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Chobits é um mangá seinen sci-fi (ficção científica com público alvo focado em homens entre 20 e 40 anos) bem clássico entre as pessoas que curtem esse tipo de literatura. Desenvolvido pelo grupo CLAMP, Chobits foi publicado no Japão entre 2001 e 2002 pela Kodansha e agora voltou ao Brasil trazido pela JBC. Para quem é novo nesse meio, a CLAMP é responsável pela criação de diversos mangás e animes de muito sucesso, como Chobits, Sakura Card Captor e XXXHOLiC. EYE CANDY: sabiam que a CLAMP é originalmente um grupo apenas feminino de mangakás?

Aperte play para começar: a história

Hideki é o típico garoto do interior que vai para a capital estudar e melhorar as condições de vida. Ele chega à uma Tóquio do futuro, agora habitada não só por humanos mas também por robôs em tamanho natural, os chamados PersoCons (Personal Computers). Hideki faz cursinho, mora em uma pensão e ainda trabalha em um bar, ou seja, nem com bastante esforço ele conseguiria comprar um PersoCon.

Os PersoCons viraram uma febre e possuem diversas utilidades como as de um computador comum – acesso à internet, e-mails, etc – e também realiza tarefas de um robô doméstico, como fazer tarefas de casa. Tudo depende de quais softwares o dono do PersoCon irá instalar. Mesmo com todos esses atributos, eles são realmente utilizados para: fazer companhia. São robôs, caros e high tech que servem para os humanos não se sentirem sozinhos. A vida de Hideki começa a mudar quando ele encontra um PersoCon feminino, completamente lindo e em ótimo estado, largado junto a um monte de lixo. Ele a leva para casa e começa a tentar descobrir o motivo para Chi – nome da PersoCon – ter tido sua memória apagada e ter sido jogada no lixo.

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Player 01 x Computador: análise

Sabem aqueles clássicos da literatura brasileira que vocês viraram a cara durante a vida inteira? Essa é minha infortuna relação com Chobits. Claro, todo o meu respeito pelo clássico, sei que ele possui ótimos elementos de enredo, a mesma qualidade artística e estética dos outros trabalhos da CLAMP… Mas seinen é complicado de engolir.

Meu primeiro contato com Chobits foi há uns 8 anos, quando a “eu” do começo da adolescência entrou nesse mundo de animes. Então, imaginem comigo, que há 8 anos eu não havia formado todas as opiniões que tenho hoje, nem vivido as importantes mutações que viria a viver, porém me deparei com um moço ligando um robô colocando a mão no meio das pernas dela e apertando. Pensem em uma adolescente virada do Jiraya (obrigada amigos paulistas que me ensinaram essa expressão tão boa) por tamanho ato de machismo e abuso em apenas uma cena, até mesmo para uma PersonCon, afinal trata-se da humanização de um computador.

Quando recebi esse ano o mangá em casa, lembro que abri e meu primeiro pensamento foi: “não acredito”. Tive um momento nostalgia, folheei o mangá que está completamente lindo, muito bem desenhado, com páginas coloridas muito bem feitas e me convenci que dessa vez seria diferente, que eu já era uma adulta madura, jornalista, letrada digitalmente e social media há tempo o bastante para entender que eu não sou o público alvo daquela publicação. (In)felizmente, eu estava errada. Voltei a ficar muito brava por uma demonstração fetichiosa e abusiva de um mangá.

A história de Chobits faz uma crítica social que me lembra de muito Wall-E, produção da Disney Pixar. É um futuro estranho onde as pessoas estão tão perdidas dentro de si que não conseguem interagir com outros humanos e são obrigadas a apelarem para um avanço tecnológico para não passarem a vida a míngua. Chobits volta várias vezes nesse ponto e isso é uma das partes que mais gosto no mangá.

Além disso, Chobits para mim seria completamente perfeito se não fosse seinen ou se não tivesse todas essas cenas mais abusivas que me incomodam. Talvez em estilo shoujo (estilo com público alvo feminino e idades entre 10 e 20 anos) ou josei (mangás para o público feminino adulto) ele ficasse muito melhor, abordando ainda ciência e tecnologia mas sem cenas abusivas ou machistas que são, na minha opinião, desnecessárias. Há diferentes tipos de mangá e, talvez, essa mudança de público alvo fosse mudar um pouco como a história é escrita, mas não é algo que seja absolutamente concreto. Chobits é um seinen muito confundido com shoujo, mas ele é um seinen romance.

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Game over

Voltando ao Brasil depois de mais de 10 anos da sua primeira publicação, Chobits continua da mesma maneira que eu lembrava, porém com uma qualidade estética incrível, muito bem colorido e com uma apresentação (capa+páginas) bem limpa, deixando a leitura bem fácil. Diferente dos mangás que leio normalmente, essa edição de Chobits é, de longe, a mais bonita. Com aproximadamente 180 páginas, a qualidade do papel é muito maior do que dos mangás comuns, sendo mais clara, mais leve e, ao mesmo tempo, menos áspera. Não tive a oportunidade de comprar os mangás lançados pela JBC em 2006, mas essa versão com certeza ficaria linda na minha prateleira. O que nos traz a uma parte que machucou um pouco meu coração. A edição especial com apenas 8 volumes tem um preço um pouco salgado, R$ 16,90 por volume. Muita gente vai virar a cara para ele porque, convenhamos, não é o preço comum de um mangá de banca. Mas, sério, vão por mim. Se vocês são fãs da história, vale muito a pena comprar pela qualidade dessa edição. Ela vale cada centavo dos quase 17 reais.

Acredito que ele vai alcançar muito mais o público mais velho e que já conhecia a obra do que essa nova geração de leitores. Talvez esses 10 anos de diferença tenham mudado não somente a mim, mas ao público em geral. Vendo como social media que trabalha diretamente com produção de conteúdo, afirmo ter visto uma politização dessa galera mais nova. Acho que, assim como eu me enfureci com algumas coisas, mais gente também terá o mesmo sentimento.

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Chobits: coloque uma moeda para continuar
Quantos bolinhos de arroz vale esse mangá?
Conteúdo: 7
Publicação:10
PRÓS:
  • Qualidade da publicação (tamanho e tipo de página);
  • Ótimo traço de desenho.
CONTRAS:
  • Preço (é um pouco alto :/).
8.5Nota
Nota do Leitor: (2 Votes)
10.0