Esse prato não sairia do forno sem o financiamento de: Tiago Pariz Almeida!
Quer ver seu nome aqui? CLIQUE e saiba como.


Melhor filme:

Sniper Americano e Whiplash aparecem com força em meio aos outros filmes que já vinham fortes em outras disputas, mas vai ser complicadíssimo dominar os três concorrentes mais cotados para levar a premiação: Boyhood, O Grande Hotel Budapeste e Birdman. Dos três eu ainda não vi o último que citei, verei assim que puder, mas posso afirmar que os outros dois são obras de arte cinematográficas.

Quem foi esnobado por aqui é Interestelar, que pode muito bem não ser o melhor filme do mundo, nem ao menos o melhor filme de Nolan, mas, assim como Matrix, Avatar e, mais recentemente, Gravidade, revolucionou a história do cinema. São filmes como esses que marcam “antes e depois”, já que eles proveem a indústria com tecnologia para ir além, e com conceitos que antes não se pensava em trabalhar/aplicar. Se mudar o cinema não basta para ser indicado, então eu realmente não sei o que é necessário para estar no Oscar.

Outros fortes candidatos que vinham sendo indicados em quase todas as premiações e não apareceram no Oscar são: Foxcatcher, Garota Exemplar e O Abutre, dos três eu vi os dois últimos, e realmente acho que Garota Exemplar, apesar de bom, não merece um lugar nessa lista. Todavia, tanto O Abutre, quanto Foxcatcher (que eu ainda nem vi), são perdas irreparáveis para uma lista que poderia ter até 10 concorrentes (ou mais, se eles quisessem), mas pelo jeito alguém não foi com a cara da galera e decidiu colocar só oito.

  • Sniper Americano
  • Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Boyhood: Da Infância à Juventude
  • O Grande Hotel Budapeste
  • O Jogo da Imitação
  • Selma
  • A Teoria de Tudo
  • Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor diretor:

Aqui a coisa começa a ficar bastante feia, pois mais uma vez não temos a presença de Nolan concorrendo por sua usualmente brilhante direção e visão, e o Oscar prova que é do tipo “morde e assopra”, já que injustiças ocorrem com frequência em anos ímpares (ou quase isso, ou mais frequentemente que isso).

O pior nessa lista fica por conta da ausência da diretora negra de Selma, Ava DuVernay, que seria a primeira mulher negra a concorrer ao Oscar de direção, e vinha fazendo parte da lista de todas as premiações anteriores. Ano passado tivemos um fenômeno chamado 12 Anos de Escravidão, que não poderia ser ignorado de forma nenhuma, e mesmo assim foi injustiçado em algumas categorias. “E já está bom demais pros negros de Hollywood”, disseram os bonachões da academia. A ausência de Ava é um crime contra a diversidade étnica e a diversidade de gênero, e um crime também contra o seu excelente trabalho.

É interessante notar que Ava foi ignorada também pelo Director’s Guild of America, que premia os melhores diretores, no entanto o prêmio inclui o senhor Clint Eastwood, que incrivelmente também não apareceu no Oscar. Esse premiozinho é fake pra caralho. A única diversidade aqui é o mexicano Inárritu, porque meio que não tinha como tirar ele daí, senão eles tiravam.

Notável também são as ausências de Angelina Jolie, na direção de Invencível, e, especialmente, Laura Poitras, diretora do aclamado documentário Citizenfour, que trata da história de Edward Snowden e o vazamento de informações confidenciais dos Estados Unidos e sua espionagem digital. É tanta babaquice numa categoria só que eu quase não dei por falta do fenomenal diretor de primeira viagem, Dan Gilroy, de O Abutre.

  • Alejandro González Inárritu – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Richard Linklater – Boyhood: Da Infância à Juventude
  • Bennett Miller – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Wes Anderson – O Grande Hotel Budapeste
  • Morten Tyldum – O Jogo da Imitação

Melhor atriz:

É, Jennifer Aniston, não foi dessa vez, mas eis aqui mais uma injustiça: segundo a Variety alguns votantes disseram que o fraco Cake não ajudou Aniston em sua indicação, mas aí eu pergunto: o que está em jogo aqui: filme, roteiro, ou atuação? Tirem suas próprias conclusões e lembrem-se que Sandra Bullock demorou séculos para sair do raio de ação da implicância e preconceito dos votantes da academia.

