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Christopher Nolan​ continua tentando explicar Interestelar​, algo desnecessário, na minha opinião, mas essa insistência em fazê-lo diminui cada vez mais o valor do filme e sua qualidade. Ainda mais quando o diretor e co-roteirista menospreza a inteligência das pessoas quase dizendo que elas são burras por não entendê-lo. Sinceramente, toda aquela ladainha de amor isso e amor aquilo ferrou com o final do filme, e cenas como a que a personagem corre e grita “Eureca!”, jogando papéis ao vento, são tão artificiais e ruins que eu quis me esconder em algum buraco negro tamanha vergonha alheia que fiquei.

"Não, Paulo, você não entendeu."

“Não, Paulo, você não entendeu.”

Sim, Nolan, eu entendi que o amor deu forças incalculáveis para os personagens seguirem em suas missões quase impossíveis até locais antes inatingíveis, todavia o filme, desconsiderando toda excelente parte técnica desenvolvida por um dos mais conceituados astrofísicos do planeta, os excelentes efeitos especiais, a sempre ótima direção que o compete, a fantástica trilha sonora (edição e música), além de ótimas atuações em grande parte dele, é, no fim, uma grande bosta.

Se eu pego Interestelar como um todo, e geralmente é o que faço, acho uma grande maravilha, sendo parte importante da história do cinema por desenvolver técnicas de filmagem nunca vistas anteriormente, por aplicar tecnologias inovadoras, e por ser o primeiro filme de ficção que respeita a física. Agora, se eu pego só o roteiro dos irmãos Nolan, e eu não faria isso se não fosse essa insistência dele em taxar as pessoas de ignorantes, nossa, existem falhas homéricas tanto no início quanto no final, fazendo até com que as atuações sejam prejudicadas (a cena “eureca” é um exemplo). Um início cansativo, que demora demais a pegar o ritmo e tem furos, e um final ridículo que me faz duvidar da capacidade não do telespectador, mas do diretor/roteirista (é isso mesmo).

E comparando com outro filme inovador que é Avatar, os problemas pra mim soam ainda mais gritantes, já que o grandioso projeto de James Cameron, apesar de ter um roteiro clichê muito parecido com o de Titanic, flui bem, diverte e cumpre com seu propósito: entreter o público. Mas Avatar vai além, e introduz a causa ambiental de forma clara, coesa e inteligente. E qual o objetivo de Interestelar, então? Sete meses depois de seu lançamento, o filme que me deixou deixou, ao final, exausto, parece ter sido apenas uma conquista para Nolan e o físico que o chancelou, já que certamente nem mesmo os estúdios envolvidos, especialmente a Warner, ficaram satisfeitos com um trabalho que custou 165 milhões de dólares e rendeu apenas 187 milhões de dólares nos Estados Unidos (o termômetro do mercado). Se a história não fosse fraca/cansativa, Interestelar não precisaria de tantas explicações assim. E um pouco de humildade cabe bem em qualquer lugar.

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