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MIGA (s.); forma reduzida de “amiga”; usado para se dirigir a qualquer ser humano, sem levar em consideração rótulos que carregue consigo: homo, hétero, bi, homens, mulheres, cis, trans e toda infinidade de facetas que formam um indivíduo.

Reza a lenda que, para cada mulher, há um par viado perfeito, superengraçado, que a compreende, a aconselha com os boys, ajuda a harmonizar a decoração da casa, dá opiniões preciosíssimas sobre o que vestir, e que, de quebra, vai ser apresentado pras outras migas como “Fulano, o amigo gay”.

Flyer de divulgação do livro “Por que toda mulher precisa de um amigo gay em sua vida” da Andrea Franco.

Só que esse modismo causado por um frenesi de aceitação e diversidade pra parecer cool normalmente se limita a ir às festas com a bicha à tiracolo e usar gírias da comunidade LGBT, se autoafirmando “hétero, mas do vale”. Suas expectativas com relação a essa dita amizade se baseiam nos arquétipos do que vem a ser um gay “de verdade”; arquétipos esses muitas vezes criados e/ou reproduzidos pelos meios midiáticos. Porém, algumas coisas precisam ser ditas com relação a isso.

Gays – assim como as outras letrinhas integrantes da sigla LGBT –, da mesma forma como qualquer outro ser humano, têm suas individualidades e, ao contrário do que pode parecer às vezes, não seguem um padrão preestabelecido do que deveriam ser. As fag hags (como são conhecidas as adeptas dessa prática, na expressão idiomática estadunidense) precisam entender que, assim como algumas mulheres não gostam de cor-de-rosa ou homens hetero não gostam de futebol, existem gays que não dão a mínima pra moda ou que não tem o menor senso de feng shui e muito menos de maquiagem.

Existe uma grande possibilidade, inclusive, de não gostar de música POP, não saber todas as coreografias da Beyoncé ou da Madonna nem ter noção das fofocas do mundo dos famosos. Conseguimos rir de piadas, ver vídeos de gatinho (não eu, neste caso: não gosto muito) ou elaborar opiniões sobre a realidade que o país vive, por exemplo.

Além disso, nem todos os meninos ficam confortáveis ao falar sobre sexo: existe uma concepção inadequada de que gays são bem resolvidos com a própria sexualidade, que lidam bem com seus corpos e que são promíscuos, o que não é verdade. Muitos têm medo de perder a virgindade (da mesma forma que meninas têm medos relacionados a esse acontecimento) ou simplesmente não se sentem à vontade quando solicitados a dar “dicas sobre sexo anal”.

Precisamos acabar também com a ideia de que o gaydar existe porque ele é baseado em simples estereótipos de homossexualidade: se quiser saber a sexualidade de alguém, pergunte diretamente à pessoa – não somos adivinhos.
O mundo não é seu reino e os homossexuais não são seus bobos da corte.

PS.: parem de dizer que gays são desperdício, quem aproveita agradece.

Parada do orgulho LGBT de São Paulo – 2011

Imagem da capa: Elle Fortes – Parada LGBTQ de São Paulo

Fonte da imagem: Fala Universidades

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