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O poema música de Victoria Santa Cruz resume uma data que representa a luta diária do movimento negro contra a segregação assassina ainda gritante, que, ao contrário do que muitos pensam, não vai desaparecer se não falarmos nela. O Fast Food Cultural, pautado em ideais que o acompanham desde o primeiro dia, luta diariamente para que se pare de ignorar a amplitude de determinados problemas. A consciência é negra porque ela, infelizmente, necessita ser. A consciência não é branca porque ela nunca precisou ser.

É o negro que não passa em entrevistas de emprego por ser negro; é o negro que não consegue namorar uma menina por ser negro; é a negra que não consegue namorar o menino por ser negra; é o negro que chega na sua sala de aula e é recepcionado com uma banana em cima de sua mesa; é o negro que “cheira diferente”; é o negro que tem “cabelo ruim”; é o negro que tem que se adequar ao mundo branco; é o negro que guarda os sub-papéis no cinema; é o negro que dá origem ao rock e tem seu crédito tomado por um branco; é o negro que some no meio da literatura, é o negro que sempre ganha menos mesmo estando exercendo a mesma profissã; é a mulher negra que serve de troféu sexual para o turista branco, é o negra que é empregada doméstica por falta de opção; é o negro que faz serviço de má qualidade, “serviço de negro”; é o negro que lidera os índices de mortalidade no país; é o negro que não consegue entrar na universidade por não ter tido as mesmas oportunidades; é o negro o primeiro a ser revistado; é o negro o único a ser seguido no supermercado; é o negro que quando corre gera suspeitas “Pega ladrão!”; é o negro que é taxado de preguiçoso; é o negro que precisa só querer trabalhar; é o negro que tem que pegar uma enxada e parar de mamar nas tetas do governo; é o negro que apanha da polícia; é o negro que “não quer ir pra escola”; é o negro que “não se esforça”; é o negro que “não quer aprender a pescar”…

A luta do movimento negro não terá fim enquanto não houver igualdade racial e justiça, e continuará sendo martelada na cabeça dos brancos que insistem que a segregação não existe; martelada como os senhores da casa grande mandavam os capitães do mato fazerem com os grilhões. Martelada até ficar bem presa na cabeça de quem ignora uma culpa do passado que vem se arrastando até o presente. Essa culpa é nossa, porque nós continuamos ignorando o barulho ensurdecedor do apertar dos grilhões e o zunir dos chicotes, que só trocaram de nome, mas são usados com a mesma violência doentia e sanguinária de outrora.

“NÃO RECUEM MAIS! AVANCEM SEGUROS!”

*A arte de capa é de Carlos Latuff.

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