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Oi, meus pavês. Doces, sim? Sim. Queria falar sobre tantas coisas esse mês, mas taaaaantas que vocês nem tem ideia. Então, vamos só fazer um breve overview sobre os assuntos desse período? Sim.

– Carnaval: porta bandeira maravilhosa e gorda. Gente, que mulher. Chegou a me dar uma palpitação aqui. Linda, empoderada e coberta de glitter e plumas. Vocês têm ideia de quanto eu me identifiquei com ela? Eu queria ser ela.

– Fiz aniversário. O primeiro deles que eu passei em paz com o meu corpo.

– Fui para a praia. De biquíni.

E é aí que a porca torce o rabo. Por que nesses assuntos pré-selecionados, coloquei meu aniversário e a praia? Pode parecer, mas não é marketing pessoal. É um aviso que: a vida na internet não é a mesma que a vida off-line.

to heal the soul, salt water.

Uma foto publicada por Tainá Hessler (@taihessler) em

Lembram que a gente já conversou sobre não sumarizar a vida de outras bolinhas e bolinhos naquele único frame que a gente tem acesso nas redes sociais? Então, vamos voltar nesse assunto esse mês. Chegou até mim um texto (que me fez chorar, não vou mentir para vocês) que vocês podem ler AQUI, falando sobre como é a experiência de perceber o corpo gordo. Para quem é gordo, muito mais precisamente gorda, essa percepção pode ser um baque muito forte.

Falo sobre ser gorda por dois motivos: 1) o mais simples, sou mulher e gorda, nunca fui outra coisa nessas duas áreas e 2) a gordofobia afeta mais o público feminino do que o masculino. Isso é outra coisa que aprendi: fazer recortes. Sim, a gordofobia afeta eu, tu, eles, blá blá blá, mas é necessário recortar as situações. Então, nada de corações azedos, certo?

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Quantas vezes vocês já viram ou ouviram alguém falando “não come isso, tu vai ficar gorda!”? Sério, a maior preocupação sobre um alimento não saudável é como a forma física pode vir a ficar? Aí que está o ponto! Não é isso. A gordura é como o bicho papão das crianças, é algo plausível, imaginável, temível, passado de boca a boca, prato por prato… Uma lembrança de falha, que se você comeu aquilo, você merece a forma que tem e a opressão que sofre. E isso acaba com a mente de crianças ao redor do mundo.

Tenho 23 anos, sou graduada, falo mais de uma língua… E sou gorda. Esse fato já resumiu toda as minhas conquistas antes. “Mas ela é gorda”, sim, isso é óbvio. O problema é que só consegui perceber que isso não deveria me afetar negativamente há pouco tempo. E se vocês acham que foi fácil, não foi. Tenho a coragem de dizer que, na sociedade atual, não é fácil para ninguém. Esse medo da forma física fora do padrão é como uma erva daninha que acompanha as pessoas onde elas forem. Trabalho desde os 16 anos. Por todas as empresas que passei (foco: TODAS), no mínimo duas meninas contavam calorias em volta de mim, tentavam esconder os corpos, faziam dietas loucas… E elas eram lindas, inteligentes, capazes… Porém, enlouquecidamente oprimidas.

shutup00Nesse mês de março, quando comemoramos a marca da força e da luta de mulheres, buscando por cada vez mais espaço e respeito, quero fazer um pedido à vocês, meus bombons. Sejam gordas e gordos livres. É difícil sim encontrar roupas, mas é possível. Mesmo que você ache que ninguém vai se atrair por você por causa dos quilos a mais, lembrem: eu beijaria a boca de vocês e muitas outras pessoas também, só é necessário uma triagem diferente. Não tenham medo de sair na rua, de vestirem cores diferentes do preto ou coisas assim. Vão por mim, não importa no que vocês acreditem, vocês só vão lembrar dessa vida. E tudo o que vocês querem lembrar é que vocês se odiavam? Cada milímetro do corpo de vocês? Eu acho que não, né?

Sejam fortes e sejam doces! Não tem nada errado em pedir ajuda e não deixem coisas pequenas abaterem vocês. E, se precisarem, venham em encontro da mãe bolinho. Meu chicote contra gordofobia não deixa ninguém passar.

Beijos de chocolate para a diversidade de bolinhas e bolinhos que eu tenho! <3

Arte de capa: Vicky Leta.

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  • Nicole Dias

    Mais um texto incrível. Tu manda bem demais, Tai. #proud