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Entra ano e sai ano a cidade de Porto Alegre passa pela mesma situação, majoritariamente o clima se divide entre calor do inferno e frio congelante, sobram alguns poucos meses de clima agradável. Todo ano penso em comprar um ar condicionado, seja por causa do calor infernal, seja por causa do frio congelante. Ideal, então, que ele fosse quente/frio.

Todo ano empurro o verão e empurro o inverno, é praxe. “Ah, agora já estamos chegando perto do inverno…”, “Ah, agora já estamos chegando perto do verão…”; mesmo procedimento. Sempre me ferro com o calor e sempre me ferro com o frio. Detesto principalmente o calor, na real, mas frio demais também não é bom; não é coisa de gente chata (mesmo que eu seja), mas minha situação é complexa, haja vista a posição em que meu apartamento fica no prédio. Inexiste vento.

Onde chegaremos com essas questões? Voltaremos um ano no tempo, encontraremos uma boate em chamas, um cenário de caos e 242 mortos.

Mas o que tem a ver o ar condicionado com isso? Tudo. Como já dito pelo Marcelo em seu post, todos somos culpados. Somos culpados por empurrar tudo com a barriga, até mesmo uma situação extremamente delicada como a segurança de nós mesmos. Vai me dizer que tu nunca deixou de fazer manutenção elétrica numa tomada em casa porque ela estava funcionando de boa? São esses pequenos cuidados que podem evitar catástrofes como a da boate Kiss.

Imagine se fosse um navio, imagine se fosse um estádio, imagine se fosse um prédio, imagine se fosse a sua casa. Imagine se fosse a prefeitura. Acho que nenhum prefeito imagina que isso pode acontecer com ele mesmo. É o ar condicionado ali gritando sua necessidade de ser comprado, ou a tomada meio solta, mas que ainda funciona, um pneu careca, uma mancha estranha na pele…

Todos nós já deixamos passar, todos nós já usamos a política do “deixa como tá”, a politica do comodismo. E mesmo que passemos mal por causa do intenso calor, mesmo que um aparelho queime por causa de uma tomada meia boca, mesmo que um pneu careca estoure e o carro capote, mesmo que metade do Mercado Público queime, mesmo que 242 pessoas morram… Continuamos empurrando com a barriga. Logo todo todos esquecemos e empurramos, empurramos e empurramos, até o próximo desastre.

Quem se lembra do desastre da Gol? Será que o espaço aéreo brasileiro tem melhor controle desde então? Será que não existem mais espaços sem cobertura de radar? Será que os controladores tem condições de trabalho adequadas? Será que os controladores de voo brasileiros sabem inglês? Será que os pilotos ligam o transponder? Já estamos empurrando com a barriga.

Será que se eu entrar em uma festa sairei vivo? E você? E seu filho? E seu irmão? E sua mãe? E sua sobrinha? E seu neto?

Será que passaremos a nos atentar para os pequenos detalhes que podem salvar vidas? E acima de tudo, será que pararemos de priorizar o dinheiro a troco de nós mesmos?

Hoje comprei um ar condicionado.

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