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Perigoso o pessoal da engenharia de trânsito de Porto Alegre sofrer um derrame cerebral assistindo esse vídeo que publico abaixo. Existem alternativas ao viaduto e ninguém comunicou a eles, se é que eles são engenheiros de trânsito mesmo e não somente engenheiros. É possível a convivência entre pedestres, carros, bikes… E enquanto o mundo inteiro concorda que viaduto não é alternativa, nem a quantidade absurda de carros, o Brasil segue pro lado contrário. Você já pensou que é quase impossível se deslocar de uma cidade a outra, em segurança, a pé, de bike, ou até mesmo de moto? Não precisa pensar muito, precisa querer fazer, precisa querer beneficiar a população, e não as construtoras do país, ou as fabricantes de automóveis. Você já tentou atravessar um viaduto daqueles que tem uma calçada de 30 cm? “Nem fodendo”, eu responderia.

Alegam que todos esses carros movimentam a economia, mas existem outras formas de movimentar a economia, algumas delas envolvem economizar dinheiro com problemas advindos do trânsito. Quanto dinheiro o país perde com caminhões de carga parados em congestionamentos? Quanto dinheiro o país perde com os estragos que esses mesmos caminhões, somados ao número absurdo da carros, fazem nas estradas? Quanto dinheiro o país perde com a carga desses mesmos caminhões caindo aos montes nas estradas sem condições de comportá-los?

O problema dos caminhões, claro, vai um pouco além, mas quanto dinheiro o país perde matando seus filhos nas ruas? Mortos não movimentam a economia. E sobre os viadutos: quanto dinheiro os comerciantes que foram presenteados com um viaduto como vizinho perdem? Você já pensou que lojas construídas nas proximidades de viadutos, que chegaram antes deles, não sobrevivem porque ninguém mais passa por ali ou pode estacionar ali? E quem sofre as consequências, em geral, são os pequenos comerciantes. Isso é movimentar a economia?

Acredito que boa parte das pessoas gostariam de poder se deslocar sem precisar de um carro, poder caminhar em segurança, poder usar uma bicicleta para exercício, como meio de transporte, ou até mesmo para ganhar a vida. E aí podemos incluir uma quantidade de outras coisas como o skate. E eu volto a questionar: você já parou pra pensar que não consegue sair da sua cidade caminhando? Agora pense em quem não tem as condições que você tem, nem de pegar um ônibus, mas precisa fazê-lo, você acha isso certo?

Estamos chegando num ponto sem volta, pois nem mesmo a acostamentos temos direito, já que em momento de pico eles são liberados como pista extra. O vídeo abaixo mostra que um bom planejamento pode fazer enorme diferença na vida das pessoas, inclusive dos motoristas. O projeto não inclui ciclovias, mas dá pra ver muito bem onde é que elas poderiam ser alocadas, e não é nas calçadas, não se pode tirar o espaço do pedestre com a desculpa de que os dois tem que aprender a conviver, mas sim do carro, o carro é o maior intruso, o mais prejudicial. Não são eles que causam os congestionamentos? Quantos deles tem mais de uma pessoa mesmo?

Pois é, daqui a pouco acabam os espaços onde se pode enfiar asfalto, e aí? Ainda não temos carros voadores, e só criando alternativas de mobilidade poderemos ter uma cidade saudável para viver, bem como investindo o absurdo que custam os viadutos em transporte de qualidade para reduzir o número de carros. Aqui em Porto Alegre, onde moro, ainda não chegamos ao ponto que São Paulo chegou e está tentando reverter, mas não estamos longe, todavia temos o agravante de que aqui não existe trânsito, mas sim uma competição, onde vence quem é mais rápido, custe o que custar, mesmo que sejam vidas.

PS.: o modelo é um exemplo de como a engenharia de trânsito pode funcionar se bem aplicada, o que mesmo em cidades com menor espaço pode funcionar, não precisa ser exatamente dessa mesma forma.

E o mais interessante de tudo é que as pessoas estão preocupadas, nos comentários do vídeo, com os acidentes entre carros nos cruzamentos, não entenderam que não existe cruzamento e sim retornos, e que não se pode querer sair de um lado e cruzar para o outro nesse modo planejado de pista. Espere pelo próximo retorno, motorista.

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