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Se você não é um entusiasta da cultura de pista, talvez o seu conceito de DJ seja algo meio vago e ligeiramente banalizado. Você pode achar que o DJ é um mero animador de festas, um prestador de serviços, que está ali para divertir o público e tocar o que você e seus amigos querem ouvir. Você até entende que tem uns malucos como David Guetta e Avicii que ganham uns milhões de euros pra apertar uns botões, sem entender direito o que esses caras fazem de tão especial. Você pode, inclusive, achar estranho quando ouve alguém dizer que vai ver a performance de um DJ. Se for o seu caso, você provavelmente sequer ouviu falar em cultura de pista, ou cultura DJ. E, bem, acho que é pra isso que estou aqui, escrevendo essas palavras.

A convite do amigo Paulo Carvalho, inauguro aqui um espaço mensal pra compartilhar com vocês, leitores do Fast Food Cultural, o que de melhor estamos produzindo em nosso canal, o LOFT55 — um site que, através de uma cobertura centrada no underground nacional e local, se propõe a lutar pelo resgate dos valores da tal da cultura DJ, que, no Brasil, sobretudo em cidades mais provincianas, como Porto Alegre, onde moro, ainda é pouco compreendida. Nós estamos no começo do projeto e não temos lá grandes estrutura, mas, na base da herança punk do do it yourself, vamos fazendo o possível, e já conquistamos coisas bem bacanas.

Porque em contraponto à figura do DJ “prestador de serviços”, referida no primeiro parágrafo, existe uma cultura que gira em torno de DJs artistas e de pistas de dança regidas por valores de democracia, comunhão e transgressão — pequenas repúblicas que desafiam os valores tradicionais da sociedade ao se deixarem levar ao transe induzido pelo xamã moderno, que é o DJ artista. A cultura de pista é, portanto, dona de uma complexidade e de uma riqueza histórica que vai completamente de encontro com o estereótipo do DJ-língua-pra-fora-e-mãos-pra-cima. Se isso tudo pra você é completamente novo e desconhecido, pode achar que estou exagerando; lhe convido, então, a seguir aqui a minha coluna e, quem sabe assim, descobrir um mundo novo.

Começamos hoje com uma seleção de algumas de nossas matérias de maior destaque nestes nove meses de LOFT55:

A mensagem:

Primeiro texto do site, é o nosso missão-visão-e-valores; faz uma síntese da história do lendário Loft de David Mancuso, em Nova Iorque, que sedimentou a base da cultura DJ, e depois explica, grosso modo, onde tudo isso foi parar atualmente.

“Ali seguiu-se desenvolvendo a ideia do DJ artista; o DJ que cria, recria, mistura e costura; o DJ condutor entre música, cultura — mensagem — e pessoas. Assim, o modesto Loft foi nada menos que pedra fundamental do club moderno e embrião da cultura disco — cultura essa que culminaria na noção de uma música-feita-para-dançar, desenhada por e para DJs e direcionada à casas noturnas recheadas de negros, brancos, latinos, judeus, gays, heterossexuais, trabalhadores, boêmios e bon-vivants. Pistas de dança do submundo que rompiam fronteiras sociais através de diversão e escapismo.”

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Relatos de um Fim de Século; a história do último club porto-alegrense a celebrar a cultura DJ:

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A recente morte de Sílvio Freitas, dono do lendário Fim de Século, em Porto Alegre, nos levou a investigar o que o club e seu respectivo fechamento representaram. Uma matéria colaborativa, colhendo diversos depoimentos de pessoas que viveram a cena, e que alegam ter sido aquela a época de ouro da cultura de pista da cidade. Esse é, até hoje, nosso texto de maior destaque.

“O Sílvio era a representação de um empresário de vanguarda e o Fim de Século o fruto dessa vanguarda. Ambos à frente do seu tempo.”

