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O texto contém um PEQUENO SPOILER que pode ou não interferir na sua experiência (embora eu acredite que não vá interferir), além disso, se você não assistiu, não veja a cena pós crédito no pé do post.

Pois é, família tradicional brasileira, aceitar um personagem dos quadrinhos levando de quatro com uma cinta caralha usada pela namorada pode ser um tanto complicado. E no segundo filme ele deve ter um namorado também: o ator quer, o estúdio está lucrando o que não imaginava e deve bancar, os produtores executivos baixam a cabeça engasgados com mordaças de BDSM na boca, submissos, e só sacodem a cabeça positivamente após levar um tapa na cara. Vai ser bem complicado todos os paradigmas sendo estilhaçados na sua cabeça e você pagando por isso, e rindo, e achando lindo. Mas é no final da noite, quando os quadrinhos voltam pro saquinho plástico dentro da cristaleira, que a patroa tira toda sua energia estática com aquele fio terra que ninguém sabe que você curte. Bem no ponto. Ela é Vanessa e você é Wade, vocês estão felizes, acabam de assistir no cinema a um filme nota 10. O gozo é certo.

“Eu sabia que Deadpool não era pra mim”, ouvi dizer por aí, mas talvez seja porque você, que supostamente quer quebrar todos os padrões, esteja tão impregnada e impregnado deles que nem note quando os replica. As diferentes formas de amar e ter prazer te assustam. Peitos e bucetas. Paus balançando. Bundas. Enfim, corpos. Deadpool não nega nada, entrega tudo. Se entrega ao prazer como panssexual que é. É a bicha pintosa, o hétero cafajeste, é passivo, é ativo, é tudo e mais um pouco. Livre de preconceitos, de preceitos, de padrões. O corpo é dele, e o corpo de Vanessa é dela. Ela gosta de tudo no sexo e ele também. É como acertar na loteria! Finalmente você pode amar por completo, sem precisar pisar pé por pé para não ser taxado de bizarro/pervertido/tarado e a reciproca da puta/vadia/safada é verdadeira.

Como pode? Pode. Deadpool é uma ode a diferença, ao dito “bizarro”, é um exercício de aceitação, é o feio que bonito lhe parece, é toda comunidade LGBT, é uma critica ao etarismo, é liberação sexual, é a mulher que faz o que quer da vida. Você, por mais fã que fosse, talvez não estivesse pronto ou pronta para ele da forma que deveria estar. Eu vi uma pessoa usando o personagem em um meme “Bolsonaro Presidente” nos comentários de uma postagem pelas internetes da vida (antes da estreia do filme), pois eu lhe digo, bolsonarete, que a cabeça do tal político seria, por meio daquelas katanas, uma das tantas a rolar neste país. É tão difícil assim compreender que Deadpool é a antítese de toda ditadura imposta aos corpos? Esse filme precisa ser cultuado dentre todos os filmes de personagens Marvel e DC que aconteceram até agora, pois só ele, mesmo num contexto onde X-Men consegue ser tão direto e óbvio, absorveu toda crítica político-social que os quadrinhos geralmente imprimem e que não é transportada em sua completude para os cinemas.

Mas você vai sair da sessão mantendo todo seus privilégios e preconceitos que existiam antes de entrar nela, bem como aqueles belos exercícios de poder, porque é conveniente, é cômodo e te beneficia. Ser Deadpool não é fácil, pois se fosse, personagens tão carismáticos, reais e crus, como ele e Vanessa, teriam ganhado a tela há muito tempo atrás. E chega ser engraçado que o clamor dos fãs de uma comunidade onde habitam, quase que em sua totalidade, seres que fazem um “esforço máximo” para serem escrotos, tenha feito acontecer um dos filmes mais libertários do cinema. Meus parabéns, e muito obrigado pela oportunidade de poder me identificar, finalmente, com um herói (que pode até não querer ser herói, mas você e seu preconceito não podem insistir em me dizer que é um anti-herói).

AGORA TCHAU! JÁ ACABEI. Vá pra casa esperar que o segundo filme te liberte de novo. Mas espera de quatro.

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Deadpool: aquele review que é proibido pra você e pra quem lhe for da família
Quantos anéis pirulito vale esse filme?
10Nota
Nota do Leitor: (2 Votes)
7.1