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Ilustrador porto alegrense vai receber o Troféu HQ Mix em setembro:

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Com uma carreira recheada de bons trabalhos, Rodrigo Rosa se dedica aos quadrinhos desde os quatorze anos, e segundo ele, sempre foi o que quis fazer. Recebendo seu segundo Troféu HQ Mix na categoria Adaptação com a obra Grande Sertão: Veredas, com roteiro de Eloar Guazzelli, publicado pela Editora Globo, Rodrigo é um artista que submerge em seus projetos com total entrega, fazendo do processo de pesquisa visual um aprendizado histórico, social e cultural dos períodos nos quais mergulha para trazer a tona suas ilustrações reais e carregadas de significado.

É por um trabalho assim, de indiscutível qualidade e muita personalidade, que Rodrigo já integra o panteão dos grandes ilustradores brasileiros. Obras clássicas da literatura brasileira fazem parte do caminho de Rodrigo, como ”O Cortiço”, ”Memórias de um Sargento de Milícias”, ”Dom Casmurro”, ”O Sertões”, este último em parceria com Carlos Ferreira que assumiu a hercúlea missão de transportar o famoso texto de Euclides da Cunha para um roteiro dinâmico e viável de história em quadrinhos. Rodrigo também produziu uma série de ilustrações sobre inúmeras lendas do folclore brasileiro, assim como muitas HQ’s, incluindo a Revista Picabu.

Página da Revista Picabu nº5 por Rodrigo Rosa.

Página da Revista Picabu nº5 por Rodrigo Rosa.

Entrevista:

Qual foi aquele momento que tu soube que queria viver fazendo desenhos?

Na verdade eu sempre soube que queria trabalhar com quadrinhos, nunca pensei em outra coisa, a não ser quando era bem mais novo e também quis ser jogador de futebol (risos).

Na tua opinião, o que é um desenhista e o que é um ilustrador?

Bom, existem as definições de cada um, mas eu acredito que o termo mais abrangente seja cartunista. Eu mesmo não me vejo só como ilustrador ou quadrinista, acho que é legal não estar preso a uma área ou outra, gosto de alternar os meus trabalhos e poder trabalhar em cada uma dessas coisas.

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Ilustração de Rodrigo Rosa.

Qual artista ou produção/obra mais te marcou quando tu começou a desenhar?

Quadrinhos. Com certeza foram os quadrinhos, desde sempre, eu sempre fui daqueles que lia, prestava atenção nos nomes dos desenhistas, roteiristas, sabia que tinham nomes por trás daqueles trabalhos. Os irmãos John e Sal Buscema e os quadrinhos do Conan foram bem importantes pra mim, sem dúvida. Assim como são grandes referências as coisas que vieram mais tarde e hoje são muito importantes pra mim, nomes como Alberto Breccia, Hugo Pratt, Carlos Nine…

Tu já trabalha há algum tempo com adaptação de obras clássicas da literatura brasileira. Como começou esse trabalho? Havia algum interesse teu?

Então, eu já havia feito alguns trabalhos de adaptação, mas foi a indicação de alguns amigos que trouxe um projeto maior como Os Sertões. Na verdade a coisa começou a surgir quando o governo federal através do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) disse que os quadrinhos deveriam fazer das aquisições das escolas, então as editoras começaram a abrir projetos com essa intenção e as adaptações foram surgindo. O mercado ficou maior e existem mais oportunidades de trabalho.

Troféu HQ Mix, Grande Sertão: Veredas. Como foi fazer este trabalho, e como é ganhar o prêmio por adaptação pela segunda vez? ( a primeira vez foi em 2011 por Os Sertões – A luta)

O projeto ao todo levou 2 anos, sendo que produção foram 8 meses, foi um trabalho super extenso, era um projeto grande da editora e teve bastante tempo de negociação. Na verdade é o terceiro Troféu HQ Mix, mas o segundo em Adaptação, um amigo meu comentou tempos atrás que era só isso que eu fazia agora (risos). Eu até prefiro alternar os tipos de trabalho, mas também preciso me manter com isso, então nem sempre é uma questão de escolher fazer, é o meu segundo trabalho pela Editora Ática e ela trabalha bastante com esses projetos de adaptação de obras literárias, e já tem um mercado nas escolas. Vou fazer meu terceiro trabalho com eles e com certeza será bem proveitoso. O próximo será Macunaíma e desta vez vou fazer também o roteiro, de certa forma vai acabar sendo um trabalho diferente dos outros e estou bem empolgado.

