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Sou filho de mãe solteira, nunca, em nenhum momento da minha vida, tive um pai presente. A ideia de dia dos pais, pra mim, sempre remete a minha mãe e minha escola infantil sempre foi muito boa em entender isso (na época de fazer os presentes artesanais, eles sempre eram direcionados a minha mãe). Lógico que existia o problema dos “coleguinhas”, que com um preconceito vindo de suas casas sempre me fizeram sentir um pouco de vergonha, que com o tempo foi passando e foi sendo substituída por uma indignação, e porque não um pouco de ódio.

Meu pai não era um filho da puta, pois provavelmente a mãe dele não tinha culpa disso e as putas são pessoas, pessoas merecem respeito e esse xingamento é machista. Machista como ele foi ao correr de suas responsabilidades, e claro que ele era casado, para completar, e logicamente não poderia prejudicar sua outra vida me assumindo como filho, menos ainda auxiliando minha mãe. Para mim, nenhuma das ações daquele homem seriam prejudiciais, se eu não fosse, também, responsabilidade dele. E ele poderia ter quantas vidas quisesse se não fosse monogâmico, eu não sou e acho isso natural, não sou dono de ninguém. Mas o homem era um completo babaca, e acho que ele ainda continua sendo, não sei se morreu. Pobre da mulher que o acompanhou lado a lado a vida toda.

Aquele homem, pai, fabricante de esperma, branco, da elite, foi completamente substituível, extremamente substituível, minha figura paterna, minha mãe, não é, e nunca será, substituível. Aquela mulher era mais do que qualquer homem poderia ter sido pra mim e ela jamais faria papel de idiota frente a qualquer situação, como a propaganda do Iguatemi sugere, minha mãe, como todas as mães solteiras, era muito inteligente, e todas elas podem viver muito bem sem um homem por perto. E ela foi parte importantíssima para que eu me tornasse o homem que hoje sou.

Qualquer mulher, solteira ou não, pode se virar sem um homem por perto, independente da situação. Qualquer mulher pode ser pai e mãe. Qualquer mulher pode dar conta dos mesmos problemas que um homem dá conta. Qualquer mulher pode ensinar as coisas que um homem ensina. Qualquer mãe solteira pode receber um presente comprado no Iguatemi Salvador no dia dos pais, embora não devesse fazê-lo. Ninguém deveria. E seria um ótimo protesto.

Falta de senso de humor, alguns canais disseram. É sempre a falta de senso de humor, e nunca o preconceito. É sempre piada. Nunca é machismo, nunca é falta de criatividade de uma publicidade falida. Tá aí o nosso componente publicitário que não me deixa mentir, várias vezes o Marcelo já tratou do assunto por aqui. É muito fácil fazer mais do mesmo, usar a má educação ao invés de replicar a instrução adequada. Que bonito seria ver o Iguatemi Salvador dizendo que o dia dos pais também pode ser dia das mães, e vice-versa.

Vice-versa: isso porque o Iguatemi Salvador já havia feito o mesmo no dia das mães, ridicularizando os pais solteiros, mas e agora Paulo? E agora que isso também é machismo, meus amores, já que o pai não pode ser “mulherzinha” e nem fazer coisas de “mulherzinha”. Além disso, é também homofobia, pois o pai que faz coisas de “mulherzinha” é também “viadinho”, e aí, meus amigos, o Iguatemi atingiu o cume da idiotice publicitária. E o “Porta dos Fundos”/seus componentes, tem decaído cada dia mais. E são um poço de preconceito. Mais um. É “Tudo pela Audiência”, nada pelo que é bom para todo mundo e não apenas um grupo isolado. Se venderam fácil, se venderam rápido, e nem precisavam.

Felizmente essas são só mais duas datas comerciais escrotas, infelizmente elas vieram acompanhadas de preconceitos.

No fim: feliz dia dos pais para quem tem pai e mãe, feliz dia dos pais pra quem tem mãe solteira, feliz dia dos pais pra quem tem pai solteiro, feliz dia dos pais pra quem tem duas mães, feliz dia dos pais para quem tem dois pais, feliz dia dos pais para quem foi criado pela avó… Feliz…

Em tempo, e com colaboração de Helen Nascimento:

O Shopping Barra, filial também de Salvador, tentou dar uma cutucada no anúncio da concorrência, mas talvez seja um pouco difícil pensar no basilar. Numa postagem em sua página do Facebook a mídia social diz: “Tem mãe que também é pai…”, mas espera, existe diferenciação no que deve aprender uma criança? Assim: “Isso você deve aprender do seu pai, isso da sua mãe, e essas coisas não podem ser ensinadas por ambos”. Pois foi o que o Barra deu a entender. Deve ter uma cartilha sobre isso em algum lugar e ninguém foi avisado. Ou será que ambos podem exercer função igualmente importante na criação de uma criança? Pra mim a resposta parece óbvia. Mais sorte na próxima, Barra.

Abaixo a imagem da postagem que o shopping fez:

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