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Ontem estava eu na minha tranquilidade e eis que tomo essa paulada nos ouvidos! Cobalt Blue é uma banda nacional de rock progressivo que tem similaridades com diversas bandas gigantes do gênero, mas que em diversas passagens me remeteu muito ao som psicodélico de The Mars Volta, banda que é uma das minhas favoritas.

É sensacional ver uma banda brasileira despontando no rock com tamanha qualidade em seu primeiro trabalho. O Brasil, que sempre teve muita qualidade musical nas mais diversas vertentes (até aquela que você pode achar que é um lixo é admirada fora daqui), vem deixando muito a desejar dentro de setores que sempre fomos muito bem avaliados fora daqui, o rock e o metal.

Com uma sacolada de revelações nos cenários independentes da MPB, do samba, do funk, da música eletrônica e tantos outros, ver rock nacional nesse nível é como observar uma ave rara. E não que não produzamos material de qualidade, na verdade vejo isso sendo causado por uma grande síndrome que praticamos aqui amplamente: o viralatismo.

E isso faz com que fiquemos muito focados em nossos antigos produtos, e não que seja errado valorizar nossos clássicos, mas ficamos tão fixados neles que bandas como Pata de Elefante, Conjunto Bluegrass Portoalegrense, pra citar apenas duas aqui da região base do nosso projeto, ou a própria Cobalt Blue, passem quase desapercebidas do início ao fim de suas carreiras. São engolidas não apenas pela grande indústria fonográfica, mas também por nossa desvalorização já tão natural do que é nosso, do que é novo.

“O Brasil não tem mais música de qualidade como antigamente”, ou será que é você que não procura? Ou será que é você que ignora? Ou será que é você que tem preconceito com outras sonoridades e acaba tão fixado nessa sanha de “não ouço isso, aquilo e aquilo outro” que acaba esquecendo de, ao invés de ficar martelando na tecla do “não gosto/não ouço”, ir atrás daquilo que gosta e estamos sim produzindo. Poderíamos, ao invés de nos atermos ao mantra do não gosto, compartilhar aquilo que gostamos pra que outras e outros conheçam, especialmente porque agora temos muito mais acesso a tudo. Deveria ser mais fácil aparecer, mas não é.

Cobalt Blue é só um exemplo. Poderia citar também outra banda aqui de Porto Alegre, a Hibria, que só conseguiu deixar de ser ignorada no cenário nacional depois de explodir no Japão e na Europa, ganhando diversos prêmios por lá. Podendo, assim, ir ao Rock in Rio como atração aguardadíssima depois de tanto tempo fazendo sucesso absurdo aqui em Porto Alegre, quase que enclausurada na sua terra natal.

Que fenômeno é esse que faz com que nossas melhores bandas entupam shows fora do país e aqui sejam menosprezadas? Que tenham que produzir em inglês para serem aceitas fora daqui, porque aqui nós negligenciamos elas? Eu não estou direcionando minha fala a pessoas que não têm acesso a informação, mas sim as que têm.

Não há destaque da mídia, nem independente, nem especializada, não sem antes as artistas e os artistas caminharem uma romaria cruel. Nós simplesmente criamos essa cultura de rebaixar e esconder o que é feito debaixo dos nossos narizes. E engolimos todos os enlatados que vêm de fora sem nem questionarmos sua real qualidade. Somos colonizados culturalmente.

É óbvio que minha generalização aqui é proposital, porque precisamos sim rever esses valores, e não só na música. Todos nós precisamos refletir. E, no caso das bandas, há uma dependência de quem consome: as fãs e os fãs, especialmente quando estão em início de carreira.

Assim como Hibria, Cobalt Blue certamente vai precisar muito daquelas e daqueles que gostarem do som deles, seja martelando suas músicas em timelines, ou repassando a amigas e amigos, para que consigam agendar shows em várias cidades, inclusive fora do Brasil (essa segunda opção, por incrível que pareça, acaba sendo até mais fácil em muitos casos). Vai depender, inclusive, do boca a boca de outras bandas pras quais eles venham a abrir shows, pois esperar só da indústria em si é suicídio. É criminoso.

Então vamos revisar: cada vez que você pensar em compartilhar “não gosto de funk”, ou “não gosto de pagode”, ou “não gosto de sertanejo”, ou “não gosto de rock”, compartilhe algo massa que você curte e precisa de visibilidade. É muito melhor.

Abaixo vou deixar o som deles, que foi compartilhado de graça e na íntegra no canal do YouTube, mas se você tem Spotify, iTunes, Deezer… Eles também estão por lá, vale ouvir em canais pagos pra dar mais força ainda.

E eu poderia passar horas dissertando acerca da qualidade vocal e instrumentação impecável deles, além das composições, mas nesse sentido prefiro que vocês ouçam. A postagem era pra ser política mesmo, uma critica a nossa postura (sim, estou incluído nisso).

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Cobalt Blue: rock progressivo nacional pra estourar as caixas de som
Quantas porções de batata frita vale o álbum Stop Momentum?
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