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A classe homem me dá vergonha às vezes quase sempre. Uma pré-estreia da Mulher Maravilha exclusiva para mulheres nos Estados Unidos, mais especificamente na sala de cinema Alamo Drafthouse da cidade de Nova Iorque (Brooklyn), está atraindo os olhares do mundo porque um idiota chamado Stephen Miller comprou entrada pra ele, um homem, acessar o evento.

Em seu Twitter Miller publicou o ticket recebido via e-mail e em outra publicação (imagem abaixo) diz que não pode ser removido/impedido de entrar em um local público:

Esse cara é tão ignorante, em tão amplos aspectos, que alguém precisa avisar a ele que cinemas não são lugares públicos, e mesmo que fosse uma sessão da prefeitura local só pra mulheres ele poderia sim ser impedido de entrar (até porque impedir gente de entrar é algo costumeiro nos Estados Unidos, né não?).

Pode ser impedido de entrar assim como mulheres um dia foram impedidas de acessar locais sem a presença do marido ou completamente. Assim como um dia pessoas pretas não podiam acessar diversos locais. Assim como não podiam votar, e foram tratadas por uma vastidão de anos como Stephen Miller foi tratado UMA VEZ NA VIDA.

Ademais, amigão, há outra sessão no mesmo dia para que você possa desfrutar do filme com outros seres de mesmo gênero que também não terão problema em ver o filme. Temos aqui um babaca (que tem apoio de milhares ou milhões de outros babacas) brigando por causa de uma sessão de um filme que é um blockbuster que ficará mais de um mês em circuito. Não há sexismo reverso, porque isso nem existe, há sim idiotice e ignorância.

Honestamente, o fato de homens não deixarem que mulheres tenham ESSA ÚNICA SESSÃO mostra quão pequenos nos tornamos como sociedade.

E ele responde: Estou mais ou menos impressionado com um grupo inteiro de pessoas que dizem lutar pelos direitos humanos e sabem tão pouco deles.

Stephen Miller não quer lutar por direitos humanos, pois ele já tem vários. Ele quer, além de aparecer, manter seu privilégio que data de milhares de anos, o privilégio de ser homem, um homem branco, o privilégio de poder ir e vir e fazer o que quer numa sociedade machista, racista, homofóbica, transfóbica… Quer exercer esse poder.

Stephen Miller é uma caricatura nojenta de tudo aquilo que eu recebi como mensagem a vida inteira e tenho tentado evitar a qualquer custo (nem sempre conseguindo). Stephen Miller e quem apoia ele (o que inclui também mulheres, infelizmente) está aí pra nos lembrar que há muito ainda o que avançar, evoluir.

Temos o primeiro filme solo de uma heroína relevante, que é relevante por uma série de fatores, e a nerdaiada não consegue tolerar o fato de haver meia dúzia de sessões exclusivas para mulheres no mundo inteiro. E querem me fazer engolir o tal de “Dia do Orgulho Nerd”, orgulho de que? De ser boçal? O nerd que era vítima de discriminação, de bullying, é unicórnio, hoje ele é quem propaga boa parte disso. E não há orgulho nenhum.

E se pegarmos essa situação, ela ocorre em festas voltadas só para mulheres, academias só para mulheres. E sabe por que elas existem? Porque nós somos Stephen Miller, nós agimos como Stephen Miller e ninguém quer estar perto de Stephen Miller. EM LUGAR NENHUM.

As minorias, aqui as mulheres, querem estar em segurança de pessoas nocivas como Stephen Miller, como nós (homens cis), querem ter a tranquilidade de acessar locais onde elas não vão ser assediadas de nenhuma forma, seja com olhares desnudantes, assobios, chiados, cantadas escrotas…Violência de gênero que homem nenhum sofre. Nenhum homem sofre violência por ser homem.

E um adendo: é deprimente que cheguemos a esse ponto. É deprimente que prefeituras, por exemplo, tenham ideias de vagões e ônibus exclusivos para mulheres ao invés de dar segurança a elas e educarem seus homens desde o início, desde a escolinha. Não são as mulheres que precisam ser separadas e culpabilizadas, mas sim nós homens.

Claro que a situação da sessão exclusiva de cinema nem se compara, ela tem todo um contexto e isso deveria ser respeitado sem nenhum questionamento. Pessoas como Stephen Miller, e elas são muitas, desconhecem esse contexto, desconhecem a Mulher Maravilha e, em especial, desconhecem o feminismo.

Acompanhamento: A vilania dos nerds: machismo, racismo, homofobia…

Na verdade, essas pessoas estão cagando pra isso tudo, o que inclui, repito, violência contra a mulher e negligência dos órgãos públicos que deveriam cuidar disso e não cuidam. Essas pessoas querem, como já disse, exercer poder e privilégios (que são e sempre foram muitíssimos para homens cis). E assim nunca sairemos do ponto em que estamos, e isso é nojento.

Fonte: Daily Mail.

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  • SweetBlueberry

    O autor da matéria reclamou, reclamou, mas não disse o porque o que ele fez foi ruim. Quebrou uma regra: sim, de fato. Mas o que ele fez foi nada mais além do que protestar contra o sexismo. Algo, que o autor da matéria deveria estar ciente.
    Agora imagina só, uma sessão do Man of Steel só pra homens; mesma porcaria. Tão sexista quanto essa da WW.
    Machismo, sexismo existe e é viante na nossa sociedade? Claro, mas não é com exclusivismo de x ou y que algum tipo de igualdade.

    E aliás, autor da matéria, recomendo que você repense muito antes de escrever uma rant. Ou melhor, não escreva tal, fazendo isso só parece um bobo cego por sua própria ideologia.

    • Paulo Carvalho

      O autor da matéria acha que você não leu nadinha, e se leu: quis manter os mesmos privilégios do carinha.

      • SweetBlueberry

        Eu li o que você escreveu, Paulo. E eu discordar com o que você escreveu não significa que eu quero manter algum “”””privilégio”””” de alguém.

        • Paulo Carvalho

          Ninguém está dizendo que você não pode discordar, seja feliz nisso, mas que sua discordância incorre nisso, incorre. Enfim, boa sorte.