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Foi com alguma idade e apreciando bastante da cultura hip-hop, mais especificamente a dança, o rap, o beatbox e o scratch (djing de improviso com vinis e que gera sons percussivos), que descobri que hip-hop não era um gênero musical, assim como quis o embranquecimento usual de uma cultura que incluiu coisas como o grafite. Embranquecimento que também faz isso no cinema, em séries, em livros… Na época eu estava fazendo dois cursos, um de DJ e outro de produção musical em Porto Alegre, e a instituição convidou um rapaz aqui da cidade, várias vezes campeão estadual e nacional, inúmeras vezes concorrente ao campeonato mundial, e que eu infelizmente não anotei o nome (abobado), para nos apresentar um pouco de sua arte. Junto comigo, e isso digo com bastante certeza, poucos tinham baixa renda, a maioria dos que ali estavam eram donos de algo (como casas noturnas, salões de festa e redes de restaurantes) e chegavam ao local com carros importados de dar inveja em qualquer mortal, mas nenhum deles tinha o talento para djing que aquela pessoa, a única negra dali, tinha, muito menos o conhecimento que ele conseguiu me transmitir em poucas horas sobre política e sociedade.

Se ele soubesse o que foi dito dele pelas costas, ele jamais teria pisado naquele lugar, se bem que, talvez, sejam exatamente esses os lugares que as ditas “minorias” devam invadir e mostrar quão enormes elas são. O hip-hop, aquele dia, tomou uma outra dimensão pra mim, foi muito além do que eu pensava e eu corrijo, e sou chato com isso, cada vez que uma pessoa se refere a rap como hip-hop (o erro tá lá na Wikipédia, por sinal, em todas as línguas). Reducionismo de uma cultura tão ampla, que vai “além da arte” musical, é realmente um sacrilégio, mesmo que seja através dela, a arte, pintada, cantada, escrita, dançada, que o hip-hop invade espaços diversos, públicos e privados, e dê voz ao seu povo. Negros, pobres, favelados… Mostrando sua realidade social, fazendo política, dizendo que estão ali, sendo mortos, sendo hiperssexualizadas, sendo vítimas do tráfico, da PM, de políticas públicas que nunca sobem o morro, sendo colocados a margem da sociedade por uma democracia que passou a existir para poucos. E quando chega um governo que consegue enxergar, mesmo que pouco, essas pessoas… “Impeachment, porque eu, branco da elite, quero privilégios só pra mim e pra mais ninguém, não vou deixar esse comunismo tirar minhas propriedades e distribuir”.

Então, nesse final de semana, dia 30 de abril das 9h às 15h, na FECOSUL de Porto Alegre, ocorre o “Hip-hop além da arte”, que vem para se engajar a mais uma série de movimentos que se posicionam contra as ameaças de direitos que foram adquiridos pela população de baixa renda, pela população negra e pela classe artística, além de buscar o fortalecimento da cultura hip-hop em si. Quer unir forças? Segue o mapa abaixo e CONFIRME PRESENÇA NO EVENTO:

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