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Estou impressionado com a quantidade de gente domesticando outros bichos que não gato e cachorro, daqui a pouco a gente vai ter superpopulação de ratos abandonados, coelhos, mini coelhos, mini porcos (vocês sabiam que esses bichinhos fofis são resultado de uma linhagem selecionada pra não crescer? Que eram/são usados como cobaias laboratoriais? Ah, pois é, que lindo, né?), aranhas diversas, lagartos diversos, porque o çerumanu é um doce (“Ah, a gente não vai abandonar, Paulo!”). Daí até consultórios veterinários se adequarem pra castração de mais esses animais por causa da nossa falta de consciência, vai um século. Até lá, geraremos um desequilíbrio fenomenal pra esses bichos e para outros que estão abaixo deles na cadeia alimentar, acima, do lado, do outro… Novas doenças virão, e essas coisas lindas que a gente consegue fazer.

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Quem não se lembra dessa boçalidade típica dos anos anteriores a 90 e que, ainda hoje, ocorre?

O mais engraçado de tudo é ver, entrando nessa onda de domesticação, VEGANOS, VEGETARIANOS, VEGETARIANOS ESTRITOS…, esse povo sempre super positive vibes e superior e mais inteligente e mais politizado, achando muito normal ficar compartilhando a ideia em seus perfis pessoais, em seus canais, e por aí vai (“Muito fofo! Quero um!”). Já não basta o caos que criamos com gatos e cachorros (e porque não com tartarugas/cágados aqui no Brasil e, nos Estados Unidos, com cobras que nem eram de lá e viraram uma praga, especialmente no estado da Califórnia)? Vamos replicar isso pra outros bichos? Incentivando o aparecimento de criadores e suas máquinas de estupros, ou vocês não sabiam que as fêmeas de animais são forçadas ao sexo para procriar ilimitadamente contra vontade pra eles ganharem mais dinheiro? Vamos necessitar mais uma vez debater o comércio deles em lojas e seu confinamento em cercadinhos ridículos? “Existem criadores e criadores”, não, bichos não são mercadoria.

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A verdade choca, não?

Eu acho sensacional quando as pessoas se fecham numa caixa e não conseguem criticar a si e ao seu movimento (eu estou criticando movimentos que eu apoio e dos quais faço parte, diga-se de passagem, antes que algum vegano ou vegetariano venha me atacar). Pra mim, a partir do momento em que alguma coisa não tem problemas, ela passa a ser um problema, porque as pessoas se acham perfeitas e ficam ali estacionadas, sem precisar evoluir, pensar, refletir sobre aquilo que estão fazendo. Isso cabe em qualquer movimento. É sempre importante pensar em tudo antes de defender algo, pra, usando algo que tenho usado bastante em meu perfil pessoal, não ser umbiguista, do tipo “Eu quero garantir o meu, os outros que se fodam!”.

Bichos, assim como filhos e filhas, não são brinquedos, não são adornos, e ter que explicar o óbvio pra gente que já faz a reflexão de que eles não devem servir ao çerumanu para satisfazer suas papilas gustativas, é de cair o cu da bunda. Vocês querem acolher os bichos, abraçar os bichos, salvar eles, enfiar eles em suas micro casas, dar amor… Querem que as pessoas achem isso lindo! Não é! É engraçada essa nossa mania de sempre querer estar salvando algo da maneira mais errada possível, nós e nossa inútil e invisibilizadora sororidade, que universaliza as demandas e coloca pra escanteio os que mais precisam. Vamos cutucar o vespeiro: é como a mulher branca, classe média/alta, cis, hétero, não interseccional, que acha bonita a sororidade, que diz que as mulheres devem ser irmãs, unidas, que juntas são mais fortes, mas esquece, em suas manifestações, palestras e movimentos, das demandas das mulheres negras, das mulheres trabalhadoras sexuais (que precisam ser salvas, por sinal, mas ninguém vai lá saber o que eles acham/passam, pois o diploma ou a militância é que manda aqui, se eu cursei eu sei o que você precisa), das mulheres trans e travestis e, muitas vezes, das mulheres lésbicas. Empatia, senhoras e senhores, é muito mais eficaz, pessoas e animais agradecem. Muito ajuda quem não atrapalha e pensa além.

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Até lubrificante usam quando a cadela já está sangrando e não aguenta mais. É nojento!

Encerro pedindo que vocês parem de achar que bicho é brinquedo, parem de se achar os Capitão Planeta, tentem ajudar causando o menor efeito colateral possível, não importa a sua causa. Quer cuidar de bicho? Compra um sítio, quiçá uma fazenda com muito espaço (muito mesmo), e contrata um profissional (ou mais) pra ajudar. Não pode fazer isso? Procure um retiro que acolha o animalzinho e cuide dele como ele merece: sendo livre e tendo espaço. Repito: já basta o que fizemos com gatos e cachorros, algo que possivelmente não tem mais volta (a não ser que a gente suma desse planeta). Não seja irresponsável. E, mais uma vez, não compre animais.

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