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Representatividade e militância importam muito, Tiago Leifert. Não interessa onde as pessoas estejam. E a luta faz parte do que as pessoas são. É reflexo de suas vivências. Quem não luta é porque não precisa, e termina como apresentador de reality show no horário nobre, oprimindo, censurando e buscando manter seu privilégio de não ter que ouvir “mimimi”. Garantindo esse mesmo privilégio para seus pares, através de um discurso de eliminação. O privilégio de não ter gente pobre, gente preta, LGBT… em posição de protagonismo, defendendo seus direitos, lutando.

Discurso excludente que não cabe mais em lugar nenhum, nem no BBB. Discurso feito num momento tão importante, em que pessoas pretas, como Nayara de Deus, se sentem acolhidas (finalmente) com o filme Pantera Negra (mas não podem ter o mesmo no BBB). Discurso perigoso e tendencioso feito enquanto comunidades são invadidas mais uma vez pelo exército, tendo seus pouquíssimos direitos devassados. Comunidades cheias de pessoas pretas que precisam que gente como Nayara, com espaço na mídia, faça a diferença por elas, chame a atenção pra elas. Atenção que nenhum Tiago Leifert vai dar.

BBB/Divulgação

“Nayara virou a chata da casa”, “Nayara achou que BBB era centro acadêmico”… Nayara está sendo, assim como as pessoas pelas quais luta, oprimida. Ela viu ali uma oportunidade e agarrou essa oportunidade. Oportunidade de passar uma mensagem a qualquer que fosse a pessoa que estivesse ouvindo, e mesmo que tenha atingido meia dúzia eu tenho certeza que já valeu o esforço.

Tudo que nos faz pensar que somos pessoas ruins é chato, tudo que nos tira da nossa posição de conforto é chato, então Nayara ser ela mesma, militante, mulher e preta, é chato. É inaceitável que alguém seja assim, “a gente quer ver você, Nayara” e você não pode ser assim não, tem que ser padrãozinho e aceitar tudo calada. Porque legal mesmo, divertido de verdade, é gente “piadista” como o vencedor do BBB10, que podia falar e fazer todas as merdas possíveis e jamais iria receber pito do apresentador. Fizeram de um grande bobo da corte preconceituoso um herói, através de uma boa edição, a mesma edição que faz de Nayara a vilã do momento sem a mínima razão de ser.

Pão e circo dá audiência, mas gente que cutuca indiretamente o patrocinador do enlatado, que critica os meios de produção e o sistema vigente, que tem opinião política e social à esquerda, é melhor logo jogar na fogueira. Vai que os telespectadores comecem a pensar sobre aquilo que estão consumindo na TV e fora dela.

Pois se a militância de uma mulher preta causa incômodo no apresentador e no país, deixa todos desconfortáveis, faz com que muitos e muitas se contorçam na poltrona e que ela receba quase 93% dos votos, há sim algo de errado, mas não é com ela e nem com a luta dela. E até onde eu sei, ninguém é contratado no BBB pra ser ator e interpretar alguém que não é, senão não seria um reality show, não é mesmo?

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