Além dela foi ignorada também Amy Adams, que se encaminhava para a 6ª indicação, mas deve ter gerado medo na academia, haja vista que ela pode ultrapassar a supervalorizada Meryl Streep em indicações (com a diferença de que ela alcançaria a madame interpretando personagens, e não a si mesma). Outra injustiça é a não indicação de Jessica Chastain por O Ano Mais Violento. Tá difícil. Pelo menos nessa, e mais outra categoria, teremos majoritariamente mulheres indicadas (e só porque é inevitável).

  • Marion Cotillard – Dois Dias, Uma Noite
  • Felicity Jones – A Teoria de Tudo
  • Julianne Moore – Para Sempre Alice
  • Rosamund Pike – Garota Exemplar
  • Reese Witherspoon – Livre

Melhor ator:

Tem ator negro nessa lista? Tem não senhor. Mesmo com todos os elogios, mesmo com todas as criticas favoráveis, David Oyelowo foi ignorado na premiação, que incluiu Bradley Cooper quase que de última hora, mas não poderia abrir mais uma vaga para brilhante interpretação de Martin Luther King Jr.. Percebem o grande problema aqui? Um negro, indicado para todas as outras premiações, interpretando o líder do movimento negro estadunidense, é ignorado pela maior premiação do cinema mundial. Parabéns!

Outro que não aparece na lista é Jake Gyllenhaal, também nomeado em todas as outras premiações, num papel tão bem guiado, em O Abrute, que sua nomeação era inevitável. Talvez a forte critica de O Abutre a imprensa sensacionalista tenha gerado um certo desconforto no maior habitat de sensacionalismo do mundo, o cinema. Gyllenhaal tem uma das interpretações mais viscerais dos últimos tempos, tendo perdido por volta de 14kg para encarnar Lou Bloom. Essa galera é muito apaixonada pelo Cooper, não pode.

  • Steve Carell – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Benedict Cumberbatch – O Jogo da Imitação
  • Michael Keaton – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Eddie Redmayne – A Teoria de Tudo
  • Bradley Cooper – Sniper Americano

Melhor ator coadjuvante:

Ainda não entendi o que Ethan Hawke está fazendo em todas as premiações de ator coadjuvante, o que ele faz em Boyhood, sinceramente, não é nada muito impressionante, é um ótimo trabalho, mas não tem nada de mais. E temos mais uma etnia ignorada aqui: Takamasa Ishihara, mais conhecido como Miyavi, que interpretou um guarda torturador em Invencível. Talvez seja a necessidade de deixar de lado um “não ator” em prol do grupinho que tem carreira feita na área. Bullshit!

  • Robert Duvall – O Juiz
  • Ethan Hawke – Boyhood – Da Infância à Juventude
  • Edward Norton – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Mark Ruffalo – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • J.K. Simmons – Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor atriz coadjuvante:

Preferiram colocar uma atriz que interpreta sempre com as mesmas caras, bocas e trejeitos, pela 19ª vez, do que colocar mais uma personagem ignorada do filme Selma. Carmen Ejogo, que interpreta Coretta Scott King, mulher de Martin Luther King., também passou batida na lista dos indicados. Preciso repetir os problemas que isso envolve e que citei no caso do ator David Oyelowo, interprete de Luther King? Acho que não.

  • Patricia Arquette – Boyhood – Da Infância à Juventude
  • Laura Dern – Livre
  • Keira Knightley – O Jogo da Imitação
  • Meryl Streep – Caminhos da Floresta
  • Emma Stone – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Melhor canção original:

  • “Everything is Awesome”, por Shawn Patterson, Joshua Bartholomew, Lisa Harriton, The Lonely Island – Uma Aventura LEGO
  • “Glory”, por John Legend, Common – Selma
  • “Grateful”, por Diane Warren – Além das Luzes
  • “I’m Not Going to Miss You”, por Glen Campbell – Glen Campbell: I’ll Be Me
  • “Lost Stars”, por Gregg Alexander, Danielle Brisebois, Nick Lashley, Nick Southwood – Mesmo Se Nada Der Certo

Melhor roteiro adaptado:

Outro injustiçado que só aparece em duas categorias: Vício Inerente.

  • Jason Hall – Sniper Americano
  • Graham Moore – O Jogo da Imitação
  • Paul Thomas Anderson – Vício Inerente
  • Anthony McCarten – A Teoria de Tudo
  • Damien Chazelle – Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor roteiro original:

Aqui temos a única indicação para O Abutre, e chega ser ridículo. A academia ignora um filme que retrata a mais pura realidade que a cerca.

  • Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Richard Linklater – Boyhood – Da Infância à Juventude
  • Dan Futterman, E. Max Frye – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Wes Anderson, Hugo Guinness – O Grande Hotel Budapeste
  • Dan Gilroy – O Abutre

Melhor longa de animação:

Uma das poucas categorias onde os votantes fazem justiça é essa (pelo menos uma tinha que existir), ignoraram Uma Aventura LEGO, um dos blockbusters animados do ano, e colocaram duas animações independentes. Agora sim, parabéns!

  • Operação Big Hero
  • Os Boxtrolls
  • Como Treinar o Seu Dragão 2
  • Song of the Sea
  • O Conto da Princesa Kaguya

Melhor documentário em longa-metragem:

Tem brasileiro por aqui: O Sal da Terra é um documentário longa metragem sobre o fotografo brasileiro Sebastião Salgado, é dirigido pelo alemão Win Wenders e pelo filho do fotografo, Juliano Salgado. O documentário é uma produção franco-italo-brasileira, e retrata quase quatro décadas de trabalho do fotografo.

  • Citizenfour
  • Vietnã: Batendo em Retirada
  • Virunga
  • A Fotografia Oculta de Vivian Maier
  • O Sal da Terra

Melhor longa estrangeiro:

Mais uma vez o Brasil fica de fora, mais uma vez a Argentina mostra que sabe fazer cinema.

  • Ida (Polônia)
  • Leviatã (Rússia)
  • Tangerines (Estônia)
  • Timbuktu (Mauritânia)
  • Relatos Selvagens (Argentina)

Melhor fotografia:

  • Emmanuel Lubezki – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Robert D. Yeoman – O Grande Hotel Budapeste
  • Ryszard Lenczewski, Łukasz Żal – Ida
  • Dick Pope – Mr. Turner
  • Roger Deakins – Invencível

Melhor figurino:

  • Milena Canonero – O Grande Hotel Budapeste
  • Mark Bridges – Vício Inerente
  • Colleen Atwood – Caminhos da Floresta
  • Anna B. Sheppard, Jane Clive – Malévola
  • Jacqueline Durran – Mr. Turner

Melhor documentário em curta-metragem:

  • Crisis Hotline: Veterans Press 1
  • Joanna
  • Our Curse
  • The Reaper (La Parka)
  • White Earth

Melhor montagem:

  • Sniper Americano
  • Boyhood – Da Infância à Juventude
  • O Grande Hotel Budapeste
  • O Jogo da Imitação
  • Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor maquiagem e cabelo:

  • Bill Corso, Dennis Liddiard – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
  • Frances Hannon, Mark Coulier – O Grande Hotel Budapeste
  • Elizabeth Yianni-Georgiou, David White – Guardiões da Galáxia

Melhor trilha sonora:

  • Alexandre Desplat – O Grande Hotel Budapeste
  • Alexandre Desplat – O Jogo da Imitação
  • Hans Zimmer – Interestelar
  • Gary Yershon – Mr. Turner
  • Johann Johannsson – A Teoria de Tudo

Melhor design de produção:

  • Adam Stockhausen, Anna Pinnock – O Grande Hotel Budapeste
  • Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald – O Jogo da Imitação
  • Nathan Crowley, Gary Fettis, Paul Healy – Interestelar
  • Dennis Gassner, Anna Pinnock – Caminhos da Floresta
  • Suzie Davies, Charlotte Watts – Mr. Turner

Melhor animação em curta-metragem:

  • The Bigger Picture
  • The Dam Keeper
  • O Banquete
  • Me and My Moulton
  • A Single Life

Melhor curta-metragem:

  • Aya
  • Boogaloo and Graham
  • Butter Lamp
  • Parvaneh
  • The Phone Call

Melhor edição de som:

  • Alan Robert Murray, Bub Asman – Sniper Americano
  • Martín Hernández, Aaron Glascock – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Brent Burge, Jason Canovas – O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos
  • Richard King – Interestelar
  • Becky Sullivan, Andrew DeCristofaro – Invencível

Melhor mixagem de som:

  • Sniper Americano
  • Interestelar
  • Invencível
  • O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos
  • Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Melhores efeitos visuais:

  • Capitão América 2 – O Soldado Invernal
  • Guardiões da Galáxia
  • Planeta dos Macacos 2 – O Confronto
  • Interestelar
  • X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido

Achou nossa mensagem importante e quer que ela chegue em mais pessoas? Ajude o Fast Food Cultural a crescer, seja um financiador! Você pode contribuir com o projeto através do Patreon ou Apoia.se, acesse os links, confira nosso vídeo, nossos objetivos, leia outros textos nossos e faça parte da nossa família.

  • Jhaniny

    Senti tanta falta do Miyavi aka Takamasa Ishihara no Oscar 2015! Concordo plenamente com você sobre a nomeação/premiação da Angelina Jolie! @jhaniiny