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Sim, ele venceu, esse ser nojento e asqueroso, mas não tratem Hillary Clinton e Obama como se eles fossem algo como Batman e Robin, os Ursinhos Carinhosos, ou uma dupla de Power Rangers inclusivona e pacificadora: não, eles não são, nunca foram e nem nunca serão. Se o Partido Democrata quisesse mudanças consistentes que indicassem uma guinada pensando nas pessoas como um todo, havia um nome forte concorrendo com Hillary: Bernie Sanders, que arrastou multidões nas prévias estadunidenses do partido, provia de muito mais consciência política inclusiva e que tinha avisado a eles que o discurso dela carecia de alguns detalhes, e que isso poderia ser fatal. A falha foi não dar atenção a população rural branca de classe média que, cansada do alto desemprego de Obama e o mais do mesmo de Hillary, votou em massa em Trump. Um texto que explica isso muito bem é a previsão que o documentarista Michael Moore fez em julho sobre a vitória do candidato da “supremacia-branca-estadunidense”, mas o resumo da opera pode ser constatado via tweets de uma pessoa chamada Patrick Thornton copiados num artigo da The Daily Good (esse em inglês).

Mas, fora preocupações com o busto dele sendo colocado no Hall dos Presidentes nos parques da Disney, bem, o cara está eleito, não adianta ficar pedindo recontagem de votos, ou tentar dar golpe parlamentar combinado com a corte (ou será que adianta? Hein, Brasil?). Até porque, não é a primeira vez que os estadunidenses (não americanos, americanos somos todos que vivemos no continente chamado América) elegem um bosta, então não sei bem qual o espanto. Ademais, como já disse, nunca tivemos Ursinhos Carinhosos na presidência daquele país, e, sinceramente, a pouca diferença que há entre eles é que Trump fala, é escroto e admite que é escroto, não faz propaganda pra vender pão quentinho que murcha 5s depois que você comprou. E presidente manda pouco ou quase nada por lá (só por lá?).

De qualquer forma, é inegável que Trump foi o senhor do absurdo e em uma de suas mirabolantes promessas de campanha disse que construiria um super muro na fronteira com o México e que mandaria a conta para os mexicanos pagarem. Bom, volto a bater na tecla dos Ursinhos Carinhosos: o muro já existe há muito tempo e vem sendo ampliado com o passar dos anos, e no governo Obama: que prometeu acabar com a prisão militar de Guantánamo e não acabou; que prometeu trazer os soldados de volta pras suas famílias e além de não trazer mandou mais; que prometeu acabar com as sansões de Cuba e só agora abriu um pouquinho isso, mas com o interesse de ter os médicos de lá atuando pelos estadunidenses e otras cositas más; que foi co-responsável por golpes em vários países sul-americanos (oi Brasil!); que perseguiu Edward Snowden por delatar a espionagem deles a outros países (incluindo grampo na presidenta desse nosso Brasil); que persegue Julian Assange também por vazamento de dados sigilosos no WikiLeaks; que mata indiscriminadamente pessoas mundo afora em guerras sem fim; que deixa o mundo inteiro ver o aumento significativo da violência policial contra pessoas pretas sem qualquer motivo nas ruas do país da liberdade… Nunca, nesse governo, foi cogitado sequer por um segundo o fim do muro: ele foi ampliado.

Todavia, considerando o absurdo discriminador que é Donald Trump, é com sua fala que o curta M.A.M.O.N. trabalha. Dirigido por Ale Damiani, ele faz parte do projeto Wecanfxit, que tem apoio da produtora uruguaia Aparato. Nele, com a grande muralha já terminada, vemos Donald Trump trajado em um mecha de batalha (que atira mísseis pelo pau) expulsando os mexicanos do território estadunidense, dentre estes temos os mais diversos grupos de trabalhadores que servem aos Estados Unidos e que ajudaram/ajudam a construir aquele país diariamente, e até mesmo uma Miss Universo mexicana dá as caras (o concurso padrãozão de beleza Miss Universo é propriedade de Trump). Mas é quando Gonzalez, um cirurgião cardiovascular, é catapultado pra fora de lá, que a coisa complica pro lado de Trump:

Como você pode ter percebido, o vídeo tem diversas referências a cultura mexicana, sejam mitológicas (como o galo branco), musicais/cinematográficas (como os mariachis), populares (como o Chapolin), dentre outras; e conta com uma referência mitológica também em seu título: M.A.M.O.N. (Monitor Against Mexicans Over Nationwide) é retirado diretamente de Mamon, termo que vem da bíblia e descreve a riqueza material e a cobiça (em transliteração do hebraico Mamom: dinheiro).

Um brilhante trabalho de crítica em formato de comédia e vamos esperar que não dê ideia pro megalomaníaco presidente, vai que ele curte o curte o robozão narcisista.

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