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Esse teste de batida é um grande exemplo de evolução automobilística, mas o grande problema é que dos dois lados temos carros fabricados pela mesma empresa recentemente, um mexicano de 2015 (Tsuru) e outro estadunidense de 2016 (Versa). Dois carros na mesma faixa de preço, dois carros com tecnologia nada similares. O que isso quer dizer?

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Muita coisa: assim como no Brasil, ou até mais, as fabricantes se aproveitam do mercado mexicano e inflam o custo dos carros por lá, impostos? Claro, temos impostos absurdos, tanto lá como aqui, mas as fabricantes oneram absurdamente seus veículos além do que os governos cobram e, fora isso, não trazem veículos atuais que mercados como Estados Unidos, Europa e China costumeiramente veem. Em caso recente, a Chevrolet trouxe para cá um novo Corsa que era o velho Corsa da China, por exemplo (carro que deixou de existir lá e foi substituído pelo Sail, bem mais bonito, potente e seguro).

E aqui no Brasil, o mercado só deu uma leve sacudidela quando carros chineses e sul coreanos começaram a ser comercializados (especialmente os chineses). O que eles traziam de vantagem? Eles vinham todos completos de fábrica, do popular ao topo de linha. Por quê? Porque isso não é vantagem, isso é exigência em todo mercado mundial que se preze, que preze por segurança no trânsito. Na Europa e nos Estados Unidos NENHUM carro sai da fábrica sem algumas coisas que aqui chamamos de “opcionais”, como airbag para o motorista, passageiro e dos lados, ABS e por aí vai.

Claro que os chineses foram atacados em sua entrada no mercado brasileiro pelas grandes montadoras que aqui já estavam, hegemônicas, oferecendo carros “pelados”. Como podem entrar no nosso mercado oferecendo carros mais baratos e mais completos? Os brasileiros, claro, caem. Portanto, é simbólico um vídeo de dois carros da mesma fábrica, com mesmo custo, de dois países diferentes, batendo de frente. Não é uma chinesa que está ali, é uma das grandes montadoras.

É simbólico, também, ter a certeza de que o motorista mexicano dirigindo um Nissan Tsuru morreria em uma batida de frente com um motorista estadunidense dirigindo um Nissan Versa. Num momento político importantíssimo como o que temos, cheio de xenofobia e discriminação, o simbolismo é ouro. E pode ter certeza de que isso se replica para todas as outras montadoras, e que isso não é exclusividade mexicana.

Nós não temos respeito do mercado e parte da culpa é sim, com certeza, dos nossos governantes, mas as fabricantes corroboram com isso ao não oferecer esses equipamentos sendo que já o fazem no restante do mundo. Tudo isso a fim de aumentar os lucros. E aí, você confia no seu carro brasileiro?

Ranking mundial
Vendas 2015

País 2015
China 22.358.140 (*)
EUA 17.469.043
Japão 4.975.791
Alemanha 3.439.767
Índia 3.060.671
Grã Betanha 3.005.333
Brasil 2.476.981
França 2.294.265
Canadá 1.901.025
Coréia do Sul 1.799.813
Itália 1.707.067
Rússia 1.602.771
México 1.349.708
Espanha 1.184.947
Austrália 1.122.515
Turquia 959.890
Indonésia 934.314
Tailândia 772.519
Malásia 649.002
Argentina 609.728
África do Sul 583.402
Bélgica 562.275
Holanda 509.333
Taiwan 393.792
Suécia 389.906
Suíça 355.798
Áustria 343.274
Portugal 209.361
Grécia 80.729
Croácia 41.514

(*) Deve ser acrescentado cerca de quatro milhões de veículos comerciais

Jato Dynamic

Fontes: Road Track e omundoemmovimento.

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