Esse prato não sairia do forno sem o financiamento de: Tiago Pariz Almeida!
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Parece que existe um esforço da grande mídia nos últimos dias em pinçar casos em que garis ou meninos de rua passam em vestibulares, concursos, ascendem financeiramente, passam até em universidades estadunidenses. É o exemplo do esforçado que só conseguiu o que conseguiu porque o doce capitalismo, esse papai noel, permitiu. A lenda da meritocracia é o que querem reforçar com um exemplo em um bilhão. Enquanto isso, em favelas pelo mundo todo, exemplos de “insucesso” se amontoam em valetas sendo calculados em toneladas. Negros e pobres, que são mortos porque o governo prefere enfiar no cidadão mais um impostinho aqui, outro ali, a fim de pagar banqueiros que devem ao próprio Estado (???). Enquanto, também, uma minoria de ricos/donos de indústria/latifundiários sonega uma média de 400 bilhões por ano só aqui no Brasil. Quando não passa disso. Sendo que um conglomerado de mídia sozinho é dono de uma dívida que, com juros e tudo mais, ultrapassa 1 bilhão. E só a matriz, sem citar afiliadas como a que existe aqui no Rio Grande do Sul, orgulho do povo gaúcho.

Beira o ridículo que o governo esteja querendo tapar uma crise com arrecadação de CPMF que rentabilizará aos cofres da União algo entre 2 e 6 bilhões de reais, além de um corte de 26 bilhões saídos de serviços essenciais como a saúde e, também, da paralisação de realização de concursos públicos, quando temos, pasmem, 400 sonegadores sendo investigados pelo débito de 20 bilhões. Foi isso mesmo que você leu, 400 pessoas sozinhas devem quase 10 vezes o que se pensa arrecadar com a ressuscitada CPMF. Ressuscitada VÍRGULA, pois quando foi executada com um tiro de misericórdia, a CPMF inflou o já existente IOF em todas as operações financeiras. As do cartão de crédito/débito internacional tiveram a incidência de IOF elevada de 0,38% para 6,38%; as operações de compra e venda de moeda estrangeira, que não tinham incidência do imposto, bem como transferências internacionais, passaram a ter acréscimo de 0,38%; no meio do ano em que as medidas foram aplicadas os bancos entraram com recurso para que os 6,38% do cartão de crédito/débito internacional também passassem a ser aplicados nos cartões de viagem internacionais, os travel money, isso porque foi alegada concorrência desleal (e você que se foda).

Tudo isso, meus amigos, vem do início de 2008. Lá se vão quase 8 anos inteirinhos de arrecadação de impostos que eu, você e o pessoal no morro que não tem nem o que comer direito estamos pagando (sim, novidade, eles fazem operações financeiras). Isso pra citar só o IOF. Nesse ínterim, pessoas da indústria do minério e da televisão aqui do Rio Grande do Sul, por exemplo, enterram num buraco bem fundo a operação da Polícia Federal que os investiga, a Zelotes, e só vemos falar da tal Lava Jato, que escolhe quem quer prender e deixa um bando solto. São esses os responsáveis pela tal de crise que não afeta setores como os bancos que batem recorde de lucro ano após ano. Uma crise que não é tão complicada assim de ser solucionada, haja vista que se as grandes fortunas fossem tributadas como deveriam ser, e como já são nos chamados países de primeiro mundo, tudo estaria resolvido num piscar de olhos e com muito mais efetividade. Cultivamos elefantes brancos da indústria/mercado como se deles fossemos dependentes, limando, assim, a possibilidade de outras pessoas surgirem nesse meio, caindo por terra o que foi dito lá no início do texto, e que insistem em querer que acreditemos: o capitalismo não é o sistema das oportunidades, ele é o sistema do dinheiro e de quem o detém.

E não, eu não estou dizendo que os outros sistemas de governo são perfeitos, bem longe disso, mas sim que uma harmonização entre tudo que cada um deles oferece de bom seria o ideal, mas isso desviaria o propósito do post e é assunto pra outro momento (ou nem). Fato é que, seja CPMF, seja imposto na Netflix, seja imposto na Steam, seja imposto onde for encaixado, essa naba não vai entrar no de quem precisa entrar, mas sim no seu, no meu, no nosso, e sem lubrificante. Não somos de forma nenhuma minoria, mas, apesar de numerosos, temos demonstrado uma passividade inacreditável diante de uma situação que não cabe a nós resolver, visto que já fazemos muito mais do que a nossa parte (basta verificar no leitor de código de barras o que você paga de impostos em um produto simples do supermercado). Mas vamos sendo empurrados na corrente animadora de que brasileiro é um povo alegre e batalhador (que não desiste nunca), como cavalinhos que puxam charrete com venda nos olhos pra não se assustar. E nada dessa história de levantar bandeira anti-PartidoX, por favor, já que todos os eles, mesmo os menos podres, tem alguma componente com culpa no cartório. E se formos falar em reforma política que resolva essa situação, vamos ter que passar pelo crivo desses mesmos seres que sugam a máquina pública diariamente, ou seja, nunca acontecerá. E nós que botamos eles lá (parabéns!). Solução? Talvez seja alugar o Brasil.

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