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Primeiro, uma pequena contextualização de cenário aqui: numa quinta-feira qualquer, meio frio, estava eu apenas lendo meu feed do Facebook e comendo melancia quando me deparo com a notícia “xxxx speaks up against fat shaming video”. Bom, não preciso dizer que minha melancia quase perdeu toda a magia, pois pensei “há alguém falando mal dos meus bolinhos e das minhas bolinhas na internet? Conferirei”.

Ao som de minha diva que não tem medo de seus quilinhos – Kelly Rainha Clarkson –, fui atrás de mais fontes sobre o falado vídeo de fat shaming. Acho interessante partir do preceito de que caracterizar alguém como gorda ou gordo será usado sempre como característica. Gente, gordo é um adjetivo, não um carma. Quem me conhece sabe que eu sou gorda. Não fofinha, não forte, entroncada… Gorda mesmo. E não é nada sobre “já testou a tireoide?”, é mais a ver com família húngara e italiana, uma vó doceira e nunca ter preguiça de cozinhar. Logo, eu como. Não tenho vergonha de dizer isso.

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O vídeo postado pela youtuber Nicole Arbour (sorry, who?) encoraja o ato de praticar fat shame. Uma breve explicação sobre o que caracteriza o “fat shame”:

  • Fazer outra pessoa ou a si sentir vergonha pelo peso ou tamanho que possui;
  • Rir de outras pessoas por causa de peso;
  • Bullying direcionado ao peso.

Entre muitas outras coisas, o fat shame é caracterizado pelo ato de fazer outra pessoa se sentir desconfortável sendo quem é. Se isso, por si só, já é ruim, piora. Lendo sobre celebridades, outras youtubers (não encontrei nenhum vídeo feito por meninos, se vocês conhecem algum youtuber que seja gordo, por favor, me apresentem) que responderam ao vídeo e diversas matérias que tomaram portais de notícia na última semana, me deparei com uma ideia que se repetia: o fato de que o termo fat shame foi criado apenas para pessoas obesas se esconderem atrás de uma vitimização e continuarem vivendo a suposta vida não saudável delas.

Certo. Primeiramente: vou fazer um chá de hibisco para nós porque não vou conseguir passar por isso sem algo para molhar a garganta. Segundo: quem sabe a gente tira a mão do mouse e para de tomar na cara para poder tomar vergonha? Sim. UMA DOSE DE BOM SENSO PRA TODA A GALERA QUE DIZ QUE FAT SHAME É UM ESCUDO DO GORDO. PODE COLOCAR NA MINHA CONTA, GARÇOM!

Quebrando em primeira mão a ideia de que isso seria apenas uma criação infundada, deixo aqui um trecho traduzido da definição do fat shame que se encontra como o mais curtido no Urban Dictionary:

“Fazer fat shame é tirar sarro de alguém que está acima do peso, ou alguém dizendo que eles são inúteis, imprestáveis, preguiçosos ou nojentos por estarem acima do peso. Como a maioria dos termos, ele foi retorcido por neofeministas radicais para significar algo completamente diferente. Sob a significância das NFR, fat shame quer dizer ‘fazer com que uma mulher acima do peso se sinta de qualquer maneira desconfortável, normalmente falando a ela que há algo errado com seu peso’. Isso infelizmente inclui médicos dizendo para elas perderem peso por questões de saúde e sugerindo dietas ou amigos dizendo que as roupas dela estão muito apertadas, até mesmo homens educadamente dizendo não a encontros porque eles não as acham atraentes.”

Por onde a gente pode começar? Certo, concepção social (vou deixar de lado o fato de que a pessoa que escreveu o texto caracterizou e hostilizou mulheres porque não tenho chá de hibisco para nós e espaço para um texto tão grande. Só guardem bem no coraçãozinho de vocês que eu vi isso e que a gente ainda vai voltar nesse assunto no futuro). Se o texto acima não torna verídica a existência desse preconceito latente, posso dar outros exemplos. O mais claro é a mídia, onde, por exemplo, pessoas que trabalham com a imagem são instruídas a perderem peso para não passarem uma ideia de desleixo. O ato de ser gorda ainda é muito atrelado a algo enraizado no imaginário de uma parte predominante da população. Em leituras feitas há algum tempo atrás, lembro-me de me deparar com relatos falando em sites pró-anorexia que tomavam 4 à 5 banhos por dia porque ser fazia com que se sentissem sujas e sujos, fedorentos e fedorentas, e até menos socialmente humanas e humanos, como se gordura corporal afetasse a capacidade de socializar. Bolinhas e bolinhos, não escrevam isso na internet, é ruim, é feio e não faz sentido.

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Fat shame não pode ser um escudo porque é algo que expõe pessoas e que as deixa em um centro de atenção que não querem. E, em algum momento eu usei a palavra “obeso” além de na descrição encontrada na internet? Não. Porque ser hostilizado não tem relação ao caráter médico, mas sim ao estético. Obesidade, sobrepeso e todas as outras definições são termos médicos. Chega a ser irônico como as pessoas fogem de números na faculdade, por exemplo, e ficam guiando a vida delas por isso. Sobre o tamanho da calça jeans, a caloria de um prato de comida ou o peso da massa corporal mostrado na balança.

Assim como outros preconceitos presentes na sociedade atual, creio que ainda levará um certo período de tempo para o fat shame ser visto da maneira como o bullying já é visto, por exemplo. Com seriedade e preocupação.

Seguindo essa linha, gostaria de lembrar aos meus bolinhos e bolinhas que setembro foi o mês de prevenção ao suicídio. “Mas mãe bolinho, por que lembrar isso em um texto sobre fat shame?”, porque, meus bolinhos e bolinhas, os efeitos do fat shame são diretamente mentais, atingindo psicologicamente a pessoa que sofre com isso. E o que a gente já aprendeu com muitos vídeos, documentários e matérias em jornais? Isso mesmo, que pessoas tristes não conseguem viver bem. Então, se vocês fossem todos cupcakes, mamãe bolinho colocaria fitinhas amarelas em volta de vocês para que toda a nossa família possa lutar contra todas as causas sociais que hostilizam partes da população e poder deixar tudo melhor e mais bonito.

Lembrem: nós somos feitos de carbono combinado com outros diversos compostos químicos. No fim, somos todos bolinhos e bolinhas de pó de estrela, sacam? Então, se é maior ou menor, deixem serem felizes sendo estrelas. Okay? Beijinhos com gosto de melancia!

joker

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