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No dia 16 de Outubro de 2014 uma das produções mais controversas e chocantes da história do cinema internacional completou seus 40 anos. Considerado por muitos como um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, “The Texas Chainsaw Massacre” (O Massacre da Serra Elétrica) foi, é e certamente continuará sendo um clássico e referência no gênero por muito tempo, que se baseou em um caso real para trazer o medo para as grandes telas.

 

Poster original do filme

Poster original do filme

 

Bastidores

Julho de 1975, estado do Texas. O mundo mal sabia que em pouco mais de trinta dias um clássico terminaria de ser filmado ali. E ele seria o primeiro slasher movie já criado (subgênero do terror que geralmente envolve psicopatas matando pessoas aleatoriamente). Com produção independente e um orçamento baixíssimo, Tobe serra006Hooper se esforçava para dar vida à história de um dos personagens ícone da contemporaneidade e do universo do terror: Leatherface. Membro de uma família de maníacos canibais, o personagem, que possui enfermidade mental, usa a pele de suas vítimas para criar uma máscara e esconder as deformidades do próprio rosto. E quando um grupo de cinco jovens dirige pelas desertas estradas do Texas, acabam se tornando alvo da insanidade e desejo mortal de Leatherface e sua serra.

Com condições de trabalho precárias e alta temperatura, elenco e equipe de filmagem vivenciaram uma experiência marcante. Sete dias por semana, de 12 a 16 horas de trabalho diário, tiveram de conviver com um cenário repleto de ossos de animais em decomposição que, sob temperaturas de 36º C, exalavam um odor pútrido por todo o set. Soa bizarro, mas a equipe também usou esqueletos humanos e sangue de verdade, dos cortes que os atores sofreram nas filmagens (Marilyn Burns, que viveu outro personagem ícone dos cinemas “Sally Hardesty” cortou o dedo com uma navalha e utilizaram seu sangue). Dificuldades com o manuseio da serra adicionaram grandes riscos de acidente durante as gravações. No final, tudo contribuiu para transmitir o realismo e medo que Hooper desejava.

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Recepção & Repercursão

Para instigar curiosidade e interesse dos distribuidores de cinema, Tobe Hooper criou um trailer bem peculiar: com a tela negra, apenas sons de Leatherface perseguindo Sally pela casa podiam ser ouvidos. Nos últimos dez segundos do trailer, ele inclui uma cena junto do ruído da serra. O resultado não poderia ter sido mais positivo. Arrecadou mais de $30 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos, firmando-se como uma das produções independentes mais bem sucedidas da história.

Sally em uma das cenas mais clássicas do gênero terror.

Sally em uma das cenas mais clássicas do gênero terror.

O Massacre da Serra Elétrica passou a receber então uma enxurrada de críticas. Das positivas às que embasavam as censuras e o banimento do filme em alguns países. Muitas pessoas deixavam o filme durante a exibição nas salas de cinema. Questionavam o alto grau de impacto das imagens violentas e da intensidade do horror e sofrimento vivido pelos personagens. A frase nos créditos iniciais, que levava o espectador crer que era uma história real, conciliada à forma que o filme foi filmado, no viés cinema-verité (que deixava tudo muito real, parecido com um documentário) fez com que a produção tendesse a comentários como “desnecessário e vergonhoso, exala falta de criatividade”. Sem mencionar o fato de que Leatherface e seu massacre foi inspirado em um personagem real, Ed Gein.

 

Inspiração & Curiosidades

Apesar de toda euforia gerada pelo filme, que dizia se tratar de uma história real, tal fato revelou-se mito. Porém, se por um lado a narrativa era falsa, a influência para criar o personagem Leatherface era muito, muito real: Edward Theodore Gein, a.k.a Ed Gein (1906 – 1984). Filho de um alcoólatra e de uma mãe extremamente religiosa, Ed era impedido por esta de ter amigos na escola, onde sofria bullying por apresentar traços efeminados em seu comportamento. Passou a vida na fazenda com os pais e irmão quando, em 1944, um incêndio acometeu o lugar levando o irmão à morte em cirscunstâncias misteriosas (tida depois como asfixia). Seu pai morreu em 1940 e a mãe em 1945, deixando Ed completamente sozinho aos 39 anos. Seu comportamento peculiar e estranho que já era apontado durante a vida escolar potencializou-se, levando-o à demonstrar interesse por revistas de culto à morte e realizar visitas noturnas ao cemitério local.

Tido por muitos como um dos mais influentes serial killers da história, sugere-se que ele não se encaixe no perfil por ter matado apenas duas mulheres (segundo confissão do próprio, mesmo sob tortura de um xerife), sendo classificado portanto apenas como homicida. Mas seus feitos, considerados bizarros, ultrapassam qualquer classificação que se possa imaginar: 9 máscaras feitas de pele humana, 10 cabeças de mulheres com o topo cerrado (usadas como tigelas para sopa), abajur e cadeiras revestidas de pele humana, 1 cinto feito de mamilos femininos, uma caixa com 9 vaginas (a de sua mãe estava pintada de prata), 1 puxador de cortinas feito de lábios humanos, sutiã e outras peças de roupas também feitas de pele humana, 1 caixa de cereais com pedaços de cérebro humano além de orgãos e vísceras na geladeira e demais peças obscuras pela casa. Confessou ter retirado o corpo de várias mulheres de suas sepulturas, todas parecidas com sua mãe e revelou desejo de mudar de sexo, criando uma roupa feminia que usava e fingia ser uma mulher.

Ed Gein

Ed Gein

Em 1957 a polícia local entrou em sua propriedade e encontrou o corpo de uma mulher (Bernice Worden) decapitado, suspenso no ar pelos tornozelos, sem os órgãos internos e com as costelas separadas. Foi dado como mentalmente incapaz e internado no hospital psiquiátrico Central State Hospital, que mais tarde tornou-se uma prisão. Em 1968, médicos declararam que Gein estava em condições para ir ao tribunal e o julgamento durou 1 semana. Devido à sua insanidade, foi considerado não culpado e permaneceu internado, vindo a falecer em 26 de Julho de 1984 por falha cardio-respiratória, proveniente de um câncer. Sua lápide foi constantemente vandalizada e teve pedaços retirados para serem guardados como recordação. Foi roubada em 2000 e recuperada em 2001, passando a permanecer no museu de Wautoma, Wisconsin. Inspirou personagens como Norman Bates (Psicose) e Jame “Buffalo Bill” Gumb (O Silêncio dos Inocentes) além, é claro, de Leatherface e outros.

 

Trajetória

Mesmo após seus 40 anos, Hooper e toda a equipe mostram surpresa ao compreender e realizar e a extrema importância que o filme teve para o universo cinematográfico, além dos frutos que gerou durante o caminho. Sequências foram produzidas (bem como documentários), como:

  • O Massacre da Serra Elétrica 2 -(The Texas Chainsaw Massacre Part 2 ou The Buzz is Back) [1986];
  • O Massacre da Serra Elétrica 3 – (Leatherface: Texas Chainsaw Massacre III) [1990];
  • O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno – (The Return of the Texas Chainsaw Massacre) [1994];
  • O Massacre da Serra Elétrica [2003];
  • O Massacre da Serra Elétrica: O Início – (The Texas Chainsaw Massacre: The Beginning) [2006];
  • O Massacre da Serra Elétrica 3D: A Lenda Continua – (Leatherface 3D) [2013].

Recentemente fomos agraciados no mercado literário com “O Massacre da Serra

O trabalho da editora foi excelente, o que reflete na belíssima capa.

O trabalho da editora foi excelente, o que reflete na belíssima capa.

Elétrica – Arquivos Sangrentos“. O livro um compendium de entrevistas, informações, documentos e fotos sobre todos os filmes da série, um belo trabalho da editora Dark Side e se encontra em duas versões, cada qual com uma capa diferente: a comum e a limitada, com capa dura e hot stampStefan Jaworzyn reuniu em 320 páginas um emaranhado de curiosidades e fatos que muitos desconhecem, inseridos no universo criado lá em 1974 por Tobe Hooper, com o primeiro filme da série. Ler os Arquivos Sangrentos te deixa a par de como um filme é realizado: bastidores, pré-produção, as gravações, termos, burocracias de contrato com produtoras e distribuidoras, formação do casting, fotografia, da edição e da venda dos direitos autorais. É um livro rico em informações técnicas, que situa o leitor no mundo cinematográfico, por trás daquilo que costumamos ter contato: o filme em si.

Falar do sucesso e importância deste título para a 7ª Arte é complexo, uma vez que foi através dele que tantas outras renomadas obras se fizeram criar e notar e, com isto, é complicado de se medir. Continuar em alta, mesmo após quatro décadas, é por si só um grande feito. Mais ainda quando percebemos que ele continua a influenciar e ganhar outros trabalhos (como por exemplo, a sequência do último filme “O Massacre da Serra Elétrica 3D”. Há especulações de que a Lions Gate Entertainment tem contrato com produtores para fazer até sete novos filmes). Decerto, chega um momento em que a receita não funciona tão bem quanto antes, a franquia começa a ser tão explorada que tudo fica saturado (mesmo o gênero terror tendo um público fiel). Até quando vale a pena continuar insistindo em aproveitar do sucesso do primeiro filme para vender novos produtos?

Agora que você chegou até aqui, guardei um pequeno (grande) fato que, a princípio, pode não ser relevante mas, quando você para pra pensar, percebe que a coisa muda de figura. O título “The Texas Chainsaw Massacre” teria como tradução literal “O Massacre da Moto-Serra no Texas”. O instrumento utilizado por Leatherface para retalhar suas vítimas é uma moto-serra, movida por combustível, e não elétrica. Então qual o motivo do título brasileiro inserir um “Serra Elétrica” no meio? Se não foi um erro, é pouco provável que saibamos o real motivo (se é que exista algum). A distribuidora do filme no Brasil fechou e nenhum ex-funcionário soube dizer o motivo.

Leatherface, ícone do terror clássico.

Leatherface, ícone do terror clássico.

Ficha Técnica

Direção: Tobe Hooper

Roteiro: Kim Henkel e Tobe Hooper

ElencoMarilyn Burns
Paul A. Partain
Allen Danziger
William Vail
Teri McMinn
Edwin Neal
Jim Siedow
Gunnar Hansen
John Dugan
Robert Courtin
William Creamer
John Henry Faulk
Jerry Green
Ed Guinn
Joe Bill Hogan
John Larroquette

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  • Paulo Henrique Galdino

    Que história mais doida a desse tal de Ed. Adorei a postagem.
    Eu vim parar aqui porque assisti a um video que falava sobre o Tal “Leatherface” e a origem desta história
    Segue ai pra quem mais ficar curioso.
    http://www.youtube.com/watch?v=Bv0L-Zn1CM8