Esse prato não sairia do forno sem o financiamento de: Tiago Pariz Almeida!
Quer ver seu nome aqui? CLIQUE e saiba como.


Ridley Scott está mais uma vez tentando emplacar um filme épico, e eu como fã estou mais uma vez empolgado com a possibilidade de termos um filme classudo vagando pelas telas grandes e pequenas, todavia não posso deixar de observar que os últimos anos da carreira do diretor não tem sido lá grande coisa.  Claro, já citei isso por aqui antes, citei também que o cacife dos atores que puxam o filme é outro, muito superior, no geral, a Cruzada, especialmente os papéis de protagonismo. Christian Bale é infinitas vezes um melhor ator que Orlando Bloom, por exemplo (que me desculpem as pessoas que o admiram), e Sigourney Weaver é infinitas vezes melhor atriz que Eva Green (embora eu ame as duas igualmente).

Mas, apesar da qualidade indiscutível do elenco, vocês não acham que eles estão muito branquinhos? Pois é, como todo mundo sabe, ou pelo menos deveria saber, o pessoal daquela região do mundo não é conhecido por ter pele clara, mas sim, em sua maioria, de parda pra negra, muito mais negra do que parda (e Jesus, se existiu, também não era aquele cara branquinho dos olhos claros que aparece nas estátuas e imagens, amores, não mesmo). Isso é um problema? Claro que é, na realidade é um absurdo.

Numa industria que já escanteia negros, pardos, latinos, mulheres, homossexuais, trans*, idosos… Me lançam um filme que se passa numa região composta de uma variedade étnica absurda, com gente que passava o dia todo tomando sol no lombo, e eles são brancos? Gente, não, tá errado, muito errado. Uma coisa é você enfiar essa gente dentro de Gladiador, que se passa em outra região do mundo, essa sim composta por maioria branca, outra coisa é você retratar o Egito com a mesma galera branca. TÁ ERRADO, RIDLEY SCOTT.

Logicamente ele foi questionado sobre o assunto, sobre a gritante falta de bom senso (tem bons atores de sobra com as características necessárias), e qual foi a resposta?

I can’t mount a film of this budget, where I have to rely on tax rebates in Spain, and say that my lead actor is Mohammad so-and-so from such-and-such…

Nessa montagem feita pelo hiddencolorsfilm.com podemos notar os papéis que sobraram para os negros do filme: assassino, ladrão, servente, cidadão de classe baixa...

Quem são os negros do filme: assassino, ladrão, servente, cidadão de classe baixa…

I’m just not going to get it financed. So the question doesn’t even come up.

A resposta é tão ignorante e desnecessária que eu acredito que o filme deveria ser boicotado, e pra quem não manja dos inglês eu vou resumir a resposta: “Eu não posso contratar o Mohammad Não-sei-o-que, de onde  judas perdeu as botas, porque eu não vou conseguir financiar o filme”. E aí eu fico pensando no próprio Christian Bale, imagine se as pessoas considerassem esse mesmo dito direcionado para ele? Lá quando ele fez O Operário. Qual a diferença de Bale para o “Mohammad Não-sei-o-que”? BALE É BRANCO! BINGO!

Tá cheio de Mohammad competente por aí, Sr. Scott, e não me venha com essa desculpa esfarrapada, por que quem era Orlando Bloom na época de Cruzadas? Um elfo que aparece meio segundo por filme? Um pirata que mal faz diferença em outra franquia? Não, ele é BRANCO. E tem mais uma coisinha importante que derruba essa desculpa: Scott é um dos produtores do filme, ele é um dos que está financiando, ele caga dinheiro, e, acima de tudo, Ridley Scott não precisa mais de ajuda para financiar suas ideias, ele, por si só, é a carta de apresentação de suas produções. Com isso, chega ser incrível que ele use dessa desculpa para tratar do assunto, e agora, para encerrar, confira o trailer/comercial abaixo, cheio de protagonismo branco:

PS.: notem a presença do logo da Scott Free no início do trailer, adivinha de quem ela é?

Achou nossa mensagem importante e quer que ela chegue em mais pessoas? Ajude o Fast Food Cultural a crescer, seja um financiador! Você pode contribuir com o projeto através do Patreon ou Apoia.se, acesse os links, confira nosso vídeo, nossos objetivos, leia outros textos nossos e faça parte da nossa família.