O que mais te chamou atenção, ou o que tu não sabia e aprendeu trabalhando com graphic novel de obras literárias?

Bom, essa coisa da técnica, do desenho, a gente já tem, já sabe, claro que sempre existe uma evolução nisso, a gente nunca acha que está tão bom como pode ficar, mas com certeza o que eu mais aprendo é com a pesquisa, o jeito como as coisas funcionavam num determinado período, coisas que fizeram aquela sociedade em específico, processos da cultura brasileira, essa parte com certeza é onde sempre se aprende algo.

Em HQ qual o trabalho que tu mais curtiu fazer?

Revista Picabu nº 5. É um projeto extinto já, mas essa revista foi muito legal pra mim. Sou contra a histórias biográficas, sempre achei que o quadrinho tinha que ser sobre qualquer coisa, menos sobre a minha vida. E aí que nessa edição resolvi contar a história de uma viagem minha e foi super legal, daí acabei fazendo algo que eu dizia que não faria nunca (risos).

Recentemente tu participou de um evento, a Mostra SESC de Literatura contemporânea. O que significa pra ti, como quadrinista, ser convidado a falar num evento de literatura?

Na verdade foi super tranquilo, porque é um meio conhecido, editores, ilustradores, a gente acaba conhecendo todo mundo, no geral é bom de fazer. Não tem pra mim essa coisa muito intelectual, não acho que tenha muita coisa por trás disso. acredito que o quadrinho é um trabalho por si só.

Pois é, como funciona isso de ter um livro, que seria o ”original”, um roteiro em cima disso e produzir o quadrinho. Onde tu te foca mais pra produzir as ilustrações?

Antes de ter o livro e qualquer outra coisa, é preciso ter um bom quadrinho. Quando começo meu trabalho é nisso que eu penso: em ter um bom quadrinho, um quadrinho de qualidade e que funcione por si só. Claro que as referências são importantes, e tem que ter a pesquisa para fazer o quadrinho da maneira adequada, mas ser fiel ao livro não quer dizer fazer um bom quadrinho, porque a história em quadrinhos possui a sua própria linguagem e é isso que é importante que funcione na hora de adaptar uma história. Tento ter em mente que sempre estou fazendo uma coisa nova mesmo tendo um livro, é fundamental traçar o quadrinho como um coisa autoral e não como uma cópia desenhada.

Quem não trabalha com criação quase sempre acredita que tudo é inspiração. O que tu tem a dizer para quem está começando agora e ainda não sabe se vale a pena trabalhar com desenho?

É sempre uma luta. Mas também não tem nada fácil, e isso não tem a ver com a profissão que tu escolhe. Tem que ter dedicação, talento. Pode parecer cruel dizer isso, mas ouvi o Ziraldo falando uma vez numa palestra ali no Salão de Atos da UFRGS, ”eu nunca vi um artista de talento que não conseguisse o seu espaço no mercado”. E isso é bem verdade, se a pessoa tem talento e tá comprometida com aquilo, então as oportunidades vão surgir. Trabalho, talento e sorte. Acho que é isso, eu tive sorte também, algumas oportunidades com certeza eu tive desta forma. Faço quadrinho desde meus quatorze anos, ano que vem fará 30 anos que trabalho com isso, se alguém está esperando ganhar muito dinheiro, então escolheu a profissão errada. Eu tenho conforto, acredito que tenho todas as coisas que sempre quis, talvez eu não quisesse as coisas mais valiosas que se pode ter, mas com certeza tenho tudo que desejei. Hoje em dia é possível para mim viver alguns meses do ano apenas de direitos autorais, mas nem sempre foi assim, é um caminho. Então acho que é isso: trabalho, talento e sorte.

Saideira:

Quero encerrar esta matéria agradecendo ao Rodrigo, por aceitar meu pedido para falar sobre o seu trabalho, pela disponibilidade de me ”receber” via skype numa manhã de trabalho para esse bate-papo. E reiterar minha admiração por todos aqueles que seguem em frente e constroem seu lugar ao sol através da criação, termino aqui como uma frase da nossa conversa que se refere justamente a busca de aprimorar o próprio desenho: ”Apenas os idiotas estão satisfeitos.”

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Quem é Rodrigo Rosa?

Artista Gráfico, ilustrador, quadrinista e cartunista.

Formado em Jornalismo pela PUC.

Trabalho mais recente: Grande Sertão: Veredas; graphic novel;2015.

Você encontra mais da arte de Rodrigo Rosa no SITE dele e em seu FACEBOOK profissional. 

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