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Foi com alguma surpresa que recebi, ao final da tarde de ontem, a notícia de que Emma Watson interpretaria a Bela, de A Bela e a Fera, num live-action produzido pela Disney. Surpresa porque “princesas Disney” parece bater de frente com os ideais que ela prega, haja vista que ela tem algum engajamento feminista e já promoveu alguns discursos acerca do assunto. No entanto, aquele vídeo de chamamento dos homens para a causa do feminismo já tinha uma série de problemas, considerando que, talvez, a preocupação maior poderia ter sido empoderar as meninas que a seguem ao invés de ambicionar a simpatia dos homens pela causa.

Agora, ela é confirmada para o papel em questão. Sabemos que as “princesas Disney” trazem consigo um amontoado de ideias machistas que muitas pessoas não conseguem enxergar (nem quando crianças, nem na fase adulta). A questão mais grave é a promoção da necessidade das mulheres desses desenhos de obter um salvador, no caso, um homem: o príncipe que vai tirá-la da inércia e fazê-la feliz, e só assim ela vai encontrar um caminho de emancipação. O posicionamento feminista de Watson, espero, não abriria brecha para esse tipo de representação, especialmente se compartilhada com crianças e mulheres que, muitas vezes, acabam por não problematizar quão grave é essa criação de mulheres inferiorizadas.

Entendemos que, na vida adulta, é possível apreciar os desenhos da Disney com crítica a nostalgia. Contudo, devemos manter em mente que essas animações são problemáticas e deveriam, cada vez mais, ser adaptadas da forma menos nociva possível. Isso é tão verdade que os novos longas da empresa têm investido em mulheres mais independentes dos homens que as cercam, como é o caso de A Princesa e o Sapo, Valente, Enrolados e Frozen. Eu espero, considerando isso, que o posicionamento de Watson não gere conflitos entre ela e a casa do Mickey, e que a empresa agarre com ela, ainda mais, a oportunidade de mudar de uma vez por todas essa mentalidade de que as mulheres só são completas quando salvas por um homem. Eu espero, também, que ela e a empresa construam uma Bela mais forte que a da animação, muito menos dependente de seu príncipe, e que a divulgação do filme seja utilizada para quebrar esses paradigmas que habitam os castelos do Mundo de Disney.

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