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O assédio do Vin Diesel a uma jornalista que estava TRABALHANDO está saindo no mundo todo agora, já saiu na Variety, já saiu no The Huffington Post, já saiu no IndieWire… Será que escrito em inglês vai fazer sentido pros brasileiros com complexo de vira-lata? O gringo vem aqui e acha que somos animais em árvores e que as mulheres daqui são pedaços de carne embalados prontos para o consumo. O gringo vem aqui e acha que pode quebrar posto de gasolina, assaltar, fazer o que quiser, porque até perdoado pelo governo ele é. O gringo vem aqui, é arrogante em sua incompetência desportiva, é vaiado, chama todo mundo de nazista e é defendido por uma parcela da população, muito apesar de ser criticado por toda imprensa internacional (incluindo a de seu país). Vocês batem palmas. Em pleno 2016 (não que isso queira dizer muito), a menina tem uma chance em um milhão de alavancar a carreira dela e o cara fica passando cantadinha de tiozão durante o TRABALHO da pessoa? Machista.

E como o sistema também é machista, é capaz dela sofrer as consequências e matarem o TRABALHO e as oportunidades dela daqui pra frente: “Ah, você é a menina do Vin Diesel?” imagino a recepção durante entrevistas de emprego, ficou marcada pra sempre por causa da boçalidade de um ator que acha que pode tudo (como quase todo gringo que pisa aqui). É absurdo que o brasileiro já tenha esquecido do caso recente do nadador que veio aqui e revoltou a todos, mas quando se trata de machismo, quando é uma mulher que “Já sentou no colo do Jason Momoa”, que postou fotos com o próprio Vin Diesel depois da entrevista, aí tá querendo aparecer, aí o ufanismo desaparece. Somos machistas, todos. E é como disse um rapaz brasileiro respondendo a outro brasileiro vira-lata num comentário na matéria da Variety: “Ela senta onde ela quiser“. E sobre a foto com o Diesel: postou porque, desde o início, a entrevista era importante pra ela e ela está desconfortável na foto também.

Se trata de consentimento, é aquela cantada na rua que ninguém permitiu; o assobio que ninguém autorizou; a virada de pescoço e a comida com os olhos; o som de fritura que sai da boca quando uma “gostosa” passa. Não é elogio, não é bonito, não é legal, nada que não é consentido é permitido. E se ela sentou no colo do Jason Momoa: O PROBLEMA É DELA. Ela permitiu, ela quis, tava na vibe e rolou. Não foi o caso do Vin Diesel.

Diesel do início ao fim do TRABALHO de Carol Moreira parece estar atuando, ele não desgruda nem por um momento do personagem testosterônico que criou, supostamente desejado por todas e todos, chega ser deprimente como ele não consegue ser natural e parece robótico como pessoa. Me lembrou muito de Friends, quando o personagem de Matt LeBlanc, Joey, não conseguia investir em mulheres sem usar as falas roteirizadas para seus personagens, como o Dr. Drake Ramoray. Vin Diesel é o Triplo X, é o Dom Toretto de Velozes e Furiosos, mas na articulação está muito mais para um misto babaca entre Joey e Groot (sem a parte fofa do personagem de Guardiões da Galáxia dublado por ele). Fica só: “I’m Groot, I’m Groot, I’m Groot, I’m Groot, I’m Groot, I’m Groot, I’m Groot…“.

Carol Moreira não quer aparecer, Carol Moreira queria TRABALHAR e ele não a permitiu fazer seu TRABALHO da forma que gostaria. E se acontecesse de outra forma e ela se permitisse plantar bananeira ao final da entrevista, bem, era com ela. Isso não ocorreu, ela não consentiu a intimidade compulsória que ele achou que tinha por ser quem é. E as revoltas de vocês têm que parar de ser limitadas ao que é conveniente. Têm que parar de ser restritas a manter os privilégios de vocês.

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