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Há uma série de graves problemas acompanhando a saga da Mulher Maravilha até os cinemas. O maior deles, até agora, era o fato de a heroína não estar recebendo a mesma atenção da Warner/DC na divulgação que Batman, Super-Homem e os vilões de Esquadrão Suicida receberam.

Componente da trindade DC, Mulher Maravilha é uma das lideranças da Liga da Justiça juntamente com Batman e foi plagiada pela Marvel para dar origem a diversos personagens (inclusive o ufanista Capitão América: basta buscar a similaridades pra se dar conta disso). Todavia, acima de tudo, é um ícone antiquíssimo de empoderamento, protagonismo e feminismo.

A partir do momento em que a colocam de lado, a Warner/DC deixa ainda mais claro a importância dela em seu universo e para o mundo não ficcional, seja nos quadrinhos, no cinema, ou qualquer outro produto relacionado a ela. Uma mulher símbolo da luta por igualdade de condições diversas (será que Gal Gadot está ganhando o mesmo que seus companheiros de trabalho?), uma mulher símbolo da luta por igualdade de direitos.

Contudo, não bastando isso, eis que surge o pessoal do pouco marketing feito para o filme fazendo merda. A Warner/DC fechou uma parceria com a empresa thinkThin para divulgação do filme, que disse o seguinte:

Ninguém resume melhor o estilo de vida thinkThin do que a Mulher Maravilha, a figura icônica de uma liderança feminina em um importante filme de super-heroína. Estamos empolgados com a parceria para estendermos a consciência das duas marcas.

Eu não sei bem ao certo se o pessoal da thinkThin conhece pelo menos um pouco da história envolvendo a Mulher Maravilha e quão importante ela é como símbolo para todo um movimento e quão importante ela é para mulheres de todas as idades, etnias, credos e PESOS. Eu realmente não sei nem ao certo, agora, se a própria Warner conhece sua personagem. Mas um fato é que certamente as duas empresas desconhecem o feminismo e tudo que ele implica.

A situação constrangedora me fez lembrar de uma comunidade que sigo: Infelizmente publicitário é uma merda, que critica os mais diversos problemas relacionados a área de publicidade, geralmente em menor escala que esse, onde muitos dos casos giram em torno do machismo.

É inadmissível que uma marca que, na tradução literal, se chama “Pense Magro”, esteja relacionada a Mulher Maravilha. thinkThin não é resumida pela heroína, como disse sua representante Michele Kessler, mas é, definitivamente, a antítese dela. Há toda uma questão de combate a padrões de beleza envolvida, e há, consequentemente, um combate implícito a gordofobia. Ser magra ou magro não implica em ser saudável, muito menos quando comemos barrinha de cereal por conta própria e fazemos regimes criminosos sem acompanhamento de uma/um profissional.

Uma menina gorda que se identifica com a Mulher Maravilha quando vir essa publicidade vai pensar o quê? Que ela tem que emagrecer a qualquer custo usando os produtos da thinkThin para ser igualzinha a sua heroína! Algo que é martelado contrariamente inclusive pela atriz que vive a personagem, Gal Gadot. Mas o crime de pressionar crianças, adolescentes e adultas, bom…, esse parece compensar.

É simbolicamente um desmonte de tudo aquilo que foi pregado até agora em cima de uma das mais fortes personagens femininas já criadas, senão a mais forte. Não admirável que Kessler, CEO da thinkThin, lute a todo custo para se manter dentro de um padrão de beleza aceitável por nossa sociedade que criminaliza os diferentes corpos e o avanço da idade, tudo através de muita plástica. Fácil manter privilégios quando se tem dinheiro, não é, Kessler?

Mulher Maravilha, que tem avaliação alta pela critica e pelo público que já viu, pré-estreia amanhã no Brasil e até agora é o filme mais aguardado do ano segundo a mídia especializada.

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