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DANÇAR É UM ATO POLÍTICO – Documentário sobre os coletivos de festas que estão revolucionando SP:

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O documentário O QUE É NOSSO — Reclaiming the Jungle revela como coletivos do underground paulistano iniciaram um movimento de democratização da pista de dança, levando não somente as festas de dance music — até então caras e elitizadas — para a rua, mas ocupando lugares marginalizados e colaborando com a justiça social. Não é exagero dizer que esses grupos, através dos ideais da cultura DJ, revolucionaram São Paulo.

“Uma pista de dança é uma ação coletiva, fazendo de você um participante ativo. Você está criando o evento, e não apenas o consumindo. Um bom DJ pode suspender a realidade. Dance a sua música e você se esquece das suas contas não pagas e da sua luta por promoção. Você adia tudo aquilo que mantém a roda das nossas democracias capitalistas girando, e as troca por necessidades mais humanas – ou animais.”

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O furacão EDM:

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Você provavelmente já se deparou com o termo EDM, certo? Inicialmente apenas uma sigla para Electronic Dance Music, passou a representar o bilionário mercado de música eletrônica norte-americano, que elevou a música de pista, mais do que nunca, à cultura de massa. O resultado? Destruição.

“Guetta fala em “fim de um ciclo”, quando na verdade a melhor analogia seria o fim de uma bolha. Bolha essa que se expandiu incontrolavelmente até estourar, apesar de estar preenchida com nada. Há muito tempo que a cultura EDM não era mais sobre música, mas sobre fama, estrelato e reconhecimento. O som como um todo sempre foi jovem, imaturo, superficial e, acima de tudo, hedonista.”

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O DJ APOENA conta como é ser um dos poucos brasileiros na indústria do vinil:

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Trocamos uma ideia com Henrique Casanova, o APOENA, DJ, produtor e fundador do selo de house e techno Allnite Music, que já chegou ao top 10 nos charts da Juno. Henrique é um dos poucos produtores brasileiros que lançam exclusivamente em vinil, e nos contou as mazelas do ofício, sobretudo como o seu trabalho é pouco valorizado no Brasil.

“O mercado brasileiro não tem a indústria do vinil como um universo de prestígio. Tu lança um disco animal, o disco figura bem nas listas de venda, entra em chart de gringo casca grossa, mas não faz muita diferença.”

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Infelizmente, ainda é necessário perguntar: onde estão as garotas na dance music?:

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Machismo ou diferenças genéticas? Apesar de cada vez mais mulheres entrarem no ramo, ainda é necessário fazer o questionamento do porquê de o universo DJ ser quase que majoritariamente um “clube do bolinha”. Através de análises de outras matérias e de fatos isolados, demos nossa contribuição ao debate.

“No livro Last Night a DJ Saved My Life, de 1999, os autores Bill Brewster e Frank Broughton já levantavam a questão, afirmando que até a explosão do acid house no Reino Unido dos anos 1990, praticamente não havia mulheres DJs. Avançamos 15 anos no tempo, e embora as moças tenham conquistado muito mais espaço, a diferença segue avassaladora. Já parou pra pensar em quantos dos seus DJs e produtores favoritos são mulheres, ou em qual a porcentagem de mulheres responsáveis pelos DJs sets mais memoráveis da sua vida?”

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RAVE ALARM #4 – Cybermanos:

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Mais uma história em que a relação da cultura de pista com a política é gritante; os “cybermanos” — termo originalmente de cunho pejorativo — foram um fenômeno originado nos anos 1990, em São Paulo, e que dizia respeito aos jovens de periferia que aderiram ao estilo de vida clubber e invadiram as raves. Naturalmente, sofreram preconceitos diversos.

“O surgimento dos cybermanos coincide com a instituição do Plano Real no Brasil, programa de reforma e estabilização econômica criado em 1994, durante o governo Itamar Franco, com o objetivo de controlar a hiperinflação que assolava o país. A redução da inflação ampliou o poder de compra da população, facilitando o acesso a um número maior de pessoas a um tipo de conhecimento até então restrito à elite. […] Na mesma época, a música eletrônica, a cultura dos clubs e das festas raves se tornava cada vez mais popular fora da Europa e dos Estados Unidos.”

