Esse prato não sairia do forno sem o financiamento de: Tiago Pariz Almeida!
Quer ver seu nome aqui? CLIQUE e saiba como.


Oi, gente. Tudo certo? Queria começar esse texto dizendo que: eu não estou feliz. Esse pode virar um texto longo. Acho que sempre houve algo por trás de toda a militância me avisando sobre como isso ia ser difícil. Na real, acho que lutar por qualquer coisa não vai ser um pedaço de sonho de padaria para ninguém. Vamos aos fatos.

Durante o mês, vou salvando notícias nas quais vou embasar meus textos e leio alguns artigos científicos para trazer uma informação diferenciada. Por que estou falando sobre meus métodos de pesquisa? Porque esse mês fui arrebatada por duas ondas diferentes: uma de vídeos do Buzzfeed que assisti sobre o empoderamento de outras meninas e que até me deu ideias para começar um projeto pessoal. Porém, a outra, e mais forte, foi a que me fez perceber quanto preconceito ainda existe numa sociedade que se nega a andar na direção certa.

Eu sei que falar sobre preconceito e a sociedade que não evolui de dentro da minha bolha de privilégios é um pouco arriscado. Porém, esses dias ouvi uma menina – que não recordo o nome – falando que só temos know how para falar do preconceito que nos afeta. Bom, se minha carteira fosse assinada por tomar esporro por ser gorda, já quase me aposentava.

Dentre as notícias que havia escolhido para tratar neste mês estavam: MC Carol sendo maravilhosa e a metralhadora do funk (pode fazer esse tipo de piada? Pode né, para a gente não esquecer que eu ainda sou a mãe bolinho); a prerrogativa da mídia que une caras considerados “feios” com meninas bonitas, mas nunca o contrário (lembram que a gente já falou sobre hostilizar casais? Então.); ou ainda como uma menina terminou com os haters na internet depois de comentários gordofóbicos.

barney00

Quando comecei essa nova jornada de querer ser melhor e informar pessoas melhor, fiz um ensaio de fotos para o Fast Food Cultural, outro com um amigo fotógrafo que conheço há anos (cujo trabalho ficou 10/10) e dei uma palestra na UFRGS. O que me surpreendeu em tudo isso foi a quantidade de meninas que vieram falar comigo por inbox, perguntando como eu tinha coragem, como eu não tinha medo. Isso voltou à tona agora porque: a Páscoa.

Não vou falar sobre autodepreciação quando eu gosto mesmo é de autoapreciação. Porém, trabalhar com publicidade me preparou para algumas coisas, não todas. Todo ano você espera campanhas melhores, mais democráticas… E nem sempre essa é a realidade. E se não é nos outdoors, anúncios do Facebook ou YouTube, são os corredores. É aquele velho discurso de “gordinhos” e “gordices”. Se vocês pudessem me ver agora, eu estou suspirando por não acreditar que isso ainda aconteça.

caradelevingne00

Novamente, vi outra menina (preciso começar a anotar nomes. Até lá, sinto muito, minhas fontes) falando que o discurso faz todo mundo gordo, “ai, vou fazer uma gordice”, “to rolando”… Blá blá blá. Vou recitar um versinho para vocês:

Gorda. Baleia. Saco de areia.

Assim é quão infantis vocês são quando falam sobre “gordices”. “Aiii, mas é só jeito de falar”… Hum, gostaria de citar aqui outros jeitos de falar que mostram quão preconceituosa uma pessoa é (peço desculpa de antemão, são só exemplos de um péssimo comportamento que deveriam ser extintos):

“Que negrice”

“Só podia ser mulher”

“Morena de exportação”

saturadagordice00

Todo mundo quer poder comer de tudo ou comer sem culpa ou poder escolher o que comer. Exceto que a face de aceitar o corpo gordo é horrível demais, então melhor usar esse medo como tabu. Entendam que eu defendo a vida fitness: acho massa, acho o futuro, inclusive. Mas se apoiar em “vou para a academia porque né, gente, vou explodir de gorda”… Fiz uma pesquisa rápida aqui e: não encontrei casos de autoexplosão natural de pessoas gordas (ou magras, também). Se apoiar numa parte da sociedade que sofre é tão ridículo quanto tentar tomar refrigerante de ponta cabeça.

Esse mês, mais do que informar vocês, quero informar os amigos de vocês, a família de vocês, a sociedade na qual vocês vivem. Essa mesma sociedade que faz meninas me chamarem no privativo e me perguntarem como eu tenho coragem de ser gorda sem me esconder. Compartilhem esse texto, deixem que as pessoas saibam que não estão certas.

É complicado e, às vezes, as coisas não serão doces. Um exemplo é o amargo que foi esse texto porque meu coração azedou. Sejam bolinhos, pudins e biscoitos militantes, não tenham medo de pedir ajuda e conversar com outras pessoas. Vamos mudar essa realidade de pouco em pouco, certo? Conto com vocês, minhas balinhas de coco.

Achou nossa mensagem importante e quer que ela chegue em mais pessoas? Ajude o Fast Food Cultural a crescer, seja um financiador! Você pode contribuir com o projeto através do Patreon ou Apoia.se, acesse os links, confira nosso vídeo, nossos objetivos, leia outros textos nossos e faça parte da nossa família.