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Ao invés de permitir que as pessoas ocupem imóveis há muito tempo abandonados na cracolândia, auxiliar as pessoas e elevar suas vidas em amplos aspectos, João Doria​ e Geraldo Alckmin​ expulsaram elas a bala no final de semana (com ajuda da GCM e da PM), e agora o Mr. Cidade Linda mandou murar os imóveis pra que ninguém volte a acessá-los. Lindo, pra esses senhores, é negar a miséria, negar a pobreza, higienizar a cidade. Fingir que eles fazem uma administração “limpa”. Cidade Linda pra quem?

Em breve essas pessoas estarão assaltando em outro ponto da cidade e a culpa, bem, a culpa cairá nas costas de quem não tem nem o que comer e não em cima do poder público que enfia nossos impostos no cu e não dá condições adequadas pra ninguém.

Certamente há uma possibilidade de especulação imobiliária na região, e é engraçado notar que os imóveis permanecem acumulando lixo e animais peçonhentos sem ninguém sequer dar bola pra eles, mas basta um grupo de pessoas ocupar pra que sejam notados. Nada diferente em outras capitais do Brasil, como a nossa Porto Alegre, que aglomera na mesma medida pessoas em situação de rua e imóveis sem uso que enfeiam a cidade e poderiam ser reformados e entregues a esses seres marginalizados.

Mas ninguém quer pobre no centro da cidade, não é mesmo? Construir casas só onde eles vão estar bem distantes e sem poder vir até as áreas urbanizadas porque o preço do transporte público é cada vez mais absurdo. Ninguém quer eles pulando ou passando por baixo de roleta, mas ninguém quer eles assaltando também. Como escutei no ônibus esses dias: “Se a gente mata é capaz de ser preso, porque é menor de idade”. Pois é, nós já estamos matando diariamente. Mas enquanto a matança fica longe dos nossos olhos tá tudo bem.

E essa população vai aumentando, pois as poucas políticas públicas adotadas por uma administração são jogadas no lixo pela próxima. Não há reforma política, mas há sim reformas de previdência e trabalhista, que se ignoram as pessoas em geral, imagina cidadãos invisíveis como os dependentes químicos de tantas cracolândias que deixamos acontecer e vamos empurrando com a barriga.

É absurdo que não notemos os efeitos colaterais existentes porque desconsideramos inúmeros fatores como os já citados, ou como a ausência de um banho para ir a uma entrevista de emprego e a falta de roupa para fazê-lo. Os “cidadãos de bem” também são afetados. Essas pessoas não tem o básico para mudar de vida, não tem o copo d’água que você tem em qualquer lugar que acessa. Não tem comida. Dia desses vi uma das muitas pessoas invisíveis de Porto Alegre, que vêm só aumentando da administração Jose Fortunati​ e adentrando com velocidade na de Nelson Marchezan Júnior​, agachada em frente ao Mercado Público De Porto Alegre​ tomando água barrenta, com restos podres dos peixes vendidos ali, com chorume do lixo produzido nas descargas de caminhões. Catando a pouca água suja com a mão.

É deprimente que isso não comova boa parte da nossa população. É deprimente que sejamos considerados o topo de alguma cadeia, ou seres pensantes, quando preferimos ignorar para vivermos uma vida de egoísmo acima de tudo, uma vida que sequer é completamente boa pra nós mesmos. Mas cada um com seus problemas, não é verdade? Eu já tenho os meus.

Foda-se o próximo, desde que ele não nos foda como consequência disso. Vamos continuar elegendo administradores que sequer sabem os busão que passam em volta da casa deles, que sequer sabem cozinhar e acham que isso é função só da mulher (né, Júnior? Não deve saber nem o preço do papel de bunda). Vamos continuar colocando nossas cidades nas mãos de gente que não bate pé na rua pra ver o que acontece em volta do próprio umbigo. E vamos continuar reclamando da vida de merda que estamos tendo pagando rios de impostos que vão pro mesmo ralo que cai a água suja que os mendigos tomam, ou empoçam em algum buraco de nossas calçadas, ruas e ciclovias quase inexistentes.

Foto de capa: Jorge Ferreira/Jornalistas Livres.

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