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Tom Clancy foi com certeza um dos maiores escritores de guerra de todos os tempos, senão o maior, e sua duradoura parceria com a Ubisoft acaba de ganhar mais um capítulo: Wildlands. O jogo é um enorme mundo aberto em ambiente baseado na Bolívia, mas com um mapa que dá para o jogador uma maior interatividade ao invés de se focar em fidelidade com o local, coisa que GTA também faz bem.

Na história, o micro-universo de Bolívia é invadido por um cartel mexicano chamado Santa Blanca, que adentra em seu território para plantar, controlar e produzir coca/cocaína. Quem salva o pessoal? Os grandes salvadores do mundo todo, os super-heróis benfeitores, aqueles que querem a paz mundial, os anti-terror, os estadunidenses!

Logicamente que nós controlamos essas belas pessoas brancas dotadas da suposta língua universal, o inglês, e matamos latinos a dar com o pau. Esse é o plot de tudo que Tom Clancy escreve. Se é ufanista? Que isso, imagina! Ninguém sabe que políticos estadunidenses de ontem e hoje, bem como industriários estadunidenses (de ontem e hoje), se beneficiam da guerra contra as drogas que ocorre na América Latina, especialmente no México, e não apenas se beneficiam, mas financiam. Estão aí documentários e séries sobre o porquê da política proibicionista da maconha que não me deixam mentir, estão aí documentários e séries sobre a vida de Pablo Escobar que não me deixam mentir, está aí Tom Clancy e Ubisoft rachando de ganhar dinheiro em cima disso há décadas que não me deixam mentir.

Acho que perdi uns patrocínios aqui, hein? Uma vez vieram no inbox me dizer que eu perderia patrocínios por apoiar o que eu apoio e dizer o que eu digo nessas mal traçadas linhas, mas se fosse pra defender causas preocupado com isso, amigão, eu ficava estagnado na hipocrisia como tu, né não?

Por que Tom Clancy não escreveu livros sobre as chacinas policiais contra pessoas pretas como, por exemplo, as ocorridas em massa só entre 2014/2016 nos Estados Unidos? Lá, em território nacional. Por que ele não escreveu, por exemplo, sobre a guerra entre supremacistas brancos, o nome polido que se deu aos nazistas estadunidenses, e pessoas pretas, que queimaram a cada semana por volta de 10 igrejas de matriz afro naquele país durante o ápice dos debates eleitorais inflados por discursos de ódio de Donald Trump? Por que ele não escreve o outro lado da história, que já existia antes de seu falecimento, sobre como esses benfeitores são vistos como terroristas pela maior parte do mundo por se acharem no direito de “pacificar” territórios a revelia de suas soberanias? Invadindo (por terra, ar, mar, telefonia e internet), bombardeando, destruindo bairros inteiros, pedindo desculpas e mais desculpas por acabar com escolas, hospitais, regiões familiares, com a justificativa de que procuravam um super-hiper-mega-líder do terror enquanto o que eles faziam? Deixavam todos os lugares por onde passavam em frangalhos, seja através de guerra armada ou políticas de sansão.

É claro que, ainda por cima, eles tornam esses locais reféns de suas exportações “humanitárias”, seja de suprimentos, seja de militares e treinamento militar. É uma lavagem cerebral mundial. Há ainda aqueles locais que são de interesse, seja por causa de seus recursos naturais, suas posições políticas, seus recursos humanos… Ou tudo isso; esses se tornam seus pontos turísticos, ou seus hospitais particulares, ou suas plataformas de petróleo… Há quem compre essa ideia? Esse enlatado? Mas é lógico! O exército estadunidense é como se fosse Os Vingadores para algumas pessoas, não tenho dúvidas disso, e o tosco do Capitão América está lá pra deixar isso bem claro.

Até porque é mais fácil acreditar neles do que em nações com costumes tão diferentes dos nossos, com línguas que mal entendemos, e que têm sua mídia bombardeada antes mesmo que possamos ver uma contrapartida ao que a mídia branca ocidental publica sobre as guerras intermináveis contra as mais diversas vertentes árabes. E tudo, geralmente, em nome de deuses. Cada qual com o seu. E aí também temos dificuldade de aceitar religiões diversas ou ausência de religiões. Em breve, nos cinemas, séries, livros e videogames, a verdade que eles querem que vejamos será mostrada.

Mas por que eu jogo games de guerra, então? Porque eu sei fazer uma crítica em cima daquilo que vejo no mundo da fantasia, e acredito que boa parte daqueles que adquirem o jogo também deveriam ter essa condição, haja vista que têm acesso a mesma internet que eu tenho e consequentemente a mesma informação. Caso contrário, eu estou aqui pra propor esse contraponto, e eu poderia muito bem ficar de boas sentado na minha cadeira esperando a Ubisoft me patrocinar (né amigo?), porque eu amei toda dinâmica de alteração das armas, visto que eu adoro a mecânica e a tecnologia de guerras (embora eu deteste armamentos, guerras e ache o investimento nisso uma babaquice nonsense), mas não é esse meu intuito. O FFC está aqui pra questionar sempre.

Depois de todo dito, e espero que pelo menos uma pessoa de todas que lerem reflita sobre, eis o gameplay do modo solo que foi publicado pela IGN, nele é possível ver muita coisa bacana sobre a dinâmica do jogo que não é nada engessa, e como ele está bonito (após o vídeo comentários):

Comentários sobre o gameplay:

Massa, hein? Quero ver como funciona o modo cooperativo, mas em geral é realmente muito bem feito: a inteligência artificial é muito espertinha (como citado pela IGN no pré-review); as possibilidades de caminhos, personalização de personagem e armamento parecem ser quase ilimitadas; mas uma coisa me faltou aqui: PvP. Eu realmente preciso que, em pelo menos uma área desse mapa enorme (como ocorre em The Division), seja liberado player versus player. Na realidade o que seria mais lindo é que servidores específicos fossem lançados num modo PvP, onde vários grupos de pessoas pudessem fazer suas missões cooperativas ao mesmo tempo e correr o risco de se encontrarem no meio da treta, causando uma treta maior ainda.

Daí, se você não quer jogar nesse modo, você simplesmente não entra nesses servidores, e é claro que a Ubisoft teria que implantar algumas regras pra que esse paranauê funcionasse, senão grupos entrariam nos servidores única e exclusivamente para estragar missões (e isso seria ruim?). Bem, vários modos de servidores poderiam ser implantados, essa é que é a verdade, basta ser criativo e saber entreter o gamer.

Foi-se o tempo em que jogar era algo engessado e decorado, a cada hora que você entra em uma partida, ela deve ser única e te dar uma sensação de satisfação e diversão singular. Além disso, as empresas que não se derem conta de que cada gamer tem sua especificidade vão acabar ficando para trás. É preciso criar, dentro de um jogo, vários universos para vários tipos de pessoas para que você possa atender não apenas um grupo, mas vários.

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