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Final de semana antepassado falamos sobre machismo no metal (e tivemos polêmica inclusive com uma mulher que não acredita que o feminismo ajuda ela, paciência), hoje falamos sobre o que ocorre no futebol. Poderia ser no Brasil, onde o ex diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos, hoje no Palmeiras, mandou uma bandeirinha que errou um só lance ir posar na Playboy, pois lá era o lugar dela. E se ela posasse?

Problema dela, por sinal, mas seria expulsa do esporte nas categorias principais como já ocorreu, quem se lembra da bandeirinha Ana Paula que posou na Playboy e foi sumida pela CBF? A instituição adorava ganhar audiência em cima dela enquanto mulher de padrões de beleza apreciados pela maioria, mas quando ela decidiu ter agência sobre seu corpo e ganhar dinheiro por si, não serviu mais. O corpo da mulher só serve enquanto está sob domínio do homem, quando ela assume as rédeas a coisa muda de figura.

Hoje, Ana Paula vive nas catacumbas da corrupta instituição futebolística nacional, bandeirando em campeonatos de divisões menos expressivas, treinando árbitros, realizando jogos festivos e coisas do tipo. Enterraram a carreira dela pelo simples fato de ela ser mulher. Aqui no Brasil, um país que grita “BICHA!” a cada tiro de meta batido em todos os estádios e em todos os campeonatos (incluindo Copa do Mundo e Olimpíada), machismo e a citada homofobia do tiro de meta não são novidade pra ninguém, muito menos o racismo. O futebol não é fácil de ser curtido se você faz parte de alguma “minoria” afetada por discriminação.

E eu poderia passar esse post inteiro falando sobre o nosso sujo quintal, mas vamos pra Europa: na França o Lyon recebeu o Lille pela 21ª rodada do Campeonato Francês há umas semanas atrás, sim, eles estão em meio de temporada como a maioria do mundo, nós não porque a Globo mandou nossa temporada ser diferente por causa de férias, novelas, carnaval, BBB, essas coisas (mas essa é outra discussão). Além de perder em campo, o Lyon perdeu nas arquibancadas com faixas machistas direcionadas as mulheres que frequentam o estádio:

Coitados desses caras, eu não conseguiria andar com eles. Mas o que gerou essa boçalidade, além do fato de eles serem boçais, é claro? O ex jogador e atual diretor do Lyon, Bernard Lacombe, disse, ao ser questionado sobre o futebol feminino do clube, que lugar de mulher era na cozinha. Segundo o blogueiro do Esporte Interativo, Marcelo Bechler, essa declaração foi dada há algum tempo e as faixas já são exibidas há bastante tempo também, mas no jogo em questão houve ênfase da imprensa em cima da babaquice dos idealizadores, ou idealizador (porque parece ser uma faixa só, com frente e verso, erguida por apenas um cara).

Ocorre que, pra agravar ainda mais o machismo desse caso, o Lyon masculino é um lixo se comparado com o Lyon feminino. As mulheres do Lyon conquistaram os DEZ últimos campeonatos da liga nacional (sim, na sequência), tendo ainda três Ligas dos Campeões (campeonato onde são as atuais campeãs também e que o Lyon masculino NUNCA conquistou); já os homens do Lyon não ganham NENHUM título desde 2012 (FIM).

E aí a gente fala que o feminismo é necessário e a pessoa vem dizer nos comentários da postagem que “é só se esforçar pra alcançar o que quer” (a lenda da meritocracia), temos aqui um exemplo (só um de bilhões) de que não é bem assim, porque por mais esforçadas que sejam, as jogadoras do Lyon não têm o mesmo investimento que os jogadores (e certamente não devem ter os mesmos salários, nem direito ao estádio principal, nem a cota de TV…).

O mesmo ocorre com a nossa seleção feminina, ou alguém se lembra delas agora que passaram as Olimpíadas? Alguém por acaso sabe de alguma coisa sobre os campeonatos femininos nacionais? Não, né? Não venham dizer que é falta de público, porque ele existe, o que não há é investimento, pois não há interesse de cartolas machistas de um esporte que é por si só arcaico. E quem diz o contrário não viu os estádios do futebol feminino do Brasil lotar estádios muito mais vezes do que o masculino.

É preciso sim militar, é preciso sim apontar erros e correr atrás de mudar o que está errado, correr atrás de direitos, correr atrás de punições severas aos clubes que deixam suas torcidas levarem esse tipo de conteúdo pra dentro do jogo, ou que deixam sua torcida ser homofóbica gritando “BICHA!” a cada tiro de meta cobrado (como a do meu time, Palmeiras, já no primeiro jogo do Campeonato Paulista 2017). Se precisar tirem pontos, se precisar rebaixem. Só assim os dirigentes e torcedores irão entender que é errado e que lugar de mulher é onde ela quiser.

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