Jogo da Imitação
  • Selma
  • A Teoria de Tudo
  • Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor diretor:

  • Alejandro González Inárritu –  Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Richard Linklater –  Boyhood – Da Infância à Juventude
  • Bennett Miller –  Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Wes Anderson –  O Grande Hotel Budapeste
  • Morten Tyldum –  O Jogo da Imitação

Melhor atriz:

  • Marion Cotillard –  Dois Dias, Uma Noite
  • Felicity Jones –  A Teoria de Tudo
  • Julianne Moore –  Para Sempre Alice
  • Rosamund Pike –  Garota Exemplar
  • Reese Witherspoon –  Livre

Melhor ator:

  • Steve Carell –  Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Benedict Cumberbatch –  O Jogo da Imitação
  • Michael Keaton –  Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Eddie Redmayne –  A Teoria de Tudo
  • Bradley Cooper –  Sniper Americano

Melhor ator coadjuvante:

  • Robert Duvall –  O Juiz
  • Ethan Hawke –  Boyhood – Da Infância à Juventude
  • Edward Norton –  Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Mark Ruffalo –  Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • J.K. Simmons   Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor atriz coadjuvante:

  • Patricia Arquette –  Boyhood – Da Infância à Juventude 
  • Laura Dern –  Livre
  • Keira Knightley –  O Jogo da Imitação
  • Meryl Streep –  Caminhos da Floresta
  • Emma Stone –  Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

 

Melhor roteiro original:

  • Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo –  Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Richard Linklater –  Boyhood – Da Infância à Juventude
  • Dan Futterman, E. Max Frye –  Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Wes Anderson, Hugo Guinness –  O Grande Hotel Budapeste
  • Dan Gilroy –  O Abutre

Melhor roteiro adaptado:

  • Jason Hall –  Sniper Americano
  • Graham Moore –  O Jogo da Imitação
  • Paul Thomas Anderson –  Vício Inerente
  • Anthony McCarten –  A Teoria de Tudo
  • Damien Chazelle –  Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor longa de animação:

  • Operação Big Hero
  • Os Boxtrolls
  • Como Treinar o Seu Dragão 2
  • Song of the Sea
  • O Conto da Princesa Kaguya

Melhor documentário em longa-metragem:

  • Citizenfour
  • Vietnã: Batendo em Retirada
  • Virunga
  • A Fotografia Oculta de Vivian Maier
  • O Sal da Terra


Melhor longa estrangeiro:

  • Ida (Polônia)
  • Leviatã  (Rússia)
  • Tangerines (Estônia)
  • Timbuktu (Mauritânia)
  • Relatos Selvagens  (Argentina)

Melhor curta-metragem:

  • Aya
  • Boogaloo and Graham
  • Butter Lamp
  • Parvaneh
  • The Phone Call 

Melhor documentário em curta-metragem:

  • Crisis Hotline: Veterans Press 1 
  • Joanna
  • Our Curse
  • The Reaper (La Parka)
  • White Earth

Melhor animação em curta-metragem:

  • The Bigger Picture
  • The Dam Keeper
  • O Banquete
  • Me and My Moulton
  • A Single Life

Melhor canção original:

  • “Everything is Awesome”, por Shawn Patterson, Joshua Bartholomew, Lisa Harriton, The Lonely Island –  Uma Aventura LEGO
  • “Glory”, por John Legend, Common –  Selma
  • “Grateful”, por Diane Warren – Beyond the Lights
  • “I’m Not Going to Miss You”, por Glen Campbell – Glen Campbell: I’ll Be Me
  • “Lost Stars”, por Gregg Alexander, Danielle Brisebois, Nick Lashley, Nick Southwood – Mesmo Se Nada Der Certo

Melhor fotografia:

  • Emmanuel Lubezki –  Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Robert D. Yeoman –  O Grande Hotel Budapeste
  • Ryszard Lenczewski, Łukasz Żal – Ida
  • Dick Pope – Mr. Turner
  • Roger Deakins –  Invencível

Melhor figurino:

  • Milena Canonero –  O Grande Hotel Budapeste
  • Mark Bridges –  Vício Inerente
  • Colleen Atwood –  Caminhos da Floresta
  • Anna B. Sheppard, Jane Clive –  Malévola
  • Jacqueline Durran –  Mr. Turner

Melhor maquiagem e cabelo:

  • Bill Corso, Dennis Liddiard –  Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Frances Hannon, Mark Coulier –  O Grande Hotel Budapeste
  • Elizabeth Yianni-Georgiou, David White –  Guardiões da Galáxia

Melhor mixagem de som:

  • Sniper Americano
  • Interestelar
  • Invencível
  • Whiplash: Em Busca da Perfeição
  • Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Melhor edição de som:

  • Alan Robert Murray, Bub Asman –  Sniper Americano 
  • Martín Hernández, Aaron Glascock –  Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Brent Burge, Jason Canovas –  O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos
  • Richard King –  Interestelar
  • Becky Sullivan, Andrew DeCristofaro –  Invencível

Melhores efeitos visuais:

  • Capitão América 2 – O Soldado Invernal
  • Guardiões da Galáxia
  • Planeta dos Macacos 2 – O Confronto
  • Interestelar
  • X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido

Melhor design de produção:

  • Adam Stockhausen, Anna Pinnock  –  O Grande Hotel Budapeste
  • Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald –  O Jogo da Imitação
  • Nathan Crowley, Gary Fettis, Paul Healy –  Interestelar
  • Dennis Gassner, Anna Pinnock –  Caminhos da Floresta
  • Suzie Davies, Charlotte Watts –  Mr. Turner

Melhor montagem:

  • Sniper Americano
  • Boyhood – Da Infância à Juventude
  • O Grande Hotel Budapeste
  • O Jogo da Imitação
  • Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor trilha sonora:

  • Alexandre Desplat –  O Grande Hotel Budapeste
  • Alexandre Desplat –  O Jogo da Imitação
  • Hans Zimmer –  Interestelar
  • Gary Yershon –  Mr. Turner
  • Johann Johannsson –  A Teoria de Tudo

 

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