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Então, há umas semanas estou lendo os rumores caóticos sobre a Liga da Justiça e não costumo mais abrir as páginas do FFC a não ser pra falar sobre o que de fato é relevante. Fora isso, tudo hoje vai pras nossas timelines em publicações soltas. Eu inclusive debatia com um amigo, há menos de uma semana, sobre a precariedade do sistema interno da Warner/DC em suas produções, uma desorganização que era de certa forma inexplicável, até que alguns fatos se derem recentemente.

O primeiro deles foi a abertura de Ben Affleck sobre seu alcoolismo e consequente tratamento do vício num isolamento em clinica de recuperação que acabou afetando/atrasando a produção da própria Liga da Justiça e, também, do filme solo do Batman. Nesse segundo caso, o ator saiu da direção e ficou “apenas” como roteirista, produtor executivo e ator, compreensível foi o seu discurso dizendo que não daria conta de assumir mais um cargo com a qualidade que o produto exigia. Antes do anúncio vir a público, muita gente caía de pau em cima de Affleck: “Se ele não queria ser o Batman por um longo período nem deveria ter assumido o papel”, e eu posso me incluir nesse grupo (mas muita gente ainda deve estar batendo nele até agora).

Hoje mais uma notícia foi divulgada dentro das dependências da DC: o suicídio da filha do casal Snyder, Autumn (que têm oito filhas/filhos, vários adotivos, sendo Autumn uma). Snyder é basicamente o coordenador geral de tudo que é coisa dentro do universo cinematográfico da DC na Warner, ou pelo menos era. E a esposa dele, Deborah, é produtora executiva dos filmes em que o marido trabalha. A morte da menina ocorreu dois meses atrás, bem antes das recentes notícias de que o filme da Liga estaria recebendo diversas pós produções, a ponto de diversos canais noticiarem que o filme acabou por ser refeito mais de uma vez. O roteiro, inclusive, não agradou Ben Affleck, e a pedido do ator, que depois também virou produtor e não queria ver outro filme ser execrado (na minha opinião injustamente) como foi com Esquadrão Suicida, foi refeito mais de uma vez.

Agora sabemos um provável porquê de tudo. Às vezes, como fãs, esquecemos que as pessoas que trabalham naquilo que gostamos sofrem, ou podem vir a sofrer, os mesmos problemas que nós, tratamos esses/essas profissionais como se fossem os super-heróis e heroínas dos quais tanto gostamos, todavia elas e eles não são. Há depressão e vícios que advém dela, uma maldita doença silenciosa que muita gente desconsidera, trata como bobagem e pode vir a matar. Há famílias e problemas comuns a todos.

Abaixo um cameo de Autumn na trilha de Homem de Aço, aos 15s da música produzida por Hans Zimmer você escutará a voz da menina dizendo “Uh-oh”:

Poucos dias depois da morte de Chris Cornell, também vitimado por um suicídio, essa é mais uma notícia que eu definitivamente não gostaria de dar. Considerando os fatos, é sobre-humano o que vem sendo feito pela Warner através das ferramentas que têm e as adversidades que vêm enfrentando. Se considerarmos que a concorrência não teve nenhum transtorno dessa ordem no meio do caminho, é até compreensível que alguma coisa ou outra não saia como planejado.

Quem assume a Liga da Justiça, para finalizar, é Joss Whedon, um dos homens que foi chave da ascensão da Disney/Marvel em seu universo e que deve vir a se tornar figura importante dentro da Warner/DC também. Essa possibilidade de Whedon ser contratado pela DC vinha sendo considerada desde o ano passado, então acredito que a gravidade dos problemas internos e pessoais do grupamento não vem de agora, ou de apenas dois meses quando se deu o momento trágico. A DC já deveria estar ciente, até porque são profissionais importantes e sua saúde, como funcionários da empresa, deve ser colocada em primeiro lugar.  E nós, como fãs e/ou profissionais de mídia, temos o dever de compreender isso e abordar o assunto com responsabilidade.

Além de Whedon, o controle do universo DC está mudando de mão de uma vez por todas e indo para Geoff Johns. Johns foi nomeado ainda o ano passado presidente da DC Entertainment e já tinha como missão fazer o gerenciamento do universo DC de um modo geral no cinema, a tarefa agora é ampliada. Johns é roteirista de quadrinhos (52, Action Comics, Os Vingadores, Flash, Lanterna Verde, Crise Infinita, Sociedade da Justiça, Sideral, Novos Titãs, dentre outros) e séries de TV (está escrevendo junto com Goyer a série sobre Blade, sim, o caçador de vampiros que deu início de fato ao buzz de filmes de herói).

Eu só espero que os Snyder possam, assim que possível, voltar a exercer com prazer as funções que certamente lhes trazem felicidades, mas que levem o tempo mais do que necessário para tentar de alguma forma amenizar a absurda dor, que poucas pessoas podem entender, mas muitas podem imaginar, de perder uma filha ou filho. Foge do curso natural das coisas, pais e mães não deveriam ter nunca que se despedir dos seus filhos e filhas. Dê uma pessoa que entende o que é depressão e suas consequentes tendências suicidas: que eles possam conseguir se levantar do meio disso.

Autumn faleceu, segundo o THR, no dia 20 de março, tinha um projeto de ficção sendo escrito, adorava o escritor Chuck Palahniuk (de Clube da Luta), além de ter lançado em 2014 um projeto filantrópico, para auxílio de crianças de rua e suas mães, que era o orgulho de seu pai e sua mãe.

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