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A Microsoft é uma das empresas de tecnologia que criaram e revolucionaram muitos dos conceitos que usamos desde a década de 70. Há méritos e deméritos ao longo da história desta grande empresa, mas uma coisa é inegável: apesar da grande aceitação do público, que foi impulsionada principalmente pela pirataria, a tecnologia desenvolvida usada por ela sempre foi algo fechado a sete chaves (só a Apple ganhava neste quesito!). Mas parece que essa história de “software em caixinha” está com seus dias contados. Portanto, sejam bem-vindas e bem-vindos a era dos softwares universais, multiplataformas e open sources com a marca Microsoft!

Software open source: é todo aplicativo que possui um código aberto para o público, ou seja, a pessoa ou empresa que desenvolve disponibiliza um local para que outras possam baixar, alterar ou até mesmo estudar a sua arquitetura.

Muitas programadoras e programadores, usuárias e usuários, ainda não estão acostumadas e acostumados com este novo tipo de empresa que está virando tendência, portanto, estas iniciativas são vistas com certa desconfiança, principalmente por pessoas da área de tecnologia. Acredito que tudo tenha começado com o Windows 8, lançado em outubro de 2012, com a promessa de revolucionar o mundo dos dispositivos desktop e mobile, precisou de umas 3 atualizações e um nova versão para conseguir acertar e ganhar a confiança do público novamente. Na versão 10, o novo conceito de sistema operacional se estabilizou, boa parte dos erros foram corrigidos (como a volta do menu iniciar, que ainda é muito útil na interface desktop e mouse).

O mundo está mudando, a ideia de software como produto tem entrado em colapso, consequência da inovação tecnológica constante, e isso faz com que as empresas prefiram vender seu serviço, que pode lucrar mais que um CD em uma caixa com serial de ativação de uma versão que logo ficará obsoleta. Temos ainda o advento da nuvem, que está alterando drasticamente a forma que lidamos com a informação. Caminhando pro lado contrário, com fama de empresa fechada ao compartilhamento de tecnologias, a Microsoft sempre preferiu que desenvolvessem para o Windows e não com o Windows, e acredito que a empresa que mereça parte do crédito pela mudança desse pensamento seja a Google e seu sistema operacional mobile Android, que nasceu no berço do código aberto. A Microsoft só demorou um pouco para se tocar que exigir licenciamentos com valores absurdos não era o caminho, talvez tenham aprendido com outro acontecimento entre as duas empresas na década passada: o descobrimento dos serviços a partir da internet. Neste caso, Mountain View também estava anos-luz à frente de Redmond.

Mountain View e Redmond são cidades estadunidenses famosas no mundo da tecnologia, pois nelas se encontram as sedes da Google e Microsoft, respectivamente.

Acompanhamento: Windows 10: ampliada a polêmica do suposto sistema antipirataria

Mas a quem devemos parte dessa mudança de pensamento interna da empresa? O nome do CEO que está revolucionando esta gigante do software e hardware é de origem indiana e atende por Satya Nadella. O esforço dele não se restringe a software e hardware, mas também engloba outras iniciativas como o aumento de programas gratuitos de treinamento e apoio a pequenas empresas. A nova filosofia tem deixado muitos profissionais incrédulos diante de tantas mudança.

Agora, voltando ao assunto central, já dá para entender um pouco os motivos que levaram Nadella a mudar o licenciamento e o alcance das tecnologias nativas da Microsoft. O Windows 10 não é oficialmente gratuito, mas você pode baixar e atualizar sua versão antiga de um sistema operacional Microsoft, mesmo sendo pirata, por uma completamente legalizada, sem tempo de expiração. O Office, famoso software mais pirateado usado em escritórios pelo mundo afora, possui uma assinatura mensal, com um monte de extras, inclusive espaço em nuvem de 1TB e 60 minutos no Skype por um pouco mais de R$ 20,00 (adeus caixinha de quase R$ 1000,00). E, por fim, o que realmente faz acreditar nesta mudança: o código da base da plataforma de desenvolvimento, chamada .NET Framework, está sendo disponibilizado quase inteiramente pelo site github.com, famoso por publicar projetos da comunidade open source. A plataforma .NET, que agora se chama .NET Core, entrou para o mundo do Linux e abriu a possibilidade de rodar no Mac OS. Linus Torvalds finalmente venceu! Será?

Com isto dito, não acredito que estas empresas deixarão sua veia capitalista de lado e muito menos abrirão mão dos seus lucros, mas que serão obrigadas a reinventar seus modelos de negócios e se adaptar aos novos paradigmas de mercado. E devemos muito disto à comunidade open source – lembrando que este blog só é viável graças a uma ferramenta desenvolvida por esta comunidade – que durante anos tentou avisar que o futuro da computação não estaria em uma caixa com um serial de ativação.

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