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Certamente vocês já ouviram falar de League of Legends, o MOBA – Multiplayer Online Battle Arena – desenvolvido e publicado pela Riot Games que foi lançado oficialmente dia 27 de outubro de 2009 e com chegada oficial ao Brasil em 9 de agosto de 2012. O jogo conquistou uma leva de fãs pelo mundo e por aqui vem crescendo cada vez mais. Na última quarta-feira (03/9), o canal Fatality colocou no ar um mini documentário entitulado League of Legends – Gênero e Preconceito, porém, antes de falar sobre o vídeo, gostaria de falar sobre o game, bem como contar um pouco da minha experiência nele.

Receita

League of Legends possui três modos diferentes, mas o mais jogado é o famoso Summoner’s Rift; este modo consiste de três rotas principais separadas por florestas e um rio; essas rotas ligam duas bases, onde dois times, com cinco integrantes cada, devem defender cada uma delas. O objetivo é destruir a principal estrutura da base adversária, o chamado Nexus, e não existe um formato fixo sobre como esses integrantes ficam dispostos pelas rotas, mas existe um padrão que as equipes costumam seguir: um jogador na rota superior, um jogador na rota do meio, dois na rota inferior e um na selva.

Para obter êxito em sua meta, o time que comete menos erros e, principalmente, busca agir junto, alcança a vitória. Em quase dois anos jogando, posso afirmar que já presenciei diversas situações de muita superação, alegrias e risadas, à situações extremamente desconfortáveis e até mesmo revoltantes. A quantidade dos jogadores considerados tóxicos é realmente alta dentro do game, o que faz com que você presencie coisas chatas. Como, por exemplo, pessoas que culpam os companheiros pelo insucesso na partida e resolvem sair antes que ela acabe (rage quiters), pessoas que perdem um confronto 1×1 e xingam seus oponentes, pessoas que ganham confrontos 1×1 e xingam seus oponentes… Mas o mais lamentável são as injúrias de gênero, homofobia, transfobia, etnia e até mesmo xenofobia.

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Ezreal, Teemo, Ahri e outros personagens destaques de League of Legends.

Fabricante

A Riot Games possui um sistema de banimento muito eficiente chamado Tribunal; ao fim de toda partida, caso um jogador tenha portado-se mal, todos os outros jogadores (inclusive os de sua própria equipe), podem reportá-lo ao Tribunal por uma gama de motivos já pré estabelecidos (deixou a partida/AFK, atitude negativa, linguagem ofensiva, feed intencional, etc) e com um campo de texto para uma breve descrição. Caso esse jogador seja várias vezes reportado, ele será julgado pela própria comunidade. Cada usuário tem direito a julgar vinte casos por dia, analisando o log dos chats das partidas e itens comprados. Se o jogador for declarado culpado por vários usuários, ele tomará um banimento (quanto mais vezes ele for banido, mais tempo de banimento ele pega). Há vários casos de bans datados com fim para 2286; e em casos mais graves, a própria RIOT resolve.

Além das excelentes formas de divulgar seu produto, a postura moral da RIOT é exemplar. É como o gerente de eSports, PH Suman, fala no mini documentário, que a empresa tem de ser “intolerante com intolerância”. De acordo com estatísicas, já houveram mais de 280 mil banimentos nos últimos 12 meses e, francamente, não me recordo de nenhuma outra empresa de games abrir mão de mais de 1/4 de milhão de usuários para promover algo que não passa de educação.

Tempero

Provavelmente, por causa disso, o League of Legends leva um infeliz estigma de “jogo de viado” (pense no mesmo preconceito infundado que o São Paulo F.C sofre no futebol, por exemplo). Apesar de existirem injúrias raciais e (em menos escala) xenofóbicas, o mini documentário trata mais do preconceito contra garotas, homossexuais e transexuais. Muitas pessoas ganham fama entre os jogadores ao transmitirem suas partidas, os chamados streamers, uma delas é a Raphaela Queen B (que já chegou a transmitir para quase 150 mil web-espectadores); ela sofre muito preconceito durante suas transmissões pelo chat, mas é muito talentosa e lida com o preconceito de uma maneira madura, inspirando muitas pessoas a enfrentar esse tipo de má conduta.

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Gustavo “Minerva” Alves representando seu time, o Kabum E-Sports.

Outro relato muito maneiro é o do atual campeão brasileiro e do International Wildcard (campeonato que dá vaga para o mundial, nunca antes conquistada para o Brasil) pela equipe Kabum eSports, Gustavo “Minerva”, ele assumiu publicamente sua homossexualidade recentemente e era alvo de piadas dentro do cenário, inclusive em suas transmissões, sobre sua orientação sexual. A sua atitude, em relação a isso, é reportar de maneira clara a RIOT, para que as medidas sejam tomadas.

Longe de ser um dos melhores jogadores, eu sempre busquei exterminar esse tipo de comportamento quando o presencio, passo minutos detalhando o report de um jogador tóxico se precisar, tudo para facilitar a vida da galera do tribunal. O League of Legends é encarado por muita gente como um esporte, e, para isso, é preciso ter companheirismo. Admiro demais o trabalho do Minerva e do Kami (jogador que não está no documentário), sempre aprendendo com suas jogadas e mandando uma mensagem positiva de vez em quando.

Banquete

E então, galera, vale a pena demais conferir o vídeo realizado pelo pessoal da Fatality, que está muito legal! Para quem não conhece o game, tirem também um tempo para se aventurar em Runeterra; os personagens são carismáticos, a comunidade, apesar de tudo, é muito legal, fiz várias amizades por lá e o jogo está sob os cuidados de uma empresa extremamente profissional e competente.

Nos vemos nos campos da justiça!

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