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Música de videogame [parte IV]: papo com Fabrizio Baron:

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A entrevista com o porto-alegrense Fabrizio Baron encerra uma série de quatro artigos que dissecam a influência dos videogames sobre os produtores de música eletrônica contemporâneos. Como clubber fã de disco house e doente por videogames, Baron tem conhecimento de causa nas duas esferas, e rendeu um papo interessantíssimo, além de recomendar suas trilhas de games favoritas.

“É difícil encontrar pessoas que não pensem em videogames como um mero apertar de botões competitivo e viciado em scores, assim como os que ainda enxergam o DJ como alguém que só ‘aperta botões’.”

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A história do primeiro label de techno da Coreia do Sul é uma inspiração para todos nós:

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Depois de muita luta, o DJ sul-coreano Unjin Yeo conseguiu difundir o techno em Seul, tornando-se um dos principais artistas orientais a dialogar musicalmente com o Ocidente. Sua história é verdadeiramente inspiradora, pois revela uma pessoa que tinha as mesmas dificuldades que nós: um entusiasta da cultura de pista querendo viver de sua arte, mas morando em um local com pouquíssima estrutura. Em vez de apenas reclamar, contudo, ele foi lá e fez.

“O exemplo de Unjin é um tapa na cara daqueles que ficam em casa, resignados, reclamando da cena local. Como ele bem fala, ‘há dois tipos de profissionais: aqueles com talento e os loucos pelo que fazem. Como já existem muitos com talento, prepare-se para morrer na rua sem dinheiro, caso contrario não irá a lugar algum!’”

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O DJ e produtor ccccchaves está a poucos passos de conquistar o Brasil:

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Logo depois do lançamento de seu último EP, trocamos uma ideia com o DJ, produtor e artista visual que é um dos principais expoentes da cena eletrônica alternativa de Porto Alegre — Rafael Chaves. Com 15 anos de estrada, ele passa longe de ser uma jovem promessa, mas vemos nele potencial e qualidade para estourar nacionalmente.

“Vivo entre o ‘eletrônico’ e o ‘hip hop’, mas um acaba influenciando o outro. Acho que com os anos a sonoridade própria vai aumentar, então, independente do estilo, a alma e a característica serão semelhantes. Acho que jamais ficarei preso a um gênero. Gosto da variedade e do desafio de criar estilos distintos.”

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A discoteca de Chaves e Chapolin:

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Partimos agora de um Chaves para outro; como forma de homenagear o então recém-falecido Roberto Bolaños, selecionamos as dez melhores disco tracks que marcaram a versão brasileira dos nosso queridos Chaves e Chapolin. Sim, até mesmo Chespirito tem relação com a cultura de pista!

“Provavelmente extraídas de discos de trilhas brancas, o SBT teve um bom gosto gigantesco ao selecionar as músicas de fundo, quase sempre assinadas por compositores ingleses. Mas além da musicalidade riquíssima, elas marcam uma era; os seriados de Bolanõs nasceram nos anos 1970 e foram importados ao Brasil no início dos anos 1980. Natural que boa parte da trilha tivesse bastante influência de funk, de soul e, principalmente, de disco music, que nasceu e dominou o mundo entre o mesmo período.”

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Um papo com o DJ Magal, nome fundamental do DJismo brasileiro:

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Entre as tantas entrevistas que já lançamos, essa é especial por se tratar de um papo com um nome até não tão conhecido, mas um dos mais relevantes da cultura DJ do Brasil. O DJ Magal tem uma história riquíssima como um dos pioneiros do nosso País, e começou a carreira por acaso, mixando pós-punk e new wave em fita cassete.

“O Madame Satã foi uma das casas pioneiras da cultura clubber no Brasil. A gente fazia os punks dançarem Blue Monday, do New Order.”

Leia mais (parte I)… 

Leia mais (parte II